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domingo, 15 de abril de 2012

LEITURA DO GÊNERO TEXTUAL - FÁBULA

❶ A CORUJA E A ÁGUIA


Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram fazer as pazes.
— Basta de guerra — disse a coruja.
—O mundo é tão grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.
— Perfeitamente — respondeu a águia.
— Também eu não quero outra coisa.
— Nesse caso combinemos isto: de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.
— Muito bem. Mas como posso distinguir os teus filhotes?
— Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.
— Está feito! — concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três mostrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.
— Horríveis bichos! — disse ela. — Vê-se logo que não são os filhos da coruja.
E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca, a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.
— Quê? — disse esta, admirada. Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos? Pois, olha, não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste...
Moral da história: Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai. Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.


Autor: Monteiro Lobato


❷A CIGARRA E AS FORMIGAS


Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham ficado completamente molhados. De repente, apareceu uma cigarra:
— Por favor, formiguinhas, me dêem um pouquinho de trigo! Estou com uma fome danada, acho que vou morrer.
As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípios delas, e perguntaram:
— Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por acaso não se lembrou de guardar comida para o inverno?
— Para falar a verdade, não tive tempo — respondeu a cigarra. — Passei o verão cantando!
— Bom. Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando? — disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dando risada.

❸A RAPOSA E O CORVO

O corvo conseguiu arranjar um pedaço de queijo em algum lugar. Saiu voando, com o queijo no bico, até pousar numa árvore
Quando viu o queijo, a raposa resolveu se apoderar dele. Chegou ao pé da árvore e começou a bajular o corvo:
— Ó senhor corvo! O senhor é certamente o mais belo dos animais! Se souber cantar tão bem quanto a sua plumagem linda, não haverá ave que possa se comparar ao senhor.
Acreditando nos elogios, o corvo pôs-se imediatamente a cantar para mostrar sua linda voz. Mas, ao abrir o bico, deixou cair o queijo.
Mais que depressa, a raposa abocanhou o queijo e foi embora.

❹O LOBO E O CORDEIRO

Certa vez, um lobo estava bebendo água num riacho. Um cordeirinho chegou e também começou a beber, um pouco mais para baixo.
O lobo arreganhou os dentes e disse ao cordeiro:
- Como é que você tem a ousadia de vir sujar a água que estou bebendo?
- Como sujar? – respondeu o cordeiro – A água corre daí para cá, logo eu não posso estar sujando sua água.
- Não me responda! – tornou furioso. –Pois sei que você estragou o meu pasto – replicou o lobo sem perder o rebolado.
- Como é que posso ter estragado seu pasto, se nem dentes eu tenho? – respondeu o humilde cordeiro.
- Além disso – rosnou o lobo – fiquei sabendo que você andou falando mal de mim há um ano.
- Como poderia falar mal do senhor há um ano, se sequer completei um ano?
O lobo, não tendo mais como culpar o cordeiro, usou sua razão de animal esfomeado e não disse mais nada: pulou sobre o pescoço do pobre animalzinho e o devorou.
Moral da história: Contra a força não há argumentos.

❺O URSO E AS ABELHAS

Um urso topou com uma árvore caída que servia de depósito de mel para um enxame de abelhas. Começou a farejar o tronco quando uma das abelhas do enxame voltou do campo de trevos. Adivinhando o que ele queria, deu uma picada daquelas no urso e depois desapareceu no buraco do tronco. O urso ficou louco de raiva e se pôs a arranhar o tronco com as garras na esperança de destruir o ninho. A única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele. O urso fugiu a toda velocidade e só se salvou porque mergulhou de cabeça num lago.

Moral: Mais vale suportar um só ferimento em silêncio que perder o controle e acabar todo machucado.



