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sexta-feira, 29 de julho de 2011

PROVA FALSA, DE STANISLAW PONTE PRETA

 Quem teve a idéia foi o padrinho da caçula - ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.


— Mas o cachorro era um chato — desabafou.

Desses cachorrinhos de raça, cheio de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.

— Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas, quando eu entrava em casa, vinha logo com aquele latido fininho e antipático de cachorro de francesa.

Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

— Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o "pobrezinho".

Num rápido balanço poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.

— Você é um desalmado — disse ela, uma vez.

Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos da caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.

— Aí mandaram o cachorro embora? — perguntei.

— Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.

— Ué... mas você não o detestava? Como é que arranjou essa sopa pra ele?

— Problema da consciência — explicou: — O pipi não era dele.
E suspirou cheio de remorso.


Texto extraído do livro "Garoto Linha Dura", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1964, pág. 51.



COMPREENSÃO DO TEXTO

01 – Quem narra a história para o leitor? Escreva a alternativa certa no caderno:
a.   
O  Antigo dono do cachorro.
b.   Um amigo do antigo dono do cachorro.
c.   O dono do cachorro.

02 – Quantas pessoas da família são mencionadas na história?

03 – Quem deu o cachorro à família?

04 – O dono da casa detestava animais?

05 – O comportamento do cachorro agradava ao dono da casa? Justifique sua resposta.

06 – Que tipo de tratamento o cachorro recebia das mulheres da casa?

07 - Por que pobrezinho aparece entre aspas na linha 24?

08 – OP que você achou da atitude do dono da casa, em relação ao cachorro?

09 – No final da história, quem venceu a “a guerra fria”? Escreve a alternativa certa no caderno:

a.    (   ) O cachorro.
b     (   ) A esposa e as meninas.
c.    (   ) O dono da casa.

10 – Alguém desconfiou da prova falsa?

11 – O que fez o dono da casa sua visar a sua culpa?

12 – Por que será que o cachorro implicava tanto com o dono da casa?

13 – O texto está divido em quatro partes. Indique no caderno o início e o fim de cada uma delas:

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