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sábado, 30 de agosto de 2014

O MELHOR AMIGO, DE FERNANDO SABINO

A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse para vê-lo, deu uma corridinha na direção de seu quarto.

- Meu filho? – gritou ela.

- O que é? – respondeu, com ar mais natural que lhe foi possível.

- Que é que está carregando aí?

Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido, tentou ganhar tempo:

- Eu? Nada...

- Está sim. Você entrou carregando uma coisa.

Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar, o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:

- Olha aí, mamãe: é um filhote...

Seus olhos súplices aguardavam a decisão.

- Um filhote? Onde é que você arranjou isso?

- Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?

Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de ISSO. Insistiu ainda:

- Deve estar com fome, olha a carinha que ele faz.

- Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!

- Ah! Mamãe... – já compondo cara de choro.

- Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.

O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto emburrado: a gente também não tem nenhum direito nessa casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado dessa maneira!

- Que diabo também, nessa casa tudo é proibido! – gritou lá do quarto, e ficou esperando a reação da mãe.

- Dez minutos! – repetiu ela, com firmeza.

- Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.

- Você não é todo mundo.

- Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada.

- Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a costura.

- A senhora é ruim mesmo, não tem coração.

- Sua alma, sua palma.

Conhecia bem a mãe, sabia que não havia apelo: tinha dez minutos para brincar, com seu novo amigo, e depois... Ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:

- Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.

- Ah, mamãe deixa! – choramingou ainda.

- Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nessa vida...

- E eu? Que bobagem é essa, você não tem a sua mãe?

- Mãe e cachorro não é a mesma coisa.

- Deixa de conversa: obedece a sua mãe.

Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa toda...

Meia hora depois, o menino voltava da rua, radiante:

- Pronto, mamãe!

E lhe exibia uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.

- Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza de que ele dava – murmurou pensativo.

 

Fonte: “A Vitória da Infância” - Fernando Sabino - Editora Ática

 

INTERPRETANTO O GÊNERO TEXTUAL CRÔNICA

 

1.Por que o menino pensou que a mãe não tinha visto o que ele carregava?

 

2.Copie do texto duas frases que o menino utilizou para emocionar sua mãe e assim convencê-la a ficar com o cachorrinho.

 

3.Quando o menino saiu de casa, sua mãe ficou preocupada por ter sido tão rigorosa e pensou que o fato de ter mandado o cachorro embora poderia trazer consequências mais graves, pois seu filho ficaria muito triste. Essas preocupações da mãe se confirmaram? Por quê?

 

4.Releia o título do texto:

 O melhor amigo

 
Agora responda à seguinte questão: O autor do texto escolheu esse título porque:

a. ( ) O cachorro é o melhor amigo do homem.

b. ( ) O menino era o melhor amigo do cachorro.

c. ( ) No final do texto percebe-se que o menino não era tão amigo assim do cachorro.

d. ( ) O menino tinha muitos amigos.

 

5. Releia o trecho:

 
“Como poderia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça?”

 
Essa pergunta foi feita pelo filho para:

 

a. ( ) A mãe.

b. ( ) O leitor.

c. ( ) Ele mesmo.

d. ( ) O cachorro.

 

6. Releia o trecho:

 
Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar, o jeito era procurar comovê-la. Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:

 

a. O que a palavra grifada significa?

 

b. Quem o filho queria comover?

 

7. Releia o trecho:

 

- Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não faço mais nada.

- Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a costura.

- A senhora é ruim mesmo, não tem coração.

- Sua alma, sua palma.

 

A expressão grifada significa que:

 

a. ( ) A escolha é do filho, mas se ele teimar em tomar essa atitude terá que se responsabilizar pelas consequências.

b. ( ) Examinando sua palma podemos saber como é sua alma.

c. ( ) A mãe pouco se importa com as atitudes do filho.

d. ( ) O filho levaria umas palmadas.

 

8. Releia o trecho:

 

“E lhe exibia uma nota de vinte e uma de dez : havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros” .

 

Para que servem os dois pontos ( : ) utilizados pelo autor do texto nesse trecho?

a. ( ) Para que o leitor descanse enquanto lê.

b. ( ) Para anunciar que, em seguida, algum personagem irá falar.

c. ( ) Para não ter que usar sempre a vírgula.

d. ( ) Para explicar ao leitor como o menino conseguira o dinheiro.

