Temblante para blog







Pesquisar este blog:

IPRIMIR

Print Friendly and PDF

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

POEMA GRILO GRILADO, DE ELIAS JOSÉ


Conversando e construindo

Leia este poema:

Grilo grilado

O grilo
coitado,
anda grilado.
E eu sei
o que há.


Salta pra aqui
salta pra ali
Cri-cri pra cá
cri-cri pra lá.


O grilo
coitado,
anda grilado
e não quer contar.


No fundo
não ilude.
É só reparar
em sua atitude
pra se desconfiar.


O grilo
coitado
anda grilado
e quer um analista
e quer um doutor.


Seu grilo,
eu sei:
o seu grilo
é um grilo
de amor.


Elias José

01.    Como você viu, esse texto também brinca com o vocábulo que apresenta mais de um sentido.

a)       Quais são os significados que a palavra grilo tem no texto?

b)       Cite um trecho do texto com o sentido 1 e outro com o sentido 2:

c)       De que modo ficamos sabendo quando é um sentido ou o outro?


02.    No texto “Grilo grilado”, a palavra grilo apresentou dois sentidos diferentes. Agora, note o jogo que o poeta faz com as palavras em destaque: primeiro ele diz ao grilo (inseto) que sabe que o grilo dele (a preocupação, a chateação) é um grilo (uma dor) de amor.

Além a palavra grilo, os versos da última estrofe também brincam com o duplo sentido de outra palavra.


a)       Que palavra é essa?

b)       Quais os sentidos que ela tem nesses versos?


03.    Vamos consultar o verbete grilo no dicionário?


grilo. [Do lat. Grillus.[ S.m. 1. Zool. Inseto de coloração geralmente parda ou escura, com antena muito mais longa que o corpo. 2. Fig. Preocupação, amolação, chateação.


GRILO. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. Adaptação de Tânia Ruiz.

Você está vendo? Os dois sentidos que você percebeu estão registrados no verbete.

a)       Por que o dicionário colocou o significado de grilo como “inseto” no primeiro sentido?

b)       No segundo sentido – grilo como preocupação, chateação – aparece a abreviatura Fig. O que isso quer dizer?


CONCEITUANDO


A propriedade das palavras de apresentar muitos sentidos chama-se polissemia. Na polissemia, o sentido das palavras depende do contexto, isto é, da soma das relações entre as palavras.

Polissemia significa muitos sentidos, ou seja, as palavras podem ter muitos sentidos.  


POLI = “muitos”                             SSEMIS = “sentidos, significados”

 
TOQUE BIOGRÁFICO DO AUTOR


Elias José nasceu em Santa Cruz da Prata, distrito do município de Guaranésia, Minas Gerais, em 25 de agosto de 1936. Viveu em Guaxupé/MG com sua esposa Silvinha e seus três filhos: Iara, Lívia e Érico. Além de escritor, Elias José foi professor de Literatura Brasileira e de Teoria da Literatura na Faculdade de Filosofia de Guaxupé (FAFIG), tendo atuado também como vice-diretor, diretor e coordenador do Departamento de Letras e como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Escola Estadual Dr. Benedito Leite Ribeiro.



Começou a publicar em 1970, quando a Imprensa Oficial de Minas Gerais lançou "A Mal-Amada", uma surpreendente coleção de minicontos, com apoio de Murilo Rubião, que reunia contos publicados em suplementos literários do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Portugal. Antes disso, já tinha conquistado o segundo lugar no Concurso José Lins do Rego da Livraria José Olympio Editora, em 1968. Depois publicou "O Tempo, Camila" e o "Inquieta Viagem ao Fundo do Poço", este, ganhou o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro como Melhor Livro de Contos e, ainda, o prêmio Governador do Distrito Federal como Melhor Livro de Ficção de 1974.



Elias José tem contos e poemas traduzidos e publicados em revistas literárias e antologias de autores brasileiros no México, Argentina, Estados Unidos, Itália, Polônia, Nicarágua e Canadá. Foi, por várias vezes, selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para representar o Brasil em feiras de livros internacionais. Foi ainda jurado de vários concursos literários, ministrou cursos, oficinas e palestras, participou de vários congressos de educação, lingüística e literatura.

Faleceu aos 72 anos, vítima de complicações de uma pneumonia, enquanto curtia férias com a família, em Guarujá, no litoral paulista, no dia 02 de agosto de 2008.




FICO ASSIM SEM VOCÊ, CANÇÃO DE BUCHECHA


Fico Assim Sem Você








Composição: Claudinho e Buchecha

Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
Sou eu assim, sem você...

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim...

Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho,
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço,
Namoro sem abraço,
Sou eu assim sem você...

Tô louco prá te ver chegar
Tô louco prá te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração...

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver,
Mas o relógio tá de mal comigo...

Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta,
Romeu sem Julieta,
Sou eu assim, sem você
Carro sem estrada,
Queijo sem
goiabada,
Sou eu assim, sem você...

Você...

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim...

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas prá poder te ver,
Mas o relógio tá de mal comigo...

Por quê? Por quê?

DISCUSSÃO

Já pensou o que seria do professor sem os alunos, o que seria do médico sem os pacientes, o que seria do vendedor sem os compradores? Imagine uma dessas situações e conte para seus colegas o que aconteceria.



Certos elementos estão ligados a outros e como é difícil imaginar um sem ou outro.


Entregue aos alunos cópia da letra da canção “Fico assim sem você”, de autoria de Abdullah e Cacá Moraes.


CONSTRUINDO O SENTIDO DO TEXTO


1.        Preencha os espaços onde faltam palavras que completem a canção. Elas deverão rimar com as palavras de mesma numeração.


2.        Há alguma indicação no poema que revele o eu lírico como sendo do sexo feminino ou masculino? Qual?



3.        Escute a música e pense nas consequências do que é dito nela. Por exemplo:

Avião sem asa: Não voa, cai.

4.        Explicite, agora, as consequências desses outros fatos tirados da música:

Fogueira sem brasa:

Futebol sem bola:

Piu-piu sem Frajola:

Amor sem beijinho:

Buchecha sem Claudinho:

Circo sem palhaço:

Namoro sem amasso:

Neném sem chupeta:
Romeu sem Julieta:
Sou eu assim sem você:
Carro sem estrada:
Queijo sem goiabada:
Eu sem você:

5.        Dê a sua interpretação dos seguintes versos:

Piu-piu sem Frajola:

Buchecha sem Claudinho:

Romeu sem Julieta:


PRODUÇÃO TEXTUAL

6.        Pense em alguém que te faz ou faria falta. Pense na sua vida sem essa pessoa. Escreva um bilhete dizendo a essa pessoa como seria sua vida sem ela.


7.        Faça uma paródia explorando o lado bom da falta, ou seja, vocês deverão fazer uma nova versão da canção, mudando os versos. Para isso, deverão formar grupos e selecionarem os pares de palavras que usarão na nova canção. É importante que mantenham as rimas e a temática da música original.

Importante:  Paródia é a criação de um texto a partir de um outro conhecido, isto é, alguém utiliza a forma e rimas de um texto já conhecido para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico ou contestador, dando um novo sentido ao texto.

8.        apresentem aos colegas as canções criadas pelos grupos.

 

O SOCORRO DE MILLÔR FERNANDES


O socorro

                Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, fez-se silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova, o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: “O que é que há?”

                O coveiro então gritou, desesperado: “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível.” “Mas, coitado!” – condoeu-se o bêbado – “Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!” E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.

                Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.

Millôr Fernandes. Fábulas Fabulosas, Editora Nódica.

CONVERSANDO SOBRE O TEXTO

1)  O texto que acabamos de ler tem uma moral, qual é o tipo de texto que termina com uma moral?

2)  Explique, com suas palavras, o que você compreendeu da moral da história.

3)  Quantos personagens aparecem no texto?

4)  Qual é o mais engraçado?

5)  O texto começa com o pronome ele (pronome do caso reto – 3ª pessoa do singular), quem é ele? Como você descobriu isso?

6)  Qual era a profissão dele? Copie o trecho que fornece essa informação.

7)  Por que ele estava cavando?

8)  Identifique duas frases que demonstram o desespero do coveiro:

      (   ) “Ele foi cavando, cavando...”

      (   ) “Enrouqueceu de gritar...”

      (   ) “Cansou de esbravejar...”

      (   ) “Tem toda razão de estar com frio.”

9)  O ébrio estava plenamente consciente do que estava fazendo?

10)      O bêbado demonstrou algum interesse em resolver o problema do coveiro? Ou ficou indiferente? Explique.

11)      Dê sua opinião quanto à história:

 (   ) Trata-se de um caso frequente, normal.

 (   ) É algo impossível de acontecer.

 (   ) é algo muito difícil de acontecer.


12)      Que outro título você daria à história?

13)      A história é:

     (   ) cômica e triste.

     (   ) alegre e divertida.

14)      Por que o autor repete a palavra “cavando, cavando, cavando”?

15)      De que forma o coveiro tentou solucionar seu problema?

16)      A quem ele pediu ajuda?



17)      As expressões uns passos e uma cabeça ébria se referem a quem?

18)      O coveiro com seguiu resolver seu problema?


BIOGRAFIA DE MILLÔR FERNANDES


Nascido no bairro do Méier, Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Seja como for, gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria anos mais tarde, durante uma entrevista. A data de nascimento também não estaria correta: em vez de 27 de maio de 1924, ele teria nascido em 16 de agosto do ano anterior.

Em 1948, viajou para os Estados Unidos e conheceu Walt Disney. “Nessa época eu ainda acreditava que Disney sabia desenhar. Só mais tarde, lendo sua biografia, aprendi que até aquela assinatura bacana com que ele autentica os desenhos é criação da equipe”, provoca, na autobiografia que escreveu em seu site. No ano seguinte, Millôr assinou seu primeiro roteiro cinematográfico, “Modelo 19", e já foi logo agraciado com o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, criado na década seguinte.

O início dos anos 50 seria importante na vida do autor, tanto pessoal quanto profissionalmente. Na companhia do também escritor Fernando Sabino, fez uma viagem de carro pelo Brasil, com duração de 45 dias. Em 1952, seria a vez da Europa, por onde permaneceria quatro meses. Um ano depois, veria a estreia de sua primeira peça de teatro, "Uma mulher em três atos", no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

E foi no teatro, como dramaturgo, que Millôr mais colecionou prêmios. Como em ”Um elefante no caos”, em 1960. Anos depois, diria em seu site: “Foi transformada num excelente espetáculo pela genial direção de João Bittencourt. Uma das poucas vezes que um diretor melhorou um trabalho meu”.

Também no teatro foi um tradutor prolífico e importante. Clássicos como “Rei Lear”, de William Shakespeare, a moderna “As lágrimas amargas de Petra von Kant”, de Fassbinder, ou o musical Chorus Line, de James Kirkwood e Nicholas Dante, chegaram aos palcos brasileiros através de suas mãos. "Ao traduzir é preciso ter todo o rigor e nenhum respeito pelo original”, diria em uma entrevista.

Roteirista


Como roteirista, escreveu mais de uma dezena de textos, dentre eles o longa “Terra estrangeira”, e “Memórias de um sargento de milícias”, adaptação da obra de José Manuel de Macedo produzida pela Rede Globo de Televisão. Também roteirizou espetáculos musicais, como o musical “Liberdade liberdade”, escrito em parceria com Flávio Rangel, e “Do fundo do azul do mundo”, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio.

Recebeu uma homenagem durante o carnaval carioca de 1983, quando foi samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr, inclusive, compareceu ao desfile.

Dentre os veículos de imprensa, colaborou ainda com artigos e crônicas nos jornais “O Correio Brasiliense”, “Jornal do Brasil”, “O Estado de São Paulo”, “O Diário Popular”, “Correio da Manhã”, “O Dia”, “Folha da Manhã” e “Diário da Noite”. Para internet, criou o site “Millôr Online”, sobre o qual diria posteriormente: “Se eu soubesse o que atrai tanta gente, nunca mais faria de novo”.

E, como bom roteirista, ainda escreveria sobre a própria vida: "Meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas entidades idiotas. Meu script é original, fui eu quem fez. Por isso não morro no fim".

Seu perfil no Twitter já contava com mais de 285 mil seguidores.

O escritor carioca Millôr Fernandes morreu, às 21h, do dia 27 de março de 2012, numa terça-feira, em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel. Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, Millôr nasceu no dia 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior.

O velório foi realizado na quinta-feira (29), das 10h às 15h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Em seguida, o corpo foi cremado numa cerimônia só para a família.

Em 2011, o escritor chegou a ser internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul. Na época, a assessoria do hospital não detalhou o motivo da internação a pedido da família.


Indique este blog a um amigo.