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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

HUMANISMO PORTUGUÊS

O Humanismo, ou 2° Época Medieval, corresponde ao período que vai desde a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434, até o retorno de Sá de Miranda da Itália, introduzindo em Portugal a nova estética clássica, ano de 1527.
O Humanismo marca toda a transição de um Portugal caracterizado por valores puramente medievais para uma nova realidade mercantil, em que se percebe a ascensão dos ideais burgueses. A economia de subsistência feudal é substituída pelas atividades comerciais; inicia-se uma retomada da cultura clássica, esquecida durante a maior parte da Idade Média; ao lado do pensamento teocêntrico, começa a surgir uma nova visão de mundo que coloca o homem como centro das atenções (antropocentrismo).
Em Portugal, toda essa transição tem como marco cronológico a Revolução de Avis (1383-1385). O choque entre a nobreza decadente e a nascente burguesia antifeudal verifica-se logo após a morte do rei D. Fernando. Com o perigo da aproximação de Portugal aos reinos castelhanos, a burguesia busca apoio do povo e fortalece a liderança de João, o Mestre de Avis. Com a Revolução e a aclamação de João como rei de Portugal, desenvolve-se uma política de centralização do poder nas mãos do rei, compromissado com a burguesia mercantilista. Desse compromisso resulta a expansão ultramarina portuguesa. A partir de 1415, com a tomada de Ceuta, primeira conquista ultamarina, Portugal inicia uma longa caminhada de um século até conhecer seu apogeu.
O Humanismo é um período muito rico no desenvolvimento da prosa, graças ao trabalho dos cronistas, notadamente de Fernão Lopes, considerado o iniciador da historiografia portuguesa.
Outra manifestação importantíssima que se desenvolve no Humanismo, já no início do século XVI, é o teatro popular, com a produção de Gil Vicente. A poesia, por outro lado, conhece um período de decadência nos anos de 1400, estando toda a produção poética do período ligada ao “Cancioneiro geral”, organizado por Garcia de Rezende. Essa poesia, por se desenvolver no ambiente palaciano, é conhecida como poesia palaciana.

O TEATRO POPULAR – GIL VICENTE

Gil Vicente é considerado o criador do teatro português pela apresentação, em 1502, de seu “Monólogo do vaqueiro” (também conhecido como “Auto da visitação”).
Sobre a vida de Gil Vicente pouco se sabe. Supõe-se que tenha nascido por volta de 1465 e morrido cerca de 1536. A primeira data seguramente ligada ao poeta é o ano de 1502, quando, na noite de 7 para 8 de junho, recitou o “Monólogo do vaqueiro” no quarto de D. Maria, esposa de D. Manuel, que acabava de dar à luz o futuro rei D. João III. Durante 34 anos produziu textos teatrais e algumas poesias, sendo que sua última peça – “Floresta de enganos” – data de 1536.
Se nada se sabe a respeito de sua origem, podemos afirmar com certeza que viveu a vida palaciana como funcionário da corte e que possuía bons conhecimentos da língua portuguesa, bem como do castelhano, do latim e de assuntos teológicos.
O teatro vicentino é basicamente caracterizado pela sátira, criticando o comportamento de todas as camadas sociais: a nobreza, o clero e o povo.
Apesar de sua profunda religiosidade, o tipo mais comumente satirizado por Gil Vicente é o frade que se entrega a amores proibidos (chegando a enlouquecer de amor), à ganância (na venda de indulgência), ao exagerado misticismo, ao mundanismo, à depravação dos costumes. Criticou desde o frade de aldeia até o alto clero dos bispos, cardeais e mesmo o papa.
A baixa nobreza representada pelo fidalgo decadente e pelo escudeiro é outra faixa social insistentemente criticada pelo autor.
Por outro lado, o tearto vicentino satiriza o povo que abandonou o campo em direção à cidade ou mesmo aqueles que sempre viveram na cidade, mas que, em ambos os casos, se deixam corromper pela perspectiva do lucro fácil.
Riquíssima é a galeria de tipos humanos que formam o teatro vicentino: o velho apaixonado que se deixa roubar; a alcoviteira; a velha beata; o sapateiro que rouba o povo; o escudeiro fanfarrão; o médico incompetente; o judeu ganancioso; o fidalgo decadente; a mulher adúltera; o padre corrupto. Gil Vicente não tem a preocupação de fixar tipos psicológicos, e sim a de fixar tipos sociais. Observe que a maior parte dos personagens são normalmente designados pela profissão ou pelo tipo humano que representam.
Quanto à forma, à utilização de cenários e montagens, o teatro de Gil Vicente é extremamente simples. Tampouco obedece às três unidades do teatro clássico – ação, lugar e tempo. Seu texto apresenta uma estrutura poética, com o predomínio da redondilha maior (sete sílabas), havendo mesmo várias cantigas no corpo de suas peças.

LEITURA COMPLEMENTAR

FARSA DE INÊS PEREIRA

Farsa de Gil Vicente representada no convento de Tomar em 1523. O tema é dado pelo seguinte provérbio:”Mais quero asno que me leve, que cavalo que me derrube”. A heroína, Inês Pereira, embora pertença à classe popular, sonha com um marido “discreto”. Repele Pêro Marques, filho dum camponês rico, e casa com um escudeiro pelintra que a maltrata, porém, morre em África, e Inês, ensinada desta vez pela dura e experiência, desposa Pêro Marques e depressa aceita a corte dum falso ermitão. Para cúmulo do embuste, é o novo marido que a leva ao eremitério e atravessa um rio com ela às costas.
A comadre Lianor Vaz, dois judeus casamenteiros e moças e mancebos, amigos de Inês, animam o auto-sem dúvida a melhor farsa vicentina.
(Coelho, Jacinto do Prado, org. Dicionário das literaturas portuguesa, brasileira e galega. 3. Ed. Porto, Figueirinha, 1978. P. 77)

Poderá também gostar de:
GIL VICENTE - "A FARSA DE INÊS PEREIRA"

AUTO DA BARCA DO INFERNO

O “Auto da barca do inferno” é a mais famosa peça da “Trilogia das barcas”, de Gil Vicente, formada ainda pelo “Auto da barca do purgatório” e pelo “Auto da barca da glória”.
Na barca do inferno encontramos duas barcas ancoradas num braço de rio. Uma delas é comandada pelo Diabo; a outra, por um Anjo. Vários tipos característicos da sociedade portuguesa, ao morrerem, desfilam diante das barcas e serão interrogados pelo Diabo e pelo Anjo, após o que embarcam ou em direção ao Inferno (se forem condenados), ou em direção ao Paraíso (se forem absolvidos).
De todos eles, apenas cinco (que representam dois tipos humanos) – um parvo e quatro cavaleiros que morreram lutando em nome de Deus – embarcam em companhia do Anjo. Os demais – um fidalgo – um sapateiro, uma alcoviteira, um padre e sua amante, um judeu, um enforcado, um agiota, um juiz – vão todos para a barca do Diabo, superlotando-a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

TERRA, Ernani. Curso prático de língua, literatura & redação/ Ernani & Nicola. - São Paulo: Scipione, 1997.


          








































































          

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