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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

SIMBOLISMO

Nascido como uma reação ao Parnasianismo, por volta de 1885, o Simbolismo é o movimento artístico que manifesta o espírito decadente do fim do século XIX — entenda-se “decadente” como um momento de falta de horizontes, de soluções a curto prazo. Decreta a falência do Positivismo racionalista, do Naturalismo, do Cientificismo.


O Simbolismo floresceu, na Europa, na mesma época em que os pintores impressionistas iniciavam a diluição dos contornos dos objetos nos jogos de luz, os poetas simbolistas renunciavam à tradição da forma fixa do objeto em favor do ritmo do devir, da fugacidade do momento. Buscavam a expressão de algo que escapa a uma forma definida e não é abordável por um caminho direto.
Rimbaud (1854-1891), vendo na palavra um fim em si, concebe-a como símbolo de experiência sobrenaturais, usado não pelo propósito comum de troca, o que supõe a atribuição à palavra de um valor definido, mas atribuindo-lhe o poder de evocar associação. Foi esse expoente do Simbolismo francês quem disse: “o poeta é um vidente por um longo, imenso e irracional desregramento de todos os sentidos.
A essência dessa concepção é a crença em um mundo ideal, na acepção platônica, que só é realizável através da beleza. Antes de 1890, o Realismo já entrara em decadência. Contraposto a ele, surge o gosto pela religiosidade e pelo incompreensível. Pela aproximação à concepção platônica de que o mundo sensível não é o real, a coisa em si não será, para o simbolista, o elemento principal a ser expresso, mas sim sua essência. Esta, porém, poderá ser apenas sugerida, e o perfeito uso dessa sugestão é o que constituirá o símbolo.
No Simbolismo, o procedimento comparativo, tão em voga no Romantismo e no Parnasianismo, é banido. As imagens não são mais paralelas, supõem-se em riqueza associativa. Por outro lado, a musicalidade volta a ser cultivada. A palavra, antes presa e uma sintaxe ordenada — reflexo de uma concepção do mundo como uma estrutura lógica —, com a opção do simbolista pelo indefinido e pelo misterioso, liberta-se da ordem frasal e carrega-se de sugestividade irracional. Ela passa, então, a valer pela sua sonoridade, pois atribui-se a sons e ritmos a propriedade. Os últimos entraves da métrica tradicional são rompidos, surge o verso livre, conquista da modernidade poética.
Ao lado de Arthur Rimbaud, Paul Verlaine (1844-1989) e Stephane Mallarmé (1842-1867) são os paradigmas do Simbolismo, cuja maior fonte foi Baudelaire (1821-1867). A partir desses poetas, a poesia ocidental vive um momento em que a objetividade e o tom escultural do Parnasianismo cedem lugar à evocação sugestiva e musical.

Em lugar da exatidão, o vago. A palavra sofre esvaziamento de seu conteúdo, valendo pela sugestão verbal. Essa experiência é anterior ao próprio Baudelaire: a queda da correspondência com o natural, na poesia, começa com Edgar Allan Poe (1809-1849), como se pode observar no seu conhecido poema “O corvo”.
Há, na poesia simbolista, um clima de mistério. A única certeza é que o mundo não revela o que, efetivamente, é. As grandes experiências estão na proporção direta do desvendamento do mistério. A palavra presta-se a isso, sendo capaz de estabelecer relações e criar correspondência entre o abstrato e o concreto. Trata-se, porém, do lado não-conceitual da palavra, ou seja, de sua natureza significante.
O desejo de exploração do que transcende ao imediato valoriza a intuição como faculdade capaz de permitir a sintonia com o lado obscuro das coisas. A busca desse indefinível torna a expressão indireta e nebulosa. Uma vez que a expressão direta é considerada inapta à captação da essência do ser, proliferam as insinuações verbais. A metáfora é atribuída a faculdade de atingir o essencial por via das associações de ideias que permite a evocação de outra realidade. Nessa via associativa, fundem-se literatura, música e pintura.
Enfatizada a particularidade do esteta — voltado à beleza ideal a que se dedica com devoção religiosa e êxtase contemplativo — reforça-se a “torre de marfim” em que o poeta se isola da sociedade para fugir às sensações vulgares e poder, então, cultivar o belo. Os simbolistas ficaram caracterizados pela excentricidade, muitas vezes afetada, para acentuar sua distinção do vulgo, voltado ao que é material e imediato. Ao poeta estava reservado o espiritual, o místico e o não-consciente.
Em síntese, o poeta simbolista caracteriza-se pela concepção mística do mundo; pelo interesse no particular e no individual, em lugar do geral que interessava aos realistas e parnasianos; pelo escapismo em que se aliena da sociedade contemporânea; pelo conhecimento ilógico e intuitivo; pela valorização da arte; pela utilização da via associativa.
Os principais nomes do Simbolismo brasileiro são Alphonsus de Guimarães (1870-1921) e Cruz e Sousa (1861-1898). Temos em seus poemas a fuiidez da forma e a ausência de rigor métrico; a presença da concepção platônica, manifestada na maiúscula alegorizante, o que remete à concepção platônica de idéia, forma eterna e imutável de uma realidade, a sugestão de alvura e transparência evocando a concepção mística que marca essa poesia.

SIMBOLISMO

 Fator influente:

— crise da concepção positivista da vida

 Características:

— concepção mística do mundo
— interesse pelo indefinido e pelo mistério
— interesse pelo particular
— alienação do social
— flexibilidade formal
— conhecimento ilógico e intuitivo
— arte pela arte

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.












CRÔNICAS DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO E FERNANDO SABINO

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PARNASIANISMO

O Parnasianismo foi um movimento quase exclusivamente poético, caracterizado, sobretudo, pelo extremo rigor formal, que aconteceu em paralelo à prosa realista/naturalista. O nome dessa escola literária teve inspiração no Parnaso, monte grego que fica ao norte do golfo Fe Corinto e a nordeste de Delfos que, na Grécia Antiga e durante a Antiguidade, foi consagrado ao deus Apolo.
Paralelamente à ficção dita realista e naturalista, a ruptura com a visão de mundo romântica provoca o surgimento de uma tendência poética a que se denomina Parnasianismo. Rigorosos cultores da forma, os parnasianos buscam, com afinco, a palavra que seria “exata” à composição poética. Renegando o tom confessional da poesia romântica, aspiravam à impessoalidade depurada de qualquer subjetivismo.
O estilo parnasiano impõe-se, na França, por volta de 1865, caracterizado por um vocabulário aristocrático, pelo uso de rima e pelo metro perfeito. Impassíveis e impecáveis, os versos parnasianos voltam-se aos fenômenos naturais e aos acontecimentos históricos, numa arte em que predomina a forma sobre o conteúdo, a técnica sobre a inspiração. A imaginação sujeita-se à realidade objetiva; a cor local perde o lugar que havia conquistado no período romântico; pretende-se alcançar o universalismo em que não comporta o exótico.
A arte da composição poética parnasiana foi tributária da correção e da elegância das palavras, assim cômoda clareza sintática. A preocupação em construir versos claros aproximou, em vários momentos, essa poesia da prosa. Contribuiu para isso o desprezo pela musicalidade do poema, tendo sido conferido ao verso um caráter plástico. As aliterações, ecos, homofonias tão buscadas pelo poeta barroco — pelo caráter lúdico dessas associações de som — e valorizadas pelo romântico — pelo apelo emocional de seu uso — passam a ser, no Parnasianismo, demérito à composição. A rima também passa a obedecer a critérios de rigor: apenas a rima consoante é aceita, a rima toante torna-se desprezada.
Na imagística parnasiana são freqüentes as metáforas inspiradas em lendas e histórias da Antiguidade Clássica. Mais uma vez a tradição Greco-roamana torna-se o ideal de beleza, distinguindo-se também nisso os parnasianos dos românticos: estes, em seu romantismo, privilegiavam a Idade Média, vista pelos primeiros como sombria e mórbida.

As principais características do Parnasianismo são: a contenção lírica, o culto da forma e a valorização da arte pela arte.
A contenção lírica é provocada pela busca de uma impessoalidade objetiva, que faz com que a emoção ceda lugar à sobriedade. O temor à exteriorização dos acontecimentos, considerada vulgar, fez com que, em muitas composições, pretendida sobriedade se transformasse em impassibilidade, que marmoriza o verso.
Então temos uma poesia com excessiva preocupação com a técnica. As composições de forma fixa — como o soneto, a balada, o rondó — haviam sido abandonadas no Romantismo para permitir maiores recursos de expressividade ao poeta. Retornam altamente valorizadas no Parnasianismo e, com elas, o verso alexandrino de doze sílabas. O rigor da forma reduz as licenças poéticas, a arte torna-se artesanal, trabalho. Difícil se torna revestir de graça e simplicidade uma peça que a disciplina das formas fixas e o exaustivo controle das combinações sonoras tornou sem espontaneidade, embora revestida de elegância. O poeta, seguindo a concepção do estilo, era um artista com pleno domínio da ideação e da execução do poema, e não um vate, como queriam os românticos pela inspiração provinda de outras esferas.
A arte pela arte, de que já falamos em relação ao Neoclassicismo, é o princípio de que a arte não tem autor objetivo senão a expressividade da beleza. O artista exclui-se da sociedade, vivendo apenas para sua arte. A preocupação social desaparece da poesia.
Leconte de Lisle (1818-1894) e Sully Prudhomme (1839-1907) são nomes expressivos do Parnasianismo europeu. Alberto de Oliveira (1857-1937), contemporâneo de Raimundo Correia, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho passaram à história da literatura brasileira como representante desse estilo.

PARNASIANISMO
 Características do Parnasianismo
— rigor formal
— impessoalidade
— contenção lírica
— presença da cultura clássica
— arte pela arte

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.








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