 









 













































































































COMO SE ORGANIZAR PARA UM DEBATE EM SALA DE AULA

COMO SE ORGANIZAR PARA UM DEBATE EM SALA DE AULA

 
             Entre os gêneros orais, um dos mais utilizados e valorizados socialmente é o debate. Esse gênero ficou muito conhecido na televisão, especialmente em razão do interesse despertado pelos debates realizados entre candidatos a cargos políticos importantes em época de eleição.
Mas há muitas outras situações e locais em que o debate é realizado: em escolas, comunidades de bairros, sindicatos, cinemas e teatros, universidades etc. Dependendo da situação e da finalidade com que é produzido, ele pode ser um debate regrado público, utilizado para se conhecerem os diferentes ângulos e pontos de vista que envolvem um assunto polêmico (por exemplo, os projetos de governo de um candidato), ou um debate deliberativo, realizado quando se pretende, além de discutir o tema, deliberar, isto é, tomar decisões que implicam a ação de algumas pessoas ou de todo o grupo.
 Observação:
Num debate, é natural que muitas pessoas queiram falar ao mesmo tempo; também é possível que haja ideias divergentes entre um participante e outro. Por isso, para que o debate transcorra de modo organizado e produtivo, convém estabelecer algumas regras.
O papel do moderador
 O moderador é a pessoa responsável pela organização do debate: anota as inscrições dos que querem falar, controla o tempo de cada debatedor e zela pelo ambiente de respeito entre os participantes. Tem autoridade para interferir no debate, seja, por exemplo, para informar um debatedor sobre o término do tempo, seja para alertar algum participante sobre a conduta inadequada, como agredir um colega, falar palavrões etc.
Como sair-se bem no debate
Se você quer se sair bem no debate, leve em conta estas orientações:
1.  Fale alto, claro e sem pressa para que todos ouçam e compreendam o que você diz;
2.  Supere a inibição; mostre segurança, olhando diretamente para as pessoas que o ouvem;
3.  Para convencer os colegas, apresente bons argumentos. Por isso, elabore mentalmente o argumento antes de falar;
4.  Preste atenção no que os colegas falam para não correr o risco de apresentar ideias já expostas;
5.  Evite empregar gírias ou muita repetição de expressões como tipo, tipo assim, né, tá...
 Princípios de um debate democrático
 1.  Todos os participantes têm o direito de:
falar e ouvir livremente (não se deve interromper a exposição do outro);
expressar suas ideias com liberdade e ter seu ponto de vista respeitado (não se deve, por exemplo, zombar ou provocar o debatedor durante sua exposição);
estar em igualdade de condições com os outros (quanto ao tempo para falar, por exemplo);
2.  No debate o confronto é de ideias; assim, a discussão nunca deve ser levada para o plano pessoal, ou seja, mencionar que um colega de sala age daquela forma;
3.  Quando um participante apresenta um contra-argumento à opinião de outro, pode haver réplica, dependendo do acordo prévio estabelecido entre o moderador e os participantes.
 Avaliando o debate
      Após a realização do debate, façam com o professor a avaliação desse debate. Que aspectos foram positivos e quais foram negativos. O que pode ser feito para alcançar um resultado melhor nos futuros debates? Entre outros, procurem avaliar os seguintes aspectos:
 1.  As regras estabelecidas foram justas e respeitas pelos debatedores?
2.  Houve alguém que monopolizou a palavra? Por que isso aconteceu?
3.  As propostas foram bem apresentadas? Os argumentos foram aprofundados? Houve argumentos repetidos?
4.  Os debatedores falaram de modo claro, com altura de voz e postura adequadas? Falaram olhando para o público?
5.  Houve agressividade verbal entre os participantes?
6.  A linguagem dos debatedores foi adequada à situação? Houve exagerado emprego de gírias ou muita repetição de expressões, a ponto de prejudicar a qualidade da exposição?

OBSERVAÇÃO:
E, ACIMA DE TUDO, RESPEITE O COLEGA, ISSO É ESSENCIAL!!!
Agora, você vai ler diferentes textos relacionados com o tema: “Os jovens de 12 a 18 anos preferem namorar ou ficar?”. Após a leitura, faça algumas anotações que achar pertinente para debater com a classe.
 

1.   O "ficar" dos adolescentes

 

Artigo por Colunista Portal - Educação - quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008.
 
Qual a diferença entre namorar e ficar?
Ana Luiza Ferraz
Psicóloga

O que é adolescência e como os jovens encaram e se comportam com o sexo oposto e também como lidam com os relacionamentos afetivos.

Adicionar legenda
Todos nós passamos pela chamada fase da adolescência que é o período entre a infância e a fase adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde esse período é estabelecido entre os 10 e 20 anos de idade, já o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece outra faixa etária: dos 12 aos 18 anos. É um período no qual o indivíduo passa por muitas mudanças físicas, psicológicas e tem como características as chamadas “revoltas”, manias e várias outras atitudes. É nesse momento que os jovens começam a conhecer a relação entre um homem e uma mulher.
Existem vários tipos de relacionamentos afetivos, mas o “ficar” é o mais presente na vida desses jovens. Designa num relacionamento episódico e ocasional, na maioria das vezes com duração de algumas horas durante uma festa ou num momento de diversão. A prática mais comum envolve beijos, abraços e carinhos, tendo com característica importante a não implicação de compromissos futuros e é visto como algo passageiro, sem consequências ou envolvimentos.
Esse tipo de relacionamento tem características que coincidem com o comportamento desses jovens. Por ser algo que não implica em compromissos sérios significa que o adolescente não está pronto para assumir responsabilidades e eles encaram o “ficar” com muita naturalidade exatamente por esse motivo. Lembrando sempre que nos referimos aos adolescentes de uma forma em geral.

