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sexta-feira, 4 de junho de 2010

VANGUARDAS EUROPÉIAS E A NÁLISE DO POEMA "LUNDU DO ESCRITO DIFÍCIL", DE MÁRIO DE ANDRADE

      A palavra “Vanguarda” é de origem francesa e significa aquilo que esta a frente de uma determinada época, o que prevê o futuro.

     Foram muitos os “ismos” que surgiram e influenciaram não só nossa literatura como também nossa arte.

      As “vanguardas” européias entraram em contato com a arte brasileira devido ao fato das viagens dos escritores brasileiros pela Europa e lá entraram em contato com uma nova forma de arte, por exemplo, Oswald de Andrade que trouxe da Europa o “Manifesto Futurista”.

      Esse “Manifesto Futurista” já havia aparecido no jornal algum tempo antes, porém as pessoas não deram muita importância, mas quando Oswald de Andrade trouxe o impacto foi outro.Tempo depois, há uma aproximação de Oswald e Mário de Andrade, pois eles começam a discutir as idéias de vanguardas.

      Assim, com todos esses acontecimentos acontece a semana de “Arte Moderna”, em 1922, nessa semana, temos muitas apresentações como: música, poesia, teatro, apresentação de livros, entre outros. Foi um momento de extrema euforia, os escritores foram vaiados, quando Ronad de Carvalho leu o poema de Manuel Bandeira. “Os sapos”, nesse instante houve muita gritaria. Os poetas ficaram realmente em uma situação constrangedora.

      O próprio Mário de Andrade disse que não sabe como conseguiu declamar um poema com tanto barulho. Outro fato interessante foi a apresentação dos quadros de Anita Malfatti, que foi criticada severamente por Monteiro Lobato, em um artigo de jornal, intitulado “Paranóia ou mistificação”. Enfim, foi uma revolução no campo das artes, porque a sociedade não aceitava aquele modo de produção, não queria aceitar o novo.

      As vanguardas influenciaram nossa poesia, pois elas pregavam a destruição das formas tradicionais de fazer poesia, como: verso livre, linguagem coloquial, sem rima, uma mistura de prosa e poesia, uma poesia satírica, de humor, crítica, agressiva, enfim uma nova forma de arte, criticando a burguesia, falando dos problemas sociais.

      Então, na poesia brasileira havia traços do Futurismo, Cubismo, Surrealismo e no próprio Manifesto de Mário de Andrade, ele admite que possui traços futuristas e dadaístas, mas quanto aos traços futuristas, nada que se compare o de Marinett. Apesar de sua declaração “Eu não sou futurista”.

      A questão de Vanguarda e Nacionalismo – alguns conservadores apropriaram desse acontecimento para impor barreiras na entrada das vanguardas européias em nossas artes, pregando que não deveríamos aceitar nenhuma forma de influência européia em nossa arte, que tínhamos que valorizar a cultura brasileira, seria uma espécie de ufanismo patriótico.

       Agora Oswald de Andrade valorizou nossa cultura da seