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sexta-feira, 28 de julho de 2017

CONTO DE MISTÉRIO, DE STANISLAW PONTE PRETA

CONTO DE MISTÉRIO


Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível, a qualquer pessoa que cruzasse com ele, ver seu rosto. No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas. Imediatamente, um sujeito mal encarado, que se encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.
Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou: “Siga-me!” - foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal iluminado e ele – a uma distância de um dez a nove passos – entrou também.
Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. Mas o homem que ia na frente olhou em volta, certificou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateu numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-se discretamente.
Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde, no centro, via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba crescida, roupas humildes e ar de agricultor, parecia ter medo do que ia fazer. Não hesitou – porém – quando o homem que entrara na frente apontou para o que entrara em seguida e disse: “É este”.
O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou ao que falara. Este passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de cabeça foi a resposta. Enfiou a mão no bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao parceiro. Depois, virou-se para sair. O que entrara com ele disse que ficaria ali.
Saiu então sozinho, caminhando em direção às paredes do beco. Quando alcançou uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e mandou tocar a toda pressa para determinado endereço. O motorista obedeceu e, meia hora depois, entrava em casa a berrar para a mulher:
- Julieta! Oh, Julieta...consegui.
A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos em um avental, a sorrir de felicidade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote e verificou que o marido conseguira mesmo. Ali estava: um quilo de feijão.

Questões:

VAMOS CONVERSAR SOBRE O TEXTO

1.      Quais foram os recursos utilizados pelo personagem principal para se disfarçar?
2.      Ao entrar no café, que ordem o homem o homem de chapéu recebeu? Quem deu essa ordem?
3.      Depois de entrar em contato com o homem de chapéu, o homem mal-encarado seguiu-o. Para onde eles foram?
4.      Como era o home que se encontrava na sala enfumaçada?
5.      Quem estabeleceu o contato entre o homem de chapéu e o home de barba crescida?
6.      O que havia, no misterioso pacote?


VAMOS ESCREVER SOBRE O TEXTO

1.      “Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros ...” Essa passagem do texto permite afirmar que:
a.      (   ) o homem agia claramente;
b.      (   ) o homem agia sorrateiramente;
c.       (   ) o homem agia tranquilamente;
d.      (   ) o home agia despreocupadamente.

2.      Senha é um sinal combinado entre pessoas a fim de se comunicarem sem que outros entendam a mensagem. Qual foi a senha utilizada pelo homem de chapéu? E a senha utilizada pelo homem mal-encarado?

3.       O sujeito mal-encarado e o homem de chapéu não caminhavam lado a lado. Copie o trecho do texto que justifica essa afirmativa.

4.      Releia com atenção o quinto parágrafo do texto e relacione os personagens às respectivas ações:

(  1  ) — homem de barba crescida
(  2  ) — homem de chapéu
(  3  ) — homem mal-encarado

a.      (    ) Pegou um dos pacotes.
b.      (    ) Entregou o pacote
c.       (    ) Passou o pacote para o outro.
d.      (    ) Perguntou se trouxera o dinheiro.
e.      (    ) Acenou com a cabeça.
f.        (    )  Enfiou a mão no bolso.
g.      (    ) Tirou um bolo de notas.
h.      (    ) Virou-se para sair.
i.        (    )  e (    ) Permaneceram na casa.

5.      Ao sair da casa misteriosa, o homem de chapéu parecia amedrontado. Copie a frase do texto que justifica essa afirmativa.

6.      O mistério da história lida só é desvendado no final. No momento em que o autor desvenda esse mistério, dá-se o desfecho do conto. Copie a frase que corresponde ao desfecho do texto lido.

7.      Antes de chegar ao desfecho, o autor procura prender a atenção do leitor criando um clima de suspense. Para manter o suspense, o autor recorre a descrições e narrações em que há elementos misterioso, obscuros (por exemplo: os personagens principais não têm nome, as ruas são sempre mal iluminadas, etc.).

Agora, você vai identificar esses elementos de suspense, numerando os parênteses de acordo com o seguinte código:

(  1  ) — descrição do ambiente
(  2  ) — descrição dos personagens
(  3  ) — ação dos personagens

a.      (    ) “A gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada.”
b.      (    ) “Cantos e escuros.”
c.       (    ) “Fez o sinal que tinham já estipulado à guia de senha.”
d.      (    ) “Cuspiu de banda.”
e.      (    ) “Beco úmido e mal iluminado.”
f.        (    ) “O silêncio era sepulcral.”
g.      (    ) “Uma dobradiça gemeu.”
h.      (    ) “Sala pequena e enfumaçada.”
i.        (    ) “Sujeito de barba crescida.”
j.        (    ) “Caminhando rente às paredes do beco.”

8.     Classifique o narrador deste conto.


ESTUDOS GRAMATICAIS


1.      Qual é o tempo verbal utilizado com mais frequência no texto? Classifique-o e dê exemplos.


2.      Observe com atenção os trechos abaixo e responda: quais são os tempos e os modos verbais utilizados e detalhe qual é a ideia que eles transmitem?

a.      “Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas.”
b.      “Ali parecia não haver ninguém.”
c.       “...a qualquer pessoa que cruzasse com ele...”


3.      Observe:
“..., caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível, para qualquer pessoa,...”
“A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos no avental, a sorrir de felicidade.”

a.      Classifique a forma nominal do verbo utilizada nos trechos acima e explique a ideia que ela transmite.


b.      No parágrafo do conto, foram empregadas as formas nominais: caminhando e enxugando. Agora coloque esses verbos nas formas nominais a qual eles correspondem abaixo e complete o quadro a seguir.

Infinitivo
Gerúndio
Particípio







4.      Leia o parágrafo a seguir:

Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou: “Siga-me!” - foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal iluminado e ele – a uma distância de um dez a nove passos – entrou também.


Observe as formas verbais destacadas. Esses verbos estão:

 I) tempo                            II) modo
(   ) presente                       (   ) indicativo                                                             
(   ) pretérito                       (   ) subjuntivo                                                 

(   ) futuro                           (   ) imperativo








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