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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO E POETA À VISTA

TEXTO I

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO


Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragõesda- independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.
Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportálo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr.
Epaminondas abanou a cabeça:
— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.

(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. p. 24.)

TEXTO II

POETA À VISTA

Não sei como pôr para fora
essas idéias malucas
que me sacodem a cabeça.
É coisa muito esquisita,
parece assombração:
palavras que nascem feitas
sem nenhuma explicação.
Contar aos pais
não adianta… Vão dizer:
“É tudo imaginação!”
Falar com a turma… não sei.
Pode virar gozação.
O jeito é tentar guardar
esse caso para mim mesmo
e colocar no papel
os recados da emoção.
Uma palavra aqui,
outra palavra ali…
Parece que achei o caminho!
Epa! Mas isso tem cara de verso!
Será que eu sou poeta?
E agora? Que vergonha!
Só me faltava mais essa…
Outro segredo bem trancado
no fundo do coração.
(Carlos Queiroz Telles. Sonhos, grilos e paixões. 6. ed. São Paulo: Moderna, 1992. p. 30.)


COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO

1. No texto I, todos achavam que Paulo era mentiroso.
a) Por que ele tinha essa fama?
b) Será que não existe lógica no pensamento de Paulo? Vejamos: se os dragões – da- independência têm esse nome, por que não podem emitir fogo? Se a lua parece um queijo, por que um pedaço dela não teria sabor de queijo? Todas as borboletas do mundo, unidas, não formariam um “tapete de borboletas”?
Você acha que Paulo mentia quando falava essas coisas ou buscava um significado diferente para cada uma delas?
c) Qual é, então, a diferença entre ser mentiroso e ser “um caso de poesia”?

2. O título do texto I é “A incapacidade de ser verdadeiro”.
a) A quem ele se refere?
b) Qual a razão dessa incapacidade?

3. No texto II, o eu lírico (o “eu” que fala no poema) está escrevendo versos.
a) O que esses versos expressam?
b) Como ele se sente, descobrindo-se um poeta principiante?

4. Compare a reação que os adultos têm diante das idéias de Paulo com a reação que o eu lírico do texto II acha que as pessoas vão ter quando souberem que ele escreve poesia.
a) O que as pessoas, em geral, tendem a pensar com relação à poesia?
b) Entre Paulo e o eu lírico do texto II, quem se preocupa claramente com a opinião alheia? Justifique sua resposta com elementos do texto.

5. Qual dos itens seguintes não deve ser considerado uma das conclusões que podemos extrair dos dois textos?
a) A poesia possibilita às pessoas desprender-se da realidade, viajar por meio da palavra.
b) Os dois garotos sentem vergonha por se descobrirem poetas.
c) Ambos os textos tratam do nascimento de um poeta, embora Paulo (texto I) ainda não tenha consciência disso.
d) A poesia é associada pelas pessoas a maluquices, a idéias esquisitas.

A LINGUAGEM DO TEXTO

1. Leia estes fragmentos dos textos I e II:
“A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua”
“Epa! Mas isso tem cara de verso!
Será que eu sou poeta?”

Neles, os autores empregaram termos freqüentemente utilizados na linguagem oral.
a) Identifique-os.
b) Reescreva esses fragmentos com palavra (s) de sentido equivalente, própria (s) da variedade padrão da língua portuguesa.

2. Compare as duas frases a seguir, a primeira delas extraída do texto I:
“Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol”
Paulo ficou sem sobremesa e foi proibido de jogar futebol.

Como se vê, tanto na 1ª quanto na 2ª frase, o sentido é quase o mesmo: Paulo não terá sobremesa nem jogará futebol. A expressão não só… mas (como) também tem o mesmo valor de e, isto é, o sentido de soma, de adição. Na 1ª frase, o autor deixou subentendida a palavra também.

a) Apesar da semelhança de sentido, uma das frases é mais enfática. Qual?

b) Elimine a palavra e das frases seguintes e reescreva-as, empregando em seu lugar a expressão não só… mas (como) também:
• Ele pagou a dívida atual e pagou as atrasadas.
• Meus sobrinhos vieram à festa e ficaram para dormir.
• Esses jovens lêem livros e revistas e acompanham os jornais diários.




Oi e Olá: 7







 


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