❻ A GANSA DOS OVOS DE OURO

Um homem e sua mulher tinham a sorte de possuir uma gansa que todos os dias punha um ovo de ouro. Mesmo com toda essa sorte, eles acharam que estavam enriquecendo muito devagar, que assim não dava...
Imaginando que a gansa devia ser de ouro por dentro, resolveram matá-la e pegar aquela fortuna toda de uma vez. Só que, quando abriram a barriga da gansa, viram que por dentro ela era igualzinha a todas as outras.
Foi assim que os dois não ficaram ricos de uma vez só, como tinham imaginado, nem puderam continuar recebendo o ovo de ouro que todos os dias aumentava um pouquinho a sua fortuna.
Não tente forçar demais a sorte.

❼O LOBO E O BURRO

Um burro estava comendo, quando viu um lobo escondido espiando tudo que ele fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano para salvar a sua pele. Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho pontudo.
— Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata! Se você não tirar, ele vai espetar sua garganta, quando você me engolir.
O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso. Quando o burro levantou a pata, ele começou a procurar o espinho com todo cuidado. Nesse momento, o burro deu o maior coice de sua vida e acabou com a alegria do lobo.
Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para longe dali.
Cuidado com os favores inesperados.

❽O LEÃO E O MOSQUITO

Um leão ficou com raiva de um mosquito que não parava de zumbir ao redor de sua cabeça, mas o mosquito não deu a mínima.
— Você está achando que vou ficar com medo de você, só porque você pensa que é rei? — disse ele altivo e, em seguida, voou para o leão e deu uma picada no seu focinho.
Indignado, o leão deu uma patada no mosquito, mas a única coisa que conseguiu foi arranhar-se com as próprias garras.
O mosquito continuou picando o leão, que começou a urrar como um louco.
No fim, exausto, enfurecido e coberto de feridas provocadas por seus próprios dentes e garras, o leão se rendeu. O mosquito foi embora zumbindo, para contar a todo mundo que tinha vencido o leão, mas entrou direto numa teia de aranha. Ali, o vencedor do rei dos animais encontrou seu triste fim, comido por uma aranha minúscula.
Muitas vezes, o menor de nossos inimigos é o mais terrível.


❾O LOBO E O CÃO

Certo dia, um Lobo só pele e osso encontrou um cão gordo, forte e com o pêlo muito lustroso. Via-se bem que não passava fome. O Lobo, admirado, quis saber onde é que ele conseguia obter tanta comida.

- Se me seguires, ficarás tão forte como eu - respondeu o cão. - O homem dar-te-á restos saborosos.

- Mas o que preciso de fazer em troca? - quis saber o Lobo.

- Muito pouco, na verdade - respondeu o Cão. - Uivar aos intrusos, agradar ao dono e adular os seus amigos. Só por isto receberás carne e outras iguarias muito bem cozinhadas. De vez em quando, receberás também festas no dorso.

O Lobo ficou encantado com a ideia e meteram-se ambos ao caminho. A dada altura, o Lobo reparou que o cão tinha o pescoço esfolado.

- O que tens no pescoço? - perguntou.

- Nada de grave. É da argola com que me prendem - explicou o Cão.

- Preso? Então não podes correr quando queres? - exclamou o Lobo. - Esse é um preço demasiado elevado: não troco a minha liberdade por toda a comida do mundo.

Dito isto, desatou a correr o mais depressa que pode para bem longe dali.

Moral da história:
A tua liberdade não tem preço.


A GALINHA DOS OVOS DE OURO

Tinha certa velha uma galinha que lhe punha ovos de ouro; e bem que raros fossem, davam‐lhe para viver em abastança. Um seu afilhado continuamente lhe dizia: "Como pode minha madrinha esperar pelos ovos desta galinha? Se põe ovos de ouro, é por certo toda de ouro; matemo‐la. A velha por fim cedeu. Morta a galinha, era por dentro como todas as galinhas.

MORALIDADE:  Contentemo‐nos, agradecidos, com os presentes que Deus nos dá no tempo e nos períodos que sua sabedoria entende convenientes.


O LEÃO VELHO

De velho e enfermo jazia moribundo um leão que, em moço, havia sido o terror das brenhas. Apareceu um javali, e, para vingar‐se da antiga injúria, deu‐lhe com o focinho, e foi‐se; após o javali veio um touro; seguiram‐se outros animais e cada qual se desforrava a seu modo. O leão sofria calado. Veio por fim um burro, e deu‐lhe um coice: o leão não pode conter‐se : Até aqui sofri resignado, disse, e a quantos insultos recebia opunha a lembrança do. que tinha sido outrora, quando até do meu rugido todos esses tremiam; mas agora tu também, tu miserável burro!... Isto é morrer duas vezes!

MORALIDADE: Quando a desgraça acomete um homem, não falta quem venha com ele ajustar contas: o homem nobre e infeliz tudo sofre resignado; há porém burro tão burro e tão vil, que torna impossível a resignação.


⓬A RAPOSA E AS UVAS

Uma Raposa, morta de fome, viu ao passar, penduradas nas grades de uma viçosa videira, alguns cachos de Uvas negras e maduras.

Ela então usou de todos os seus dotes e artifícios para pegá-las, mas como estavam fora do seu alcance, acabou se cansando em vão, e nada conseguiu.

Por fim deu meia volta e foi embora, e consolando a si mesma, meio desapontada disse:

Olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão todas estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio.
Moral da História: Ao não reconhecer e aceitar as próprias limitações, o vaidoso abre assim o caminho para sua infelicidade.
Autor: Esopo

O LEÃO E A RAPOSA.

Deu‐se por doente um leão; foram‐no cortejar os animais; quantos, porém, entravam na cova, lá ficavam. Chegou, enfim, a raposa; mas, parando na porta, perguntou como estava o enfermo. Entre, disse‐lhe a leoa enfermeira. ‐ Nada é necessário, tornou a raposa; a casa deve estar cheia de gente: pois vejo no chão muitas pegadas de quem entra, e nenhuma de quem sai; tantas visitas hão de muito incomodar ao enfermo.

MORALIDADE: Quem olhar para as pegadas dos que o tiverem precedido; evitará muitas desgraças.


A Lebre e a Tartaruga

Um dia, uma Lebre caçou das pequenas pernas e da lentidão da Tartaruga. A Tartaruga A sorriu e disse: "Pensa você ser veloz como o vento; Mas Eu a venceria numa corrida." A Lebre claro considerou sua afirmação algo impossível, e concordou o desafio. Chamaram então a Raposa, para servir de juiz, escolher o trajeto e o ponto de chegada.

E no dia marcado, do ponto inicial, partiram juntos. A Tartaruga, com seu passo lento, mas firme, decidida, em momento algum, parou de caminhar.

Mas a Lebre, confiante de sua velocidade, despreocupada com a corrida, deitou à margem da estrada para um rápido cochilo. Ao acordar, embora corresse o mais rápido que pudesse, não mais conseguiu alcançar a Tartaruga, que já atravessava a linha de chegada, e agora descansava tranqüila num canto.


Moral da História: Ao trabalhador que realiza seu trabalho com zelo e persistência, sempre o êxito será o seu quinhão
Autor: Esopo
⓯O Leão e o Rato
Um Leão dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo sobre seu rosto. Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para matá-lo, ao que o Rato suplicou:

Ora, se o senhor me poupasse, tenho certeza que um dia poderia retribuir sua bondade. Rindo por achar rídícula a idéia, assim mesmo, ele resolveu libertá-lo.

Aconteceu que, pouco tempo depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por caçadores. Preso ao chão, amarrado por fortes cordas, sequer podia mexer-se.

O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até deixá-lo livre. Então disse:

O senhor riu da simples idéia de que eu seria capaz, um dia, de retribuir seu favor. Mas agora sabe, que mesmo um pequeno Rato é capaz de fazer um favor a um poderoso Leão.

