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sábado, 16 de junho de 2012

O DIAMANTE - CRÔNICA DE FERNANDO SABINO E ESTUDO DO SUBSTANTIVO

O diamante

Em 1933 Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraia a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.
Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira de caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.
Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino de tornou empregado:
— Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.
Jovelino reuniu a família e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43.
— Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando, Até que um dia...
Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.
E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:
— Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...
— Encontrou? — perguntei, já aflito.
— Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.
O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho.

Fernando Sabino. Deixa o Alfredo Falar! Rio de Janeiro, Record, 1979.

LENDO E CONVERSANDO

1.  Observe esse texto. Identifique o que está escrito no título. Veja o nome do autor apresentado no final do texto. Você já leu outras histórias que ele escreveu? Veja o nome do livro de onde ele foi tirado. De que assunto trata Escreva sobre isso. Anote as informações abaixo:

Nome do livro:
Título do texto:
Gênero textual:
Nome do autor:
Editora:                      Local:                                     
Edição:                        Data:

2. O que o texto conta?

3. Quem é a personagem principal da história?
a.        Quais suas características?

4. Onde se passa a história?
a.  Descreva o ambiente onde vive a personagem.

5. Observe o último parágrafo da crônica:

“O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho.”
O que aconteceu no final da história?


COMPREENDENDO O TEXTO

6.       No início do texto, o autor afirma, em outras palavras, que:
A (    ) Jovelino reuniu a família e foi-se embora para Goiás.
B (    ) Jovelino não conseguia sustentar a família.
C (    ) Jovelino morava em Goiás.
D (    )Jovelino era um retirante.

7.       Jovelino pôs o pé na estrada porque:
A (    ) Anápolis atraía a cobiça dos garimpeiros;
B (    ) queria tornar-se um retirante;
C (    ) precisava trabalhar para sustentar a família;
D (    ) a Bahia era uma terra muito hostil.

8.       “... depois de muitas luas” significa:
A (    ) muita claridade
B (    ) muito tempo
C (    ) distraído
D (    ) muitos meses

9. Em “Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem (...)”,
subentende-se:
A (    ) que Jovelino e a família gostavam de conhecer terras;
B (    ) que Jovelino e a família eram nômades;
C (    ) que Jovelino e a família eram viajantes;
D (    ) que Jovelino e a família não conseguiam estabelecer-se num
só lugar.

10.   Jovelino e a família, ao saírem do interior da Bahia:
A (    ) estabeleceram-se em Goiás;
B (    ) cavando a terra, encontraram diamantes;
C (    ) continuaram a passar fome;
D (    ) meteram o pé na estrada, minguados de fome.

11.   “Anápolis atraía a cobiça dos garimpeiros”, pois:
A (    ) eles chegavam de tudo que era parte;
B (    ) era a nova terra da promissão;
C (    ) lá havia muitos diamantes;
D (    ) a família de Jovelino precisava trabalhar.

12.   No texto, há alguns exemplos de:
A (    ) substantivos sobrecomuns.
B (    ) substantivos abstratos.
C (    ) substantivos compostos.
D (    ) substantivos próprios.

13. “Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem”, nos dá ideia
de:
A (    ) mudança de lugar e mudança de tempo.
B (    ) mudança de rumo e mudança de lugar.
C (    ) mudança de lugar e passagem de tempo.
D (    ) passagem de tempo e de lugar.

14. Jovelino partiu para Goiás:
A (    ) sozinho.
B (    ) com a família toda.
B (    ) com a mulher.
D (    )com os filhos.

15. “Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia”. A
expressão grifada funciona como:
A (    ) um vocativo
B (    ) um aposto
C (    ) um complemento nominal
D (    ) um adjunto adnominal

16. Em “Vai daí, Jovelino chegou aos arredores de Anápolis
depois de muitas luas e ali se estabeleceu”, a palavra grifada é:
A (    ) aposto
B (    ) vocativo
C (    ) sujeito
D (    ) predicativo

ESTUDOS GRAMATICAIS

Atente para algumas palavras desse texto:

Jovelino → nome de pessoa
Goiás⁄Anápolis → nomes de lugares
sustento ⁄promissão→  nomes de ações
enxada → nome de objeto
ano → nome de um período de tempo
fome → nome de uma sensação física
cobiça → nome de um sentimento


17. Todas essas palavras são: _________________________________.

18. Observe o modelo e classifique os substantivos destacados com estes critérios: comum ou próprio, concreto ou abstrato, primitivo ou derivado, simples ou composto. Marque as colunas com suas classificações.

Loteria dos substantivos


Simples
Composto
Comum
Próprio
Primitivo
Derivado
Abstrato
Concreto
Coletivo
Garimpagens
X

X


X
X


Jovelino









Enxada









Olhar









Esperança









Diamante









Turma









Pedreiro









Passatempo












Beijo: 8

















































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