Porém, existe uma diferença entre meninos e meninas quanto à preferência ou não de “ficar”. Geralmente os meninos são mais adeptos a esse hábito enquanto que as meninas preferem namorar a “ficar”. Talvez isso demonstre que as meninas amadurecem mais cedo que os meninos. Seja qual for à preferência entre os sexos, o “ficar” é um modo de explorar e experimentar sentimentos, parceiros e situações de escolhas para tomada de decisões que exigem mais responsabilidade, pois muitos desses adolescentes relatam que o “ficar” é um primeiro contato que poderia levar a um namoro.
Por mais conservador que possa parecer nos dias de hoje, existe certa recriminação em relação àqueles que “ficam” com frequência, principalmente para as meninas, pois elas são vistas como “galinhas”, “não-sérias” e “não confiáveis”, passíveis de rejeição tanto por parte dos meninos como das meninas.
O “ficar” é como um estágio para futuros relacionamentos afetivos, mas é preciso ter cautela e saber se preservar.

2.  Namoro na adolescência

O namoro na adolescência pode gerar diversas mudanças na vida do jovem, por isso, é preciso ter cautela para não se arrepender depois.
O namoro é um relacionamento que acontece na vida de todas as pessoas em determinadas fases. Os adolescentes, na sua maioria, optam por namorar desde muito novos e se pararmos para analisar a maioria dos jovens de 14 e 18 anos já namoram e acabam comprometendo algumas fases e oportunidades da vida por estabelecerem relacionamentos sérios com pouca idade. Na verdade o maior problema é que os jovens mergulham de cabeça em relacionamentos e se entregam de uma forma como se nada mais existisse no mundo.
Apenas aquela pessoa que namora é a perfeito e tem qualidades, porém quando acontece o rompimento do relacionamento, eles acabam sofrendo muito por ter se apegado tanto e se entregado para um namoro que apenas frustrou e fez com que eles pulassem uma etapa da vida.
Namoro na adolescência e suas consequências

 
Como dar um fora em alguém - Amigo Teen - Ligação Teen
Não podemos descartar o fato de que o namoro traz consequências boas para o comportamento dos jovens que, por estabelecer relacionamentos sérios acabam amadurecendo mais cedo, porém as consequências prejudiciais também ocorrem e podem afetar a vida futura dos que optam em namorar tão cedo.
Entre as consequências em um namoro na adolescência as mais comuns são: mudança de humor, gravidez indesejada, DST e alguns problemas psicológicos. O que especialistas aconselham é que os pais conversem abertamente com seus filhos sobre namoro e principalmente como evitar as doenças e gravidez, deixando bem claro que estão ali para apoiá-los.
Namoro evangélico na adolescência
Quando os adolescentes e suas famílias são evangélicos os costumes e crenças são outras e por esse motivo as regras estabelecidas pelos pais em um namoro na adolescência são diferentes. O ideal neste caso é que os pais dos adolescentes evangélicos também conversem abertamente e tire qualquer dúvida que venha a surgir sobre relacionamentos.
Especialistas dizem que a melhor fase para se comprometer em um relacionamento sério é depois dos 18 anos, pois a idade dos 13 aos 18 é a fase das descobertas, aventuras, amadurecimento e formação de ideias, por isso ter um relacionamento sério pode atrapalhar muito essa fase.
Os relacionamentos são diferentes, depende de cada família, religião ou costumes, porém se analisarmos a fundo todos têm o mesmo seguimento que é o amor entre duas pessoas que pretendem permanecer juntos e felizes.
 
 

3.  Adolescentes - Entender a cabeça dessa turma é a chave para obter um bom aprendizado



Meire Cavalcante
Uns parecem estar no mundo da lua. Outros, num ringue de boxe. Para driblar essas atitudes que prejudicam suas aulas, é preciso conhecer e respeitar as mudanças que ocorrem na adolescência, ganhar a confiança da turma e aproximar o conteúdo escolar do cotidiano da garotada.
"A culpa é dos hormônios." Até há bem pouco tempo, a indisciplina e o comportamento emocionalmente instável dos adolescentes eram atribuídos à explosão hormonal típica da idade. Pesquisas recentes mostram, no entanto, que essa não é a única explicação para a agressividade, a rebeldia e a falta de interesse pelas aulas, que tanto preocupam pais e professores. Nessa fase, o cérebro também passa por um processo delicado, antes desconhecido: as conexões entre os neurônios se desfazem para que surjam novas. Simplificando: o cérebro se "desmonta", reorganiza as partes e em seguida se "monta" novamente, de forma definitiva para a vida adulta.
A neurologia explica

         Tudo o que pode parecer estranho no comportamento dos adolescentes tem explicação neurológica. A falta de interesse pelas aulas, por exemplo, é consequência de uma revolução nas sinapses (conexões entre as células cerebrais os neurônios). Nessa etapa da vida, uma série de alterações ocorre nas estruturas mentais do córtex pré-frontal área responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções , daí a explicação para ações intempestivas e às vezes irresponsáveis.
         Por volta dos 12 ou 13 anos, o cérebro entra num processo de reconstrução. "É o que eu chamo de 'poda' das sinapses para que outras novas ocupem o seu lugar", afirma o psiquiatra Jorge Alberto da Costa e Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que estuda essas alterações na Escola Médica de Nova York. Segundo Silva, o cérebro faz uma limpeza de conexões que não têm mais utilidade como as que surgiram para que a criança aprendesse a andar ou a falar, por exemplo e abre espaço a novas.

        Grosso modo, funciona assim: quanto mais s
ão usadas, mais as conexões se desenvolvem e amadurecem. Imagine que para tocar um instrumento o indiví
duo necessite de algumas sinapses. Quanto mais ele pratica, mais "fortes" ficam as conexões. Se não são usadas, elas ficam lá só ocupando espaço e são descartadas na adolescência. Ao mesmo tempo, o que a pessoa aprende nesse período fica para a vida inteira.

        Esse intenso processo de monta e desmonta remodela toda a estrutura básica cerebral. Por isso, afeta "desde a lógica e a linguagem até os impulsos e a intuição", explica a jornalista Barbara Strauch, editora de medicina do jornal norte-americano The New York Times e autora do livro Como Entender a Cabeça dos Adolescentes, que apresenta as últimas pesquisas sobre o assunto.

Revista Nova Escola

4.  Qual a diferença entre namorar e ficar?

 
 Primeiro Encontro
        
          Com certeza você já ficou na dúvida se aquele beijinho, aqueles passeios juntos ou aquela relação é namoro ou apenas uma ficada, não é mesmo? Principalmente se o seu par não é muito direto sobre o que quer da vida. E acredite, esta dúvida não é apenas dos adolescentes, muitos adultos também não sabe a diferença entre namorar e ficar. E é por isso que resolvi vir aqui se não para explicar, pelo menos para te dar alguma luz. O que é “FICAR”? Normalmente usamos o termo “ficar”, quando acabamos de conhecer uma pessoa e sem compromisso algum, rola apenas uns beijos e abraços. Aquele, ou aqueles, cara ou mina que você beijou na balada, é uma ficada. O “ficar” pode ser rápido como em uma balada, como também pode durar alguns dias, semanas e se os dois forem enrolados, até meses. Mas daí você vai dizer, mas se é meses então já é um namoro. Te digo, nem sempre, ficar é estar com alguém sem se apegar, sem cobranças, ou seja apenas curtir. Normalmente os meninos preferem dizer que estão ficando do que namorando, pois assim eles podem “ficar/pegar”, embora não acredito que isso seja certo, com outras meninas sem ter que dar satisfações a ninguém.
          O que é namorar? Já o namoro, diferente da ficada, que é um relacionamento sem compromisso, ele é um relacionamento mais sério, com mais obrigações, fidelidade e respeito. Dificilmente você levará uma pessoa com quem está ficando para almoçar com seus pais, já um namorado você levará. Vocês irão passar mais tempos juntos, vão viajar, se ligar quase todos os dias, vão sentir muito mais falta um do outro. Seu comportamento muda, você prefere deixar as baladas e rolês com a galera de lado para ficar com algo mais romântico com o seu par. É lógico que você pode estar namorando e continuar com a galera, mas pode notar, todo mundo que começa a namorar, some. Independente do rótulo, o mais importante é ser feliz e curtir o momento. Há pessoas que preferem só ficar, outras já vão direto para o status “namorar”. E você, o que prefere, namorar ou ficar?
          E você, o que prefere? Namorar ou Ficar?

5.  Ficar ou namorar: intimidade sexual
e intimidade emocional em conflito

 

 A partir dos anos 80, o “ficar” tornou-se a forma de relacionamento amoroso mais praticada pelos jovens brasileiros. Segundo o professor doutor Sandro Caramaschi, docente do departamento de Psicologia da Unesp-Bauru, o ficar não é um privilégio nem uma invenção das gerações atuais. “Antigamente, as pessoas também ‘ficavam’, embora atribuíssem nomes diferentes para essa prática, que era também menos generalizada do que atualmente”, conta Caramaschi.
O “ficar” caracteriza-se pela ausência de compromisso, de limites e regras claramente estabelecidos: o que pode ou não pode é definido no momento em que o relacionamento acontece, de acordo com a vontade dos próprios “ficantes”. A duração do “ficar” varia: o tempo de um único beijo, a noite toda, algumas semanas. Ligar no dia seguinte ou procurar o outro não é dever de nenhum dos “ficantes”.
Mesmo desprovido de legitimação social, por não ter fronteiras bem demarcadas, os resultados benéficos do “ficar” superam os aspectos negativos, já que “ficar” possibilita que as pessoas avaliem maior número de parceiros do que se tivessem que namorá-los. “Há chances de se avaliar um ou mais parceiros por dia, e investir num conhecimento mais profundo de parceiros considerados interessantes”, diz Caramaschi. 
Segundo ele, a maior reclamação de jovens quanto ao “ficar” é a superficialidade dos relacionamentos que caracterizam essa prática. “‘Ficar’ implica na maioria das vezes uma grande intimidade sexual, à qual não corresponde uma maior intimidade emocional”, aponta Caramaschi. Embora as pessoas tenham necessidade de serem ouvidas e de construírem relacionamentos marcados pela afetividade, dificilmente há predisposição para ouvir e aceitar o outro, situação gerada pelo individualismo e pela competitividade cotidianos. Afinal, “ficar” não é uma mudança comportamental isolada, e sim o reflexo de uma sociedade composta por pessoas mais centradas em si mesmas, situação bem ilustrada pelo volume elevado das músicas nas pistas de dança atuais, nas quais cada um dança sozinho, e onde só se pode conversar aos berros.
O hábito de “ficar” preocupa os pais, que sentem seus filhos mais expostos a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez precoce. “Há um descompasso entre o aumento da liberdade e da responsabilidade”, afirma Caramaschi. “Os jovens sabem o que devem fazer para se prevenir, mas não estão preparados para conduzir essas medidas preventivas em situações sociais comuns na sua vida”.
Para entender melhor o assunto, a aluna de Psicologia Cristiane Oliveira Alves desenvolveu a pesquisa “‘Ficar’ x Namoro: o que marca a passagem de relacionamento a outro na concepção de universitários?” A pesquisa envolveu 100 universitários de ambos os sexos, com idade entre 18 e 24 anos, das faculdades de Ciência (FC), Engenharia (FE) e Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp-Bauru, e buscava descobrir se há diferenças entre quando o “ficar” se transforma em namoro para garotas e garotos.
Cinquenta pessoas do sexo feminino e 50 do sexo masculino responderam a um questionário com quatorze questões sobre situações comuns a relacionamentos amorosos. Após a análise dos dados coletados, verificou-se que não há grandes diferenças entre quais comportamentos homens e mulheres consideram típicos do “ficar”, da fase intermediária e do namoro. A pesquisa ressalta, porém, que as mulheres consideram o Companheirismo como característico da fase intermediária entre “ficar” e namoro, enquanto os homens consideram-no como peculiar ao namoro.      
Já a Visita Familiar e o Ciúme são característicos da fase intermediária para os homens, mas do namoro para as mulheres. Caramaschi ressalta que esses resultados se referem a um grupo específico, o de universitários da Unesp-Bauru, e que os conceitos sobre o “ficar” e o namoro podem variar conforme a faixa etária dos entrevistados, ou seu ambiente social.
Para Caramaschi, a grande surpresa foi descobrir que o sexo é considerado próprio da fase intermediária tanto para garotos quanto para garotas.
 

 

6. NAMORAR NÃO.
FICAR SIM.

Elisangela Maia



            A adolescência está chegando cada vez mais cedo. O comportamento dos adolescentes de hoje é muito diferente de anos atrás. Hoje tudo é mais fácil para eles, a vida é só curtição, e responsabilidade quase não se tem. Por outro lado, passam por grandes mudanças físicas e psicológicas, cujos efeitos podem ser sentidos nas "revoltas", manias e várias outras atitudes. Neste momento os adolescentes começam a conhecer relação entre um homem e uma mulher. Para eles, namorar, ter um compromisso com alguém, está fora de moda. O que eles querem é "ficar", e ficar significa passar a noite ou algum tempo com alguém, sem compromisso mais sério. O jovem, às vezes, tem que buscar apoio psicológico, pois eles ficam mais sensíveis às questões do cotidiano.

  
 

O QUE A PSICOLOGIA TEM A DIZER
 
           A psicóloga Silvia Gisleny Martins diz que a palavra "ficar", hoje um termo muito usado pelos adolescentes, teve seu aparecimento, sentido de liberdade, no final da década de 80 e começo da de 90, uma década de muito liberalismo. SiIvia fala que o ato de "ficar" significa que o adolescente não está pronto para assumir responsabilidades, como por exemplo namorar. "O adolescente fica com um aqui outro ali porque, geralmente, ele não tem personalidade totalmente formada", diz. A psicóloga afirma que o adolescente importa-se muito com as opiniões externas, e muito pouco com o que aprende em casa. "Eles acham que os pais e os irmãos são retrógrados e caretas. Isto acaba dificultando o ensinamento, principalmente a educação sexual", opina Silvia.

          Ela explica que a palavra ficar é comparada a atitudes relacionadas com prostituição, drogas e doenças sexualmente transmissíveis. Silvia justifica que isto acontece porque esse hábito dos jovens de ficar com um e com outro às vezes resulta em tragédias, como AIDS, por exemplo, que a cada dia contamina mais pessoas. Silvia ressalta que ficar não acontece só com os jovens. Os adultos também têm este hábito, mas com uma grande diferença: eles não estão em fase de formação, já têm maturidade e responsabilidade o bastante para assumir todos os seus atos. "Ficar" já existia mesmo antes do surgimento da modernidade, com a diferença de que em décadas passadas a palavra tinha outro sentido. Como exemplo, anteriormente os rapazes diferenciavam as moças de família e as mais fáceis, dizendo que, as assanhadas eram "moças para ficar", só para diversão. Hoje qualquer adolescente fica com outros, sem nenhuma preocupação de ser vista como mulher fácil. Para a psicóloga, ficar é um comportamento de desejo e diversão. Um sentimento que vem antes da paixão, que na maioria das vezes não estabelece relacionamentos longos e nem duradouros, mas que, em alguns casos, podem até se transformar em amor.

AS MÃES E SUAS DIFICULDADES

          A dona de casa Marília Campos, mãe de uma adolescente, diz que o relacionamento entre os jovens muda de nomes em diferentes épocas. Assim, há 30 anos, o nome dado a um possível relacionamento era ficar, mas ficar no sentido de conversar, passar algumas horas ou dias, sem ter contatos físicos. “Quando uma moça dizia ‘eu fiquei com fulano’, ela queria dizer que não resultou em namoro e que só trocaram olhares e ‘xavecos’”.

          Hoje o ficar é mais sério, os jovens têm relações mais íntimas sem ao menos conhecer direito a pessoa. Não existe aquele compromisso e nem responsabilidades como acontece no namoro, diz Marília. No ficar, as adolescentes correm maiores riscos de contágios por doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. "Para eles esses riscos são mais sérios, pois se uma menina engravida ela não tem como cobrar do parceiro nenhuma atitude. E, se casam, é um desastre, pois não houve tempo de se conhecerem. Infelizmente, muitas vezes aquele ou aquela jovem não são os parceiros ideais, e o casamento fracassa por terem tomado atitudes precipitadas", afirma a dona de casa.

          O namoro é tempo para descobertas e adaptações. "Assim, o ficar pode comprometer irremediavelmente a vida futura dos jovens, por falta de compromisso e responsabilidade de ambas as partes", declara. A liberalidade sexual, passageira e imatura que há no ficar, pode causar grandes problemas nas vidas dos jovens, reforça Marília. Ela afirma que namorar é mais saudável, porque existe o fator compromisso, responsabilidade e até amor. As entrevistas revelam que a palavra ficar tem um significado quase igual para todos.

         Pais, especialistas e até mesmo para os adolescentes, que conhecem estes problemas, mas mesmo assim continuam ficando. Para algumas pessoas ficar faz parte da formação dos jovens, porque é a partir da daí que ele poderá escolher no futuro uma pessoa que combine com sua personalidade. O jovem, nesta fase, só pensa em se divertir, aproveitar a vida e não se preocupa com as consequências que poderão vir no futuro.

    7. Será que "ficar" é mesmo novidade?


Os adolescentes de hoje têm maior
autonomia para sair à caça. No mais,
fazem o que sempre se fez

 



Por Jairo Bouer  Ficar" é um termo que tem deixado muitos pais de cabelo em pé. Para quem tem um filho adolescente dentro de casa, ficar é, quase sempre, pauta do dia. "Mãe, fiquei ontem à noite com um garoto lindo na festa da Claudinha." "Como ele se chamava, filha?" "Ah, sei lá, nem lembro, mas era um gatinho!" A identidade do ficante é, muitas vezes, menos importante do que o ato de ficar. Ficar passou a ser uma espécie de atestado de bom aproveitamento, de garantia de curtição de uma balada ou de uma festa. "Ontem a balada foi uma droga! Zerei, cara! Não fiquei com ninguém." Ou ainda: "A festa de ontem foi a melhor. Tinha muita mulher bonita, catei várias. Fiquei com umas quatro ou cinco, nem lembro, cara!" De maneira geral, os próprios jovens definem que o ficar vai até o ponto em que começaria uma relação sexual. Para eles, abraçar, beijar, acariciar, tocar as partes íntimas e até praticar sexo oral são indicadores que graduam desde as ficadas mais tranqüilas até as mais calientes. Pesquisas feitas nos EUA e na Europa mostram que, para os jovens, sexo oral não é sexo. É preliminar, é aquecimento, é ficar. Mas transar não está incluído no rol do ficar! Pelo menos, não de forma geral!


Ilustração Paladino


Mas será que ficar é mesmo uma novidade dessa galera? Será que nossa geração, por exemplo, também não ficava? Lógico que ficava! Só que a gente chamava essa ação de outra forma: dar uns amassos, curtir são termos que giram em torno de um comportamento parecido.
Ficar não é um fenômeno apenas das grandes cidades. Quase o Brasil todo fica. Há alguns anos, assistindo com adolescentes a uma palestra sobre sexualidade na região amazônica, em Belém do Pará, me surpreendi quando um ginecologista de São Paulo tentava explicar, com algum constrangimento, o que era o ficar, tão em moda aqui no Sudeste. Uma garota pediu a palavra e soltou do meio da platéia: "O doutor vai me perdoar, mas aqui no Norte a gente também fica de montão".
Mas o ficar de hoje é o mesmo ficar de vinte ou trinta anos atrás? Não, até porque os hábitos e costumes mudaram. Houve uma flexibilização muito grande das questões que envolvem a sexualidade nessas últimas décadas. Antes, sob olhares mais rigorosos dos pais, os limites eram maiores. Gestos mais ousados, atitudes mais animadas, horários e locais impróprios eram mais controlados. Hoje, os adolescentes têm maior autonomia para circular, sair à caça e para definir seus próprios limites. E esses limites tendem a ser empurrados sempre mais para a frente, para as bordas do proibido. Mas o que é proibido no ficar? Para o jovem brasileiro, que começa a vida sexual cada vez mais cedo, não é de estranhar que o ritmo e os limites do ficar andem meio nas alturas. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), publicados no relatório Comportamento Sexual da População Brasileira, de 1999, quase um terço das garotas e praticamente a metade dos garotos já tinham experimentado uma relação sexual completa antes dos 15 anos. Dados do Ministério da Saúde também revelam que mais de 20% das garotas entre 13 e 19 anos já enfrentaram uma gravidez no país. Na Holanda, esse índice é de menos de 1%. Apesar de todos os sustos e angústias que esse tipo de comportamento gera nos pais, ficar é um passo importante no longo caminho do aprendizado emocional e sexual dos adolescentes. É a partir daí que eles começam a lidar de forma mais prática com emoções, desejos, limites, concessões, tolerância e outras ferramentas tão importantes no relacionamento humano. De alguma maneira é aí que eles começam a aprender como vão agir na vida adulta. E como agir, então, com esses jovens, mais precoces sexualmente, nem sempre mais maduros emocionalmente, tentando ganhar dia após dia mais alguns centímetros na exploração do corpo do ficante? Os tempos mudaram, os limites sociais e culturais também e uma postura muito distante dessa realidade pode reduzir as possibilidades de diálogo. Dentro de casa, um papo honesto e uma conversa aberta são fundamentais. Só assim os pais conseguem traduzir suas preocupações, suas experiências, os cuidados necessários, as informações corretas e o destaque para o uso da camisinha e dos métodos anticoncepcionais. Dessa forma, na hora de ficar ou até de transar, os jovens têm uma chance maior de alimentar sua tão desejada autonomia com um pouco mais de responsabilidade e maturidade. É a chance de eles perceberem que, para garantir sua liberdade, eles têm de aprender a tomar conta dela.





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8.   Existe idade certa para começar a namorar?

 
Elas são novinhas, mal articulam as palavras direito, mas já dizem que estão “namorando”. Muitas vezes, o namoro entre as crianças é mais uma grande amizade. Uma amizade com regras diferentes.

Meninas de um lado, meninos bem longe. A divisão de sexos no pátio do colégio ou no parquinho ainda é forte. Mas há uma diferença: antes eles não se aturavam. Agora é mais comum encontrar “casais”, crianças que afirmam estar “namorando”.
“A gente brinca junto”, explica Isabela. É isso mesmo. Aos 5 anos, Dudu e Isabela vivem uma “brincadeira” com direito a muito carinho, presente no Dia dos Namorados e até trilha sonora: “A semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando...”, cantarola Dudu de mãos dadas com a namoradinha.
Na infância, o que é tido como namoro, muitas vezes não passa de uma grande amizade entre vizinhos, coleguinhas de escola. Esse namorico tem características distintas e depende da idade da garotada. Na faixa dos 5, 6 anos, por exemplo, é mais um companheirismo. Se ajudar, ficar junto, demonstrar carinho. Mas com poucos abraços e nada de beijos!