Moral da História: Nenhum ato gentileza é coisa vã. Não podemos julgar a importância de um favor, pela aparência do benfeitor.
Autor: Esopo
⓰A cabra e o asno

Uma cabra e um asno comiam ao mesmo tempo no estábulo. A cabra começou a invejar o asno porque acreditava que ele estava melhor alimentado, e lhe disse:
- Tua vida é um tormento inacabável. Finge um ataque e deixa-te cair num fosso para que te deem umas férias.
Aceitou o asno o conselho, e deixando-se cair, machucou todo o corpo.
Vendo-o, o amo chamou o veterinário e pediu um remédio para o pobre. Prescreveu o curandeiro que o asno necessitava de uma infusão com o pulmão de uma cabra, pois era muito eficiente para devolver o vigor. Para isso então degolaram a cabra e assim curaram o asno.


Moral da Estória: Em todo plano de maldade, a vítima principal sempre é seu próprio criador.
Autor: Esopo

O cão e a carne

Ia um cão atravessando um rio; levava na boca um bom pedaço de carne. No fundo da água viu a sombra da carne; era muito maior. Cobiçoso, soltou a que tinha na boca para agarrar na outra; por mais, porém, que mergulhasse, ficou logrado.

MORALIDADE ‐ Nunca deixes o certo pelo duvidoso. De todas as fraquezas humanas a cobiça é a mais comum, e, é, todavia, a mais castigada.


⓲OS VIAJANTES E O URSO

Dois homens viajavam juntos, quando, de repente, surgiu um urso de dentro da floresta e parou diante deles, urrando. Um dos homens tratou de subir na árvore mais próxima e agarrar-se aos ramos. O outro, vendo que não tinha tempo para esconder-se, deitou no chão, esticado, fingindo de morto, porque ouvira dizer que os ursos não tocam em homens mortos.
O urso aproximou-se, cheirou o homem deitado e voltou para a floresta.
Quando a fera desapareceu, o homem da árvore desceu apressadamente e disse ao companheiro:
— Vi o urso a dizer alguma coisa no teu ouvido. Que foi que ele disse?
— Disse que eu nunca viajasse com um medroso.
Na hora do perigo é que se conhecem os amigos.

⓳A RÃ E O TOURO

Um grande touro passeava pela margem de um riacho. A rã ficou com muita inveja de seu tamanho e de sua força. Então, começou a inchar, fazendo enorme esforço, para tentar ficar tão grande quanto o touro.
Perguntou às companheiras do riacho se estava do tamanho do touro. Elas responderam que não.
A rã tornou a inchar e inchar, ainda assim, não alcançou o tamanho do touro.
Pela terceira vez, a rã tentou inchar. Mas fez isso com tanta força que acabou explodindo, por culpa de tanta inveja.

⓴Os três leões

Numa determinada floresta havia três leões. Um dia, o macaco, representante eleito dos animais súditos, fez uma reunião com toda a bicharada da floresta e disse:
– Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma dúvida no ar: existem três leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem? Quem, dentre eles, deverá ser o nosso rei?
Os três leões souberam da reunião e comentaram entre si:
– É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido. Uma floresta não pode ter três reis, precisamos saber qual de nós será escolhido. Mas como descobrir?
Essa era a grande questão: lutar entre si eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado. De novo, todos os animais se reuniram para discutir uma solução para o caso. Depois de usarem técnicas de reuniões do tipo “brainstorming”, eles tiveram uma idéia excelente. O macaco se encontrou com os três felinos e contou o que eles decidiram:
– Bem, senhores leões, encontramos uma solução desafiadora para o problema. A solução está na Montanha Difícil.
– Montanha Difícil? Como assim?
– É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês três deverão escalar a Montanha Difícil. O que atingir o pico primeiro será consagrado o rei dos reis.
A Montanha Difícil era a mais alta entre todas naquela imensa floresta.
O desafio foi aceito. No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir a grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado. O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado. O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes, afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os três foram derrotados?
Foi nesse momento que uma águia sábia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra:
– Eu sei quem deve ser o rei!!!
Todos os animais fizeram um silêncio de grande expectativa.
– A senhora sabe, mas como?
 Todos gritaram para a águia.
– É simples – confessou a sábia águia – eu estava voando entre eles, bem de perto e, quando eles voltaram fracassados para o vale, eu escutei o que cada um deles disse para a montanha.
O primeiro leão disse:
– Montanha, você me venceu!
O segundo leão disse:
– Montanha, você me venceu!
O terceiro leão também disse:
– Montanha, você me venceu, por enquanto! Mas você, montanha, já atingiu seu tamanho final, e eu estou crescendo.
– A diferença – completou a águia – é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e quem pensa assim é maior que seu problema: é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre os reis.
Moral da história
Não importa o tamanho dos problemas ou dificuldades que você tenha. Seus problemas, na maioria das vezes, já atingiram o clímax, já estão no nível máximo - mas você não. Você ainda está crescendo. Você é maior que todos os seus problemas juntos. Você ainda não chegou ao limite do seu potencial. 


(La Fontaine)

Disponível em www.amareiavida.blogs.sapo pt/acesso 12/06/05. Autor desconhecido.





Beijo: 4














INTERTEXTUALIDADE DA FÁBULA "A RAPOSA E AS UVAS" - ESOPO E MILLÔR FERNANDES

Estudo dos textos

TEXTO I

A RAPOSA E AS UVAS

Uma raposa estava com muita fome. Foi quando viu uma parreira cheia de lindos cachos de uva.
Imediatamente começou a dar pulos para ver se pegava as uvas. Mas a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava.
— Estão verdes — disse, com ar de desprezo.
E já ia seguindo o seu caminho, quando ouviu um pequeno ruído.
Pensando que era uma uva caindo, deu um pulo para abocanhá-la. Era apenas uma folha e a raposa foi-se embora, olhando disfarçadamente para os lados. Precisava ter certeza de que ninguém percebera que queria as uvas.
Também é assim com as pessoas: quando não podem ter o que desejam, fingem que não o desejam.

(12 fábulas de Esopo. Trad. por Fernanda Lopes de Almeida. São Paulo: Ática, 1994.)


TEXTO II

A RAPOSA E AS UVAS

De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uva maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas.
Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também não tem importância. Estão muito verdes”. E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular, e havia o risco de despencar, esticou a pata e… conseguiu! Com avidez, colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

Moral: a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra.

(Millôr Fernandes. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p. 118.)


 COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO

1. Fábula é uma pequena narrativa, muito simples, em que as personagens geralmente são animais.

a) Na fábula de Esopo, a raposa, com fome, vê “lindos cachos de uva”. Se os cachos eram lindos, por que, então, a raposa diz que as uvas estavam verdes? Porque não as alcançava.

b) A raposa, não alcançando as uvas, vai embora. Que fato posterior a esse comprova que a raposa mentia ao dizer que as uvas estavam verdes? O fato de voltar-se rapidamente para trás, pensando que uma uva tivesse caído.

2. As fábulas sempre terminam com uma moral da história, isto é, com um ensinamento.

a) Identifique no texto o parágrafo que contém a moral da fábula de Esopo. A moral está no último parágrafo do texto.

b) Qual das frases abaixo traduz a ideia principal da fábula de Esopo?

• Quem não tem, despreza o que deseja.
• A mentira tem pernas curtas.
• Quem não tem o que deseja, sente inveja dos outros.

3. Compare a versão de Millôr Fernandes à de Esopo.

a) Até certo ponto da história, as duas fábulas são praticamente iguais. A partir de que trecho a versão de Millôr fica diferente da versão de Esopo? No momento em que a raposa sobe em uma pedra para alcançar as uvas.

b) Qual é o fato da versão de Millôr que altera completamente a história?

