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segunda-feira, 27 de maio de 2013

CRÔNICAS PARA O 7º ANO

1. A última crônica 

Fernando Sabino


          A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. 
         Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. 
        Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. 
         São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. 
        Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso." 


2. A Bola 
Luiz Fernando Veríssimo 


O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. 
Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. 
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa. 
- Como é que liga? - perguntou. 
- Como, como é que liga? Não se liga. 
O garoto procurou dentro do papel de embrulho. 
- Não tem manual de instrução? 
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros. 
- Não precisa manual de instrução. 
- O que é que ela faz? 
- Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela. 
- O quê? 
- Controla, chuta... 
- Ah, então é uma bola. 
- Claro que é uma bola. 
- Uma bola, bola. Uma bola mesmo. 
- Você pensou que fosse o quê? 
- Nada, não. 
O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. 
O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto. 
- Filho, olha. 
O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar. 


3. Estragou a televisão!!! 
Luiz Fernando Veríssimo 

-- Iiiih... 
-- E agora? 
-- Vamos ter que conversar. 
-- Vamos ter que o quê? 
-- Conversar. É quando um fala com o outro. 
-- Fala o quê? 
-- Qualquer coisa. Bobagem. 
-- Perder tempo com bobagem? 
-- E a televisão, o que é? 
-- Sim, mas aí é a bobagem dos outros. A gente só assiste. Um falar com o outro, assim, ao vivo... Sei não... 
-- Vamos ter que improvisar nossa própria bobagem. 
-- Então começa você. 
-- Gostei do seu cabelo assim. 
-- Ele está assim há meses, Eduardo. Você é que não tinha... 
-- Geraldo. 
-- Hein? 
-- Geraldo. Meu nome não é Eduardo, é Geraldo. 
-- Desde quando? 
-- Desde o batismo. 
-- Espera um pouquinho. O homem com quem eu casei se chamava Eduardo. 
-- Eu me chamo Geraldo, Maria Ester. 
-- Geraldo Maria Ester?! 
-- Não, só Geraldo. Maria Ester é o seu nome. 
-- Não é não. 
-- Como, não é não? 
-- Meu nome é Valdusa. 
-- Você enlouqueceu, Maria Ester? 
-- Pelo amor de Deus, Eduardo... 
-- Geraldo. 
-- Pelo amor de Deus, meu nome sempre foi Valdusa. Dusinha, você não se lembra? 
-- Eu nunca conheci nenhuma Valdusa. Como é que eu posso estar casado com uma mulher que eu nunca... Espera. Valdusa. Não era a mulher do, do... Um de bigode...
-- Eduardo. 
-- Eduardo! 
-- Exatamente. Eduardo. Você. 
-- Meu nome é Geraldo, Maria Ester. 
-- Valdusa. E, pensando bem, que fim levou o seu bigode? 
-- Eu nunca usei bigode! 
-- Você é que está querendo me enlouquecer, Eduardo. 
-- Calma. Vamos com calma. 
-- Se isso for alguma brincadeira sua... 
-- Um de nós está maluco. Isso é certo. 
-- Vamos recapitular. Quando foi que casamos? 
-- Foi no dia, no dia... 
-- Arrá! Tá aí. Você sempre esqueceu o dia do nosso casamento... Prova de que você é o Eduardo e a maluca não sou eu. 
-- E o bigode? Como é que você explica o bigode? 
-- Fácil. Você raspou. 
-- Eu nunca tive bigode, Maria Ester! 
-- Valdusa! 
-- Tá bom. Calma. Vamos tentar ser racionais. Digamos que o seu nome seja mesmo Valdusa. Você conhece alguma Maria Ester?
-- Deixa eu pensar. Maria Ester... Nós não tivemos uma vizinha chamada Maria Ester? 
-- A única vizinha de que eu me lembro é a tal de Valdusa. 
-- Maria Ester. Claro. Agora me lembrei. E o nome do marido dela era... Jesus! 
-- O marido se chamava Jesus? 
-- Não. O marido se chamava Geraldo. 
-- Geraldo... 
-- É. 
-- Era eu. Ainda sou eu. 
-- Parece... 
-- Como foi que isso aconteceu? 
-- As casas geminadas, lembra? 
-- A rotina de todos os dias... 
-- Marido chega em casa cansado, marido e mulher mal se olham... 
-- Um dia marido cansado erra de porta, mulher nem nota... 
-- Há quanto tempo vocês se mudaram daqui? 
-- Nós nunca nos mudamos. Você e o Eduardo é que se mudaram. 
-- Eu e o Eduardo, não. A Maria Ester e o Eduardo. 
-- É mesmo... 
-- Será que eles já se deram conta? 
-- Só se a televisão deles também quebrou. 


4. TELEVISÃO PARA DOIS
Fernando Sabino


        Ao chegar ele via uma luz que se coava por baixo da porta para o corredor às escuras. Era enfiar a chave na fechadura e a luz se apagava. Na sala, punha a mão na televisão, só para se certificar: quente, como desconfiava. Às vezes ainda pressentia movimento na cozinha:
 - Etelvina, é você?
 A preta aparecia, esfregando os olhos:
 - Ouvi o senhor chegar... Quer um cafezinho?
 Um dia ele abriu o jogo:
 - Se você quiser ver televisão quando eu não estou em casa, pode ver à vontade.
 - Não precisa não, doutor. Não gosto de televisão.
 - E eu muito menos.
 Solteirão, morando sozinho, pouco parava em casa. A pobre da cozinheira metida lá no seu quarto o dia interiro, sozinha também, sem ter muito que fazer...
 Mas a verdade é que ele curtia o seu futebolzinho aos domingos, o noticiário todas as noites e mesmo um ou outro capítulo da novela, “só para fazer sono”, como costumava dizer:
 - Tenho horror de televisão.
 Um dia Etelvina acabou concordando:
 - Já que o senhor não se incomoda...
 Não sabia que ia se arrepender tão cedo: ao chegar da rua, a luz azulada sob a porta já não se apagava quando introduzia a chave na fechadura. A princípio ela ainda se erguia da ponta do sofá onde ousava se sentar muito erecta:
 -Quer que eu desligue, doutor?
 Com o tempo, ela foi deixando de se incomodar quando o patrão entrava, mal percebia a sua chegada. E ele ia se refugiar no quarto, a que se reduzira seu espaço útil dentro de casa. Se precisava vir até a sala para apanhar um livro, mal ousava acender a luz:
 -Com licença... 
 Nem ao menos tinha mais liberdade de circular pelo apartamento em trajes menores, que era o que lhe restava de comodidade, na solidão em que vivia: a cozinheira lá na sala a noite toda, olhos pregados na televisão. Pouco a pouco ela se punha cada vez mais à vontade, já derreada no sofá, e se dando mesmo ao direito de só servir o jantar depois da novela das oito. Às vezes ele vinha para casa mais cedo, especialmente para ver determinado programa que lhe haviam recomendado, ficava sem jeito de estar ali olhando ao lado dela, sentados os dois como amiguinhos. Muito menos ousaria perturbá-la, mudando o canal, se o que lhe interessava estivesse sendo mostrado em outra estação.
 A solução do problema lhe surgiu um dia, quando alguém, muito espantado que ele não tivesse televisão em cores, sugeriu-lhe que comprasse uma.
 - Etelvina, pode levar essa televisão lá para o seu quarto, que hoje vai chegar outra para mim.
 - Não precisava, doutor – disse ela, mostrando os dentes, toda feliz.
 Ele passou a ver tranquilamente o que quisesse na sua sala, em cores e, o que era melhor, de cuecas – quando não inteiramente nu, se bem o desejasse.
 Até que uma noite teve a surpresa de ver luz por debaixo da porta, ao chegar. Nem bem entrara e já não havia ninguém na sala, como antes – a televisão ainda quente. Foi à cozinha a pretexto de beber um copo d´água, esticou um olho lá para o quarto na área: a luz azulada, a preta entretida com a televisão certamente recém-ligada.
 - Não pensa que me engana, minha velha – resmungou ele.
 Aquilo se repetiu algumas vezes, antes que ele resolvesse acabar com o abuso: afinal, ela já tinha a dela, que diabo. Entrou uma noite de supetão e flagrou a cozinheira às gargalhadas com um programa humorístico.
 -Qual é, Etelvina? A sua quebrou?
 Ela não teve jeito senão confessar, com um sorriso encabulado:
 -Colorido é tão mais bonito...
 Desde então a dúvida se instalou no seu espírito: não sabe se despede a empregada, se lhe confia o novo aparelho e traz de volta para a sala o antigo, se deixa que ela assista a seu lado aos programas em cores. 
 O que significa praticamente casar-se com ela, pois, segundo a mais nova concepção de casamento, a verdadeira felicidade conjugal consiste em ver televisão a dois.

 



CRÔNICAS "PAI NÃO ENTENDE NADA" E "PNEU FURADO"

Leia, a seguir, uma pequena crônica de Luis Fernando Verissimo. Depois, responda às questões.

Pai não entende nada

_ Um biquíni novo?
_ É, pai.
_ Você comprou um no ano passado!
_ Não serve mais, pai. Eu cresci.
_ Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.
_ Não serve, pai.
_ Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compra um biquíni maior.
_ Maior não, pai. Menor.
Aquele pai, também, não entendia nada.

(Luis Fernando Veríssimo)


CONSTRUINDO O SENTIDO DA CRÔNICA


1.       Que pedido a garota fez ao pai?
2.       O que ela pretende exatamente com tal pedido?
3.       Veja a resposta da menina à afirmação, feita pelo pai, de que havia comprado um biquíni no ano interior:
_ Não serve mais, pai. Eu cresci.

a)       Como o pai entendeu essa fala da filha?
b)       E o que a filha quis dizer com essa fala?

4.       Seria possível dizer que houve entre os dois um mal-entendido? Por quê?
5.       Por que no final do texto o narrador afirma “Aquele pai, também, não entendia nada”? Preste atenção no sentido que as palavras destacadas dão ao enunciado, levando em conta o título da crônica, Pai não entende nada.

6.       O trecho transmite uma mensagem? Qual?

  “Aquele pai, também, não entendia nada”

7.     Leia a crônica a seguir, também de Luis Fernando Verissimo.

PNEU FURADO

O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.
Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo
"Pode deixar". Ele trocaria o pneu.
- Você tem macaco? - perguntou o homem.
- Não - respondeu a moça.
- Tudo bem, eu tenho - disse o homem - Você tem estepe?
- Não - disse a moça.
- Vamos usar o meu - disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça.
Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
Dali a pouco chegou o dono do carro.
- Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
- É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.
- Coisa estranha.
- É uma compulsão. Sei lá.


(Luis Fernando Veríssimo)




sexta-feira, 24 de maio de 2013

ATIVIDADE DE CRIAÇÃO A PARTIR DA LEITURA (CRIATIVIDADE)





Nome:
Título:
Autor (a) ou Coleção:


6. Esta ficha é especial! Faça nela o que tiver vontade! Vale desenhar, escrever, fazer dobraduras, colagens, enfim, algo que sirva para registrar com muita criatividade e capricho a história do livro que você leu.


Boa leitura!!!





sábado, 18 de maio de 2013

ATIVIDADE DE CRIAÇÃO A PARTIR DA LEITURA (ESCRITA - GÊNERO TEXTUAL - RESUMO)

 

5. Atividade de leitura


Título do livro:
Autor (a):
Editora:
Edição:
Ilustrador (a):
Número de páginas:


Escreva, com suas palavras, um resumo da história e dê sua opinião.

Boa leitura!!!




VI - ESTUDOS GRAMATICAIS - NÚMERO DO SUBSTANTIVO

NÚMERO – é a flexão do substantivo que exprime a quantidade de seres que ele nomeia. Existem dois números: singular e plural.

Singular
Plural
      O substantivo está no singular quando nomeia apenas um ser (ex.: carro) ou um único conjunto de seres, considerando como todo (ex.: turma).
      O substantivo está no plural quando nomeia mais de um ser (ex.: carros) ou mais de um conjunto de seres (ex.: turmas).

FORMAÇÃO DO PLURAL

a.  Plural dos substantivos simples

A formação do plural dos substantivos simples depende de sua terminação no singular. No quadro a seguir são apresentadas as regras dessa formação.

Substantivo terminado em
forma o plural assim
Exemplos
Exceções
vogal
ou
ditongo
+ s
    muro → muros
troféu → troféus
___
ão
+ s
- ão + ões
- ão + ães
irmão → irmãos
decisão → decisões
pão pães
(ver obs. a seguir)
r, z
+ es
pomar → pomares
matriz → matrizes
caráter → caracteres
m
- m + ns
Álbum → álbuns
___
s
+ es
(em oxítonas e monossílabos)
invariável se não for oxítona
(paroxítona e proparoxítonas – ficam invariáveis)
gás →gases
mês →meses
país→países
freguês → fregueses
       
tênis → tênis
ônibus →ônibus
pires → pires
lápis → lápis
o cais → os cais
al
el
ol
ul
- l + is
pardal → pardais
anel → anéis
farol → faróis
paul→ pauis
mal → males
___
___
cônsul → cônsules
il
- l + s
(em oxítonas)
- Il + eis
(em paroxítonas)
funil → funis
réptil → répteis
___
n
+ s
pólen → polens
___
x
(não muda)
tórax → tórax
___


Observação: Alguns substantivos terminados em → ão têm mais de uma forma de plural. Ex.:

alazão (alazões, alazães) ; ancião (anciões, anciães, anciãos); corrimão (corrimãos, corrimões);

sultão ( sultões, sultães, sultãos); verão ( verões, verãos); anão (anões, anãos).

b.      Plural dos substantivos compostos

Há substantivos compostos que são grafados sem hífen (ex.: pontapé, girassol); outros apresentam hífen (ex.: obra-prima, quarta-feira).

O plural dos compostos sem hífen é feito segundo as mesmas regras que se aplicam aos substantivos simples. Exemplos:

pontapé → pontapés

girassol → girassóis

O plural dos compostos com hífen obedece a algumas regras específicas, que veremos a seguir.

Regra geral

        O plural de um substantivo composto é a reunião das de plural das palavras que o constituem.

Exemplos:

cartão-postal       cartão → cartões            → cartões-postais

                               postal → postais      

padre-nosso          padre → padres            → padres-nossos

                                nosso → nossos    


             quarta-feira          quarta → quartas           → quartas-feiras

                                               feira → feiras

               

Na formação do plural do substantivo composto, palavras que não têm plural evidentemente permanecem com a mesma forma do singular. Exemplo:


sempre-viva             sempre → não tem plural   → sempre-vivas

                                  viva → vivas


Complementos à regra geral

1º Compostos em que o 2º elemento expressa finalidade ou semelhança

Nesse caso, o substantivo composto admite duas formas de plural:

• aplicando a regra geral;

• flexionando somente o 1º elemento.

Exemplos:

▪ peixe-boi (“boi” expressa uma semelhança do “peixe”)


peixe-boi    peixes-bois (usando a regra geral)

                     peixes-boi (flexionando só o 1º elemento)


• navio-escola (“escola” indica a finalidade do “navio”)

navio-escola    navios-escolas (usando a regra geral)

                           navios-escola (flexionando só o 1º elemento) 

2º Compostos em que aparece preposição entre dois substantivos

Nesse tipo de substantivo composto só o 1º elemento vai para o plural. Exemplos:

Pé de moleque → pés de moleque

Mula sem cabeça → mulas sem cabeça

3º Compostos em que aparece verbo

• Verbo + outra palavra → o verbo fica no singular. Exemplo:


guarda-chuva       guarda (v.)               → guarda-chuvas

                               chuva → chuvas


• Verbo repetido → plural nos dois ou só no 2º elemento. Exemplos:

Corre-corre  → corres-corres ou corre-corres

Pega-pega → pegas-pegas ou pega-pegas

Verbos contrários → os dois continuam no singular. Exemplo:

o ganha-perde → os ganha-perde

4º Compostos formados por onomatopeia

Quando o substantivo se formou pela tentativa de imitação de sons (onomatopeia), só o último elemento vai para o plural. Exemplos:

tico-tico → tico-ticos

tique-taque → tique-taques

bem-te-vi → bem-te-vis



ESTUDOS GRAMATICAIS
ATIVIDADES
Número do substantivo simples

1.      Passe para o plural:


líder _____________________
órfão_____________________
funil _____________________
túnel _____________________
general ___________________
cardeal ___________________
gás ______________________
mês _____________________
país _____________________
tênis _____________________
ônibus ____________________
pires _____________________
lápis  _____________________
álcool _____________________
fóssil _____________________
faquir _____________________
nariz _____________________
noz _____________________
álbum ___________________
nuvem ___________________
som _____________________
jovem ___________________
sol _____________________
pão _____________________
cão _____________________
cor _____________________
fim _____________________
cidadão __________________
verão ____________________
anão _____________________
bênção ___________________
órgão ____________________
xérox ____________________
tórax _____________________

2.      Passe estas expressões para o plural:


a)      A inesquecível canção. ___________________________________________________


b)     O inigualável espião. _____________________________________________________


c)      O inútil lampião. _____________________________________________________


d)     O agradável mamão. _____________________________________________________


e)      O encantador órgão. ____________________________________________________


f)       O respeitável cidadão. __________________________________________________

g)      O útil cão. _____________________________________________________


h)     O volúvel capitão. _______________________________________________________


i)        A indispensável mão. ____________________________________________________

j)        O amável irmão. ____________________________________________________



3.       Completa os espaços em branco, selecionando as palavras destacadas no retângulo e colocando-as no plural de modo a que a frase faça sentido:

Coleção, Estação, Sessão, Verão, Colisão, Exposição, Ação, Anão, População



a) Todos os __________ eu costumo ir passar férias ao Algarve.
b) As __________ de Metro estão cada vez mais modernizadas.
c) O excesso de velocidade é a causa de muitas __________ na autoestrada.
d) No Centro Cultural de Belém estão a decorrer várias __________ .
e) Os __________ costumam trabalhar em circos.
f) No Interior as __________ estão cada vez mais envelhecidas.
g) As __________ de Moda dos estilistas mudam consoante a Estação.
h) As __________ da Sonae estão em alta.
i) O João gosta de assistir às __________ de cinema mais tardias


4.      Passe os substantivos destacados para o plural, fazendo as concordâncias necessárias:


a)      A população ribeirinha será vacinada por jovem e competente profissional.


b)     A recomendação do embaixador não foi seguida pelo general e pelo aviador.


c)      O cirurgião não aceitará reclamação posterior.


d)     O cartaz foi afixado pelo morador no armazém.


e)      O país devedor não aceitará a condição imposta pelo país credor.


f)       O repórter que viajava no avião documentou o acidente.


g)      Maior será o temor do coronel quando souber do plano do capitão.


h)      O treinador e o preparador físico do clube darão a instrução ao jogador.


i)        O local será vistoriado pelo policial por ordem do preocupado major.


j)        O escrivão alemão abriu processo contra o folião e o espião.

5. Continue indicando, no plural, os substantivos correspondentes aos verbos:


afirmar -    afirmações
declarar
eleger
internar
manifestar
operar
produzir
reclamar
saudar
devolver
expulsar
invadir
observar
prever
publicar
restitui
solucionar







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