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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

IMPRESSIONISMO

                                                                        

O Impressionismo, originário da França, é um momento de intersecção entre os elementos de ordem mais racional e objetiva do Realismo e os de caráter mais emocional e subjetivo  do simbolismo. Embora ainda guarde o interesse do registro da realidade como meta, o impressionista entende que ela estará sempre submetida à impressão do observador, àquilo que o objeto desperta (emoção, sensação) naquele que o contempla em dado tempo/espaço.

Inicialmente aplicado à pintura de Monet (1840-1926) e à música de Debussy (1862-1918), o termo “Impressionismo” passou a designar, também, uma tendência literária do final do século XIX.
O novo sentimento de velocidade e mudança, trazido pelo desenvolvimento da técnica, introduz na vida um dinamismo sem precedentes. Ao lado disso, o desenvolvimento das cidades como centros urbanos, propiciando a criação de Cultura, cria o ambiente para o florescimento do Impressionismo: arte citadina por excelência, expressão do ritmo nervoso, da tensão e das impressões súbitas próprias da vida urbana. O impressionista vê o mundo com olhos de homem urbano e reage às impressões com a reação nervosa própria do homem, excitado do início da era tecnológica. Essa passagem, do campo para a cidade, significou uma expansão considerável da percepção sensorial.
O sentimento de que todo o fenômeno é único e efêmero a sintonia com o pensamento heraclítico de que os conceitos, os meios e os métodos desse estilo que quer, antes de mais nada, afirmar que a realidade não é um estado, é uma ocorrência; não é um ser, mas um devir. O mundo é o lugar da permanente mudança, e o aqui e o agora de cada indivíduo, na falta do absoluto, tornam-se critério de verdade.
O outro lado dessa concepção e, ao mesmo tempo uma decorrência dela é a atitude essencialmente passiva que o impressionismo assume perante a vida, colocando-se no lugar de espectador da irrefreável mudança do mundo. Optando pela contemplação, o artista chega às conseqüências mais extremas do culto ao esteticismo e da renúncia à ação.
O Impressionismo substitui a ideia abstrata e o conhecimento teórico do Naturalismo pela experiência diretamente ótica, destacando, assim, a visualidade como percepção autônoma. Contrapondo-se ao caráter sintético dos estilos precedentes; o Impressionismo assume um caráter analítico. Apresenta uma impressão do objeto que os sentidos, habitualmente não captam ou que, sendo captado, não é elaborada conceitualmente. Em lugar da totalidade da experiência, apresenta os elementos de que esta se compõe.
O Impressionismo como um estilo literário não é facilmente demarcável. A crise da concepção positivista do mundo, por volta de 1870, reflete-se na decadência da expressão artística que o representava. As obras identificadas como realistas ou naturalistas passam a ser consideradas indelicadas e indecentes, manifestações de uma concepção materialista, que descrevia o homem como animal e a sociedade como lugar de dissolução da família, da pátria e da religião. O Impressionismo é o estilo que ganha a predominância desfrutada pela tendência anterior.
Duas marcantes características particularizam o novo estilo: o desprezo pelo natural e a arte voltada para si mesma. A natureza não contaminada pela cultura sedução dos árcades e, embora com outras particularidades, também dos românticos perde o atrativo estético que, agora, localiza-se no artificialismo da cidade com suas diversões e sua cultura própria. A natureza que inspirou tantas obras passa a ser considerada informe e vulgar, dando fim a longo ciclo pastoral. O simples, o natural, o instintivo deixam de ser critérios de valor. O que vale é o intelectual e o artificial da cultura.


Diz-se que, nesse momento, a arte volta-se para si mesma, porque ela se converte em seu próprio objeto, ou seja, o fazer artístico torna-se tema, a arte se reflete sobre si mesma, e os artistas criam para os artistas. Como já se disse, a estesia levada às últimas consequências.
Se o barroco e o romântico foram homens conflitados, o impressionista, por sua vez, é entendiado, tomado por um sentimento de que falta peso às coisas. Não chega a ser insatisfação sentida por artistas de momentos anteriores, em que se acreditava na existência de uma ordem que se mantinha acima de qualquer contrariedade existencial. Ao contrário, é a ausência dessa fé e o sentido de gratuidade da vida que aborrece o impressionista. Por consequência, a instabilidade aquela instabilidade que atemorizava os burgueses românticos passa a ser valorizada como antídoto ao tédio. Quando a burguesia ascendeu como classe, firmou a segurança e a monotonia da vida como valores altamente desejáveis. Os novos artistas, ao contrário, consideram insuportável a falta de versatilidade e a paz da vida burguesa. Rebelando-se contra a rotina disciplinada da burguesia, o impressionista entrega-se à voracidade do momento e ao risco de mudança permanente. Acentuadamente oposto à ideologia burguesa, o Impressionismo contará com a repulsa da burguesia a essa arte.
Os escritores realistas fazem o inventário do mundo exterior; os impressionistas concentram-se na apreensão das sutilezas das impressões subjetivas das personagens.
O pintor impressionista buscava captar as sutilezas da mudança de atmosfera; o escritor propunha-se apreender a variedade dos estados mentais com a maior fidelidade possível. O texto literário torna-se evocatório, fragmentário e hipersensível. Nasce o romance psicológico na acepção moderna, de estrutura não-linear e com narrador impessoal e onisciente. A percepção do tempo ganha proeminência, como se observa na obra que marcou o surgimento desse estilo na ficção: “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust (1871-1922). Essa mesma preocupação com o tempo, embora tratada distintamente, move o romance. “O Ateneu”, constituindo-se numa evocação, pelo narrador, dos tempos de infância. Trata-se, portanto, de texto de cunho memorialista.
A narrativa impressionista; em alguns casos, evoluiu para um esoterismo que dificultou a receptividade por parte do grande público, devido à exploração feita pela ficção dos estados psicológicos, assim como pelo desafio em que consistia o experimentalismo técnico. O leitor de Stendhal, Balsac, Flaubert e Zola nem sempre apreendia as sutilezas da narrativa impressionista de Anton Tchecov, Henry James, Marcel Proust e Thomas Mann. Do alto de sua “torre de marfim”, o impressionista tem prazer em desaguar o gosto popular, contrariando suas expectativas estéticas. No Brasil, além de Raul Pompéia, merece registro, como representante do estilo, Adelino Magalhães (1887-1967).


IMPRESSIONISMO


ü Fatores influentes:
desenvolvimento urbano e tecnológico


ü Características:
valorização da subjetividade
apreensão do momentâneo e do fragmentário
concepção heraclítica do mundo
arte como objeto de arte
estetização do artificial

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.











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