4. A moral da história de Millôr Fernandes é claramente identificada: “a frustração é uma forma de julgamento como qualquer outra”.

a) Consulte o dicionário e veja qual sentido das palavras frustração e julgamento corresponde ao que elas têm no contexto. Depois troque idéias com seus colegas e com seu professor e responda:
O que essa moral quer dizer?

b) Qual das frases abaixo traduz a idéia principal dessa moral?

• Uma pessoa frustrada não sabe fazer um bom julgamento.
• Às vezes, uma mentira acaba expressando uma verdade.
• Uma pessoa malsucedida acaba tirando conclusões erradas.

5.  Na fábula de Esopo, lemos: “a latada era muito alta e, por mais que pulasse, a raposa não as alcançava”. Em qual das frases abaixo a expressão destacada tem sentido mais aproximado ao da expressão por mais que?

a) Uma vez que pulava, a raposa não as alcançava.
b) A não ser que pulasse, a raposa não as alcançaria.
c) Mesmo que pulasse, a raposa não as alcançaria.
d) Quando pulava, a raposa não as alcançava.

6. Em seu texto, Millôr Fernandes empregou as expressões fome de quatro dias e gula de todos os tempos.

a) Qual a diferença entre fome e gula?

b) O que significa gula de todos os tempos? Uma gula enorme.

7. No texto I e no II foi utilizado o discurso direto e indireto? Justifique sua resposta com uma frase do texto.





Tchau: 4












INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DO GÊNERO TEXTUAL CONTO - CONTO DE FADAS PARA MULHERES MODERNAS

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Intertextualidade

Intertextualidade é quando um texto remete a outro. Existem três tipos de intertextualidade, a paráfrase (quando o texto possui as mesmas ideias centrais do texto original), apropriação (quando o texto é reescrito com as mesmas palavras) e Paródia (quando o texto possui ideias contrárias as ideias centrais do texto original).


TEXTO I
Conto de fadas para Mulheres Modernas


Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas, uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre…
… E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: – Eu, hein?… nem morta! 


(Luís Fernando Veríssimo)

Interpretação de Texto

1. A princesa possui uma atitude típica das heroínas de contos de fada? Explique?

2. Em um conto de fada clássico, qual seria o desfecho desse conto?

3. Qual o conceito de “Felizes para sempre” para o príncipe?

4. Em sua opinião, qual o conceito de felicidade na visão da princesa?

5. Quais adjetivos são usados para definir a princesa? Esses adjetivos condizem com a atitude que ela toma no fim do conto? Justifique.

6. Intertextualidade é quando um texto remete a outro. Existem três tipos de intertextualidade, a paráfrase (quando o texto possui as mesmas ideias centrais do texto original), apropriação (quando o texto é reescrito com as mesmas palavras) e Paródia (quando o texto possui ideias contrárias as ideias centrais do texto original). No texto lido lembramos a clássica história do príncipe transformado em sapo e na construção desse texto o autor usou qual tipo de intertextualidade? Justifique.

7. O título do texto nos dá ideia do que encontraremos nesse conto? Caso sim, explique qual a posição da mulher moderna?

8. Qual o dito popular que define melhor a ideia central do conto de Luís Fernando Veríssimo?

(a) Melhor um na mão do que dois voando.
(b) Sempre existe um sapato velho para um pé doente.
(c) Antes só do que mal acompanhada.
(d) Quem ama o feio bonito lhe parece.
(e) Quem cospe para cima na cara lhe cai.

TEXTO II



Veja o quadrinho abaixo.

















1. De acordo com o conceito de intertextualidade, em relação ao texto de Veríssimo ele é uma paródia, uma paráfrase ou uma apropriação? Justifique.

2. Onde reside o humor da tirinha? Explique da melhor forma possível:

3. Analise cada reação de humor de cada personagem, em cada quadrinho: Magali, o sapo, o príncipe e novamente a Magali:

4. Crie uma resposta bem interessante e divertida para o príncipe dar à Magali, a fim de deixá-la:

--> Mais decepcionada ainda;
--> Satisfeita com a situação;
--> Revoltadíssima;
5. Se no lugar da Magali, outra personagem da Turma da Mônica beijasse o sapo, qual desejo ela certamente quereria?

* Cebolinha -
* Mônica -
* Chico Bento -
* Cascão -


6. Se você desse um beijo no sapo encantado, em que(m) gostaria que ele se transformasse?


 Estudos gramaticais

7. Transcreva da tirinha um exemplo de onomatopeia e diga o que tal barulho representa:

8. Existe algum vocativo presente na tirinha? Se sim, qual? Justifique:
9. Retire da tirinha uma interjeição, dizendo o que ela expressa:

10. O diminutivo em "Garotinha" expressa o quê? Explique bem o seu raciocínio:

11.  Explique a colocação do pronome "me" no primeiro quadrinho:


Comentar: 1







sábado, 14 de abril de 2012

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE- INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DO GÊNERO TEXTUAL CRÔNICA

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragõesda- independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.
Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportálo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr.
Epaminondas abanou a cabeça:
— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.

(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. p. 24.)

ESTUDO DO TEXTO (atividade oral)

I - TEXTO
“A incapacidade de ser verdadeiro”
Leitura silenciosa
Leitura em voz alta (aluno)
Trabalhando o texto com os alunos – discutindo:

II - PERSONAGENS

Personagens reais:
Paulo, mãe (Dona Coló), Siá Elpídia, médico Dr. Epaminondas.

 Personagens imaginárias:
 Dois dragões-da-indepndência

III – Enredo

1 – Qual a fama de Paulo?
2 – Qual foi a primeira “mentira” de Paulo?
3 – A mãe acreditou? O que ela fez?
4 – Com esse castigo Paulo parou de “mentir”? O que ele fez
5 – Que punição a mãe de Paulo adotou desta vez?
6 – Paulo parou com suas peripécias? Qual foi a última proeza de nossa personagem?
7 – A mãe do menino tomou uma decisão. Qual?
8 – O que o Dr. Epaminondas diagnosticou ao garoto?
9 – Você concorda com o Dr. Epaminondas, ou acha que Paulo era mentiroso?

Na verdade Paulo era poeta, por isso ele imaginava e fazia essa mistura de sonho e realidade, criava um mundo imaginário.

IV – Tempo
10 - O texto faz referência ao tempo?
▪ Um dia ⁄ semana seguinte⁄ quinze dias

V – Espaço
11 - Que lugares aparecem no texto?
▪ Casa, campo, pátio da escola, chácara de Siá Elpídia, consultório.

VI – Autor

12 - Você já ouviu falar de Carlos Drummond de Andrade?  Pesquise sua biografia.
13 – E aqui nessa sala tem algum poeta?
14 - Gostou do texto?
15 – Entendeu o texto? Alguma pergunta? Então, quantas histórias Paulo contou a sua mãe?

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO (atividades escrita)

1. No texto, todos achavam que Paulo era mentiroso.
a) Por que ele tinha essa fama?
b) Será que não existe lógica no pensamento de Paulo? Vejamos: se os dragões – da- independência têm esse nome, por que não podem emitir fogo? Se a lua parece um queijo, por que um pedaço dela não teria sabor de queijo? Todas as borboletas do mundo, unidas, não formariam um “tapete de borboletas”?
Você acha que Paulo mentia quando falava essas coisas ou buscava um significado diferente para cada uma delas?
c) Qual é, então, a diferença entre ser mentiroso e ser “um caso de poesia”?

2. O título do texto  é “A incapacidade de ser verdadeiro”.
a) A quem ele se refere?
b) Qual a razão dessa incapacidade?

3. Qual dos itens seguintes não deve ser considerado uma das conclusões que podemos extrair do do texto?
a) A poesia possibilita às pessoas desprender-se da realidade, viajar por meio da palavra.
b) Os dois garotos sentem vergonha por se descobrirem poetas.
c) O texto trata do nascimento de um poeta, embora Paulo ainda não tenha consciência disso.
d) A poesia é associada pelas pessoas a maluquices, a ideias esquisitas.





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O PRIMEIRO PÊLO DE MÁRIO DONATO - INTERPRETAÇÃO E COMPREENSÃO DO GÊNERO TEXTUAL CRÔNICA

O PRIMEIRO PÊLO

 Elias, aquele pedacinho de gente, com a cara mais atrevida deste mundo, plantou-se diante do pai, que lia o jornal.
- Pai, eu já sou um homem!
Como o pai não desse sinal de ter ouvido, repetiu:
- Pai, eu já sou um homem!
- Você sempre foi, meu filho. Desde que nasceu – respondeu, afinal o pai.
- Isso eu sei. Quero dizer, agora já sou grande.
- Não me parece que você tenha crescido muito de ontem para hoje ... – disse o pai, olhando o garoto de alto a baixo.
- É que eu sou ... eu sou ...
- Já sei. Você quer dizer que se tornou adulto.
- É, é isso mesmo.
- E por que o senhor meu filho acha que se tornou adulto de ontem para hoje?
- O senhor está vendo aqui? – E apontava um pontinho preto no queixo. – Está vendo?
- Não vejo nada. Venha mais perto. Ahnn! Será que estou vendo um pelinho aí?
- É o meu fio de barba, pai. Eu já sou um homem.
- Ora, meu filho! É apenas um fio, e um fio não faz uma barba toda. Aliás, lembra-se de sua avó, minha mãe? A vovó tinha uma verruguinha no queixo e três fios de barba. Veja bem: três fios. Nem por isso ela dizia que era homem!
- Mas eu já sou um adul... Isso que o senhor disse. Por isso, preciso de aumento de mesada, quero chegar tarde em casa e levar a chave da porta.
- É uma pena, é uma pena ... lamentou o pai, balançando a cabeça.
- Pena porque ia dar-lhe um presente agora que você completa doze anos. Mas ... Preciso mudar de presente.
- Mudar, pai?
- Claro, quando você era menino, ia ganhar uma bicicleta dessas que você sempre quis. Mas, sendo um homem, vou dar a você um aparelho de barba.
O garoto apoiou-se num pé, depois no outro, profundamente pensativo. Ah! Ia perder aquela sonhada bicicleta! Resolveu:
- Pai, vamos fazer uma coisa. Eu deixo pra ficar homem mais tarde e o senhor me dá a bicicleta, certo?
- Certo – concordou o pai. – E peça à sua mãe para tirar esse pelinho daí com uma pinça. Não fica bem um menino com barba de homem.

                                                                                                                                                             Mário Donato

ATIVIDADES DE INTERPRETAÇÃO

1) O texto conta uma conversa entre duas pessoas. Quais são elas?

2) Para afirmar que já é um homem, Elias dirige-se ao pai com segurança, com humildade ou com medo? Justifique com citações do texto.

3) Ao responder que o filho era homem desde que nasceu, o pai referia-se ao aspecto físico, psicológico ou social?

4) Por que Elias achava que já era adulto?

5) O fato de ser adulto, segundo Elias, dava-lhe alguns direitos. Quais?

6) Por que Elias resolveu “deixar para ficar homem mais tarde”?

7) Elias achava que já era adulto porque tinha nascido um pelinho de barba. E para você, o que é ser adulto?

8) O que você pensa do procedimento de Elias? Você concorda? Se você fosse Elias, teria agido do mesmo jeito?

9) O que você pensa dos adultos? O que eles fazem que lhe agrada? O que eles fazem que não lhe agrada?

10) Você tem vontade de ser adulto? Por quê?


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