O estudante Iago dos Reis tem apenas 9 anos. Mas, pela ficha corrida do rapazinho, parece ter mais. “Eu namoro, mais ou menos, desde os 6. Só que, lá nos 6, era só mais tipo conversa. Agora, aos 9 anos, já é um pouquinho mais avançado. Um namoro avançado não é aquele tipo de adulto, aquela molequeira, toda hora beijando na boca. Além de eu ser muito pequeno, isso ainda não é pra minha idade. Eu dou abraço, vou ao cinema, dou beijo no rosto”, explica o garoto.
Iago se define como um “pegador fiel”. Em três anos foram três namoros sérios. No mínimo, sete meses com a mesma namorada. “O que tem de bom? A gente pode passar o tempo juntos, pode sair. O que tem de ruim? Como eu posso falar? É quando a gente separa. Quando não dá mais, quando acaba. Aí, fica ruim”, conta.
Namoro nessa idade é novidade para a mãe do Iago. Lourdes Maria fica de olho. “Eu oriento muito, converso com ele, aconselho e também acompanho nos estudos. Até com as coleguinhas, as ‘namoradinhas’ dele, eu acompanho”.
“Confesso que nunca chegou a atrapalhar o rendimento dele na escola. Pelo contrário. Acho até que ajuda. Ele fica mais ansioso para ir pra escola”, acrescenta Lourdes Maria.
Pelo visto, a vigilância da mãe está surtindo efeito: “a minha prioridade agora é estudar”, afirma Iago.
Quando a idade aumenta, as condições do namoro mudam. Eles confessam que na faixa dos 11, 12 anos, já rolam beijos e abraços. Na mesma turminha, casais e ex-casais contam que, em geral, intimidade mesmo só mais pra frente, depois dos 15 anos. E nada de ficar o tempo todo grudado, não!
“A gente vai para o cinema, vai para os aniversários, para o colégio mesmo. Não chega a ficar junto o tempo todo. Não muito. Mas namorar nessa idade é legal”, admite a estudante Anna Júlia Ramos.
Na escola, a orientação é não proibir, nem incentivar. “Surgiu naturalmente? Então, a gente vai conversar com os alunos, abordando o assunto dentro da faixa etária e da maturidade deles. A ideia é não estimular nem despertar a curiosidade”, explica a psicóloga e pedagoga Meriane Balbino Norberto.

Mas nem tudo está tão mudado. Aos 12 anos, Rayssa Vidal diz que é "boca virgem". Ela conta que ainda não encontrou a idade certa para começar a namorar. “Ainda não tenho essas coisas de namorar em mente. Não me sinto diferente das outras meninas por conta disso. A maioria já namora, mas eu não tenho pressa”.
“O que eu falo pra ela é que não existe a idade ideal, que esse momento é precoce, mas que no momento ideal ela vai perceber e vai ter essa liberdade. Não tem que pular etapas. Hoje ela é uma adolescente, está começando e tem muitas outras coisas que ela pode viver, sem muita aproximação, beijo. Namoro agora, não. Acho que não”, diz a administradora Marli Vidal, mãe de Rayssa.
E para quem se sente pressionada pelas amigas, vai o conselho: “Vá por si mesma. Quando você sentir que está no momento certo, vai fundo. Agora, se você não tiver certeza, não precisa ficar preocupada por conta dos amigos”, conclui Rayssa.

Dicas para os pais sobre como reagir aos namoricos dos filhos:
:: Namoricos na infância são positivos, desde que aconteçam de maneira natural, sem que a criança seja forçada a isso. São uma forma de relação afetiva, uma maneira de a criança amar e se sentir amada. Isso contribui para a autoestima. A tendência é que essa experiência se torne um registro positivo dessa fase.
:: Os pais devem ficar de olho. Nem reprimir nem incentivar, mas lidar com naturalidade. Veja se o filho não está sendo precoce ou pulando etapas. Observe e dialogue.
:: Para as crianças mais novinhas, o namorico funciona mais como uma brincadeira, o melhor amigo, o preferido para conversar, ficar por perto. Uma experiência que será importante para o desenvolvimento do indivíduo e para os futuros relacionamentos.

:: Muitas vezes, essa história de namoro na infância é uma espécie de modinha. Um menino elege uma menina como sua namoradinha, o outro também, e quando vê, a turma toda está de namorico. Mas, em pouco tempo, isso passa e todos voltam a ser amigos novamente. O importante é lidar com naturalidade.
:: Crianças mais velhas tendem a agir diferente: já pegam na mão, dão beijo no rosto, mas têm nojo e resistência ao beijo na boca. Os adolescentes beijam, mas, em geral, só partem para algo mais íntimo a partir dos 15 anos.
:: É preciso ficar atento para algum comportamento diferente nos filhos, se o namorico está interferindo na rotina da criança. Por exemplo, se o rendimento escolar cai, se a criança está sem apetite, se ela ficou tristinha, pelos cantos. Ao perceber isso, é melhor tentar conversar e entender o que está se passando. É importante ajudar no desenvolvimento do filho e não apenas reprimir.
:: Os pais também devem ficar atentos às mudanças de valores nos tempos pós-modernos. As referências da infância dos pais obviamente não são as mesmas da infância do filho. Cada geração tem os seus valores. Na hora de conversar com a criança é importante levar isso em consideração.
:: O mais importante é saber que não existe fórmula, uma idade certa para começar a namorar. Para cada criança, para cada fase da infância, a relação assume um significado. A conversa é fundamental. Dependendo do caso, vale procurar a ajuda de um profissional, como psicólogos ou pediatras.


Rita Yoshimine.







 


















 

















































































































































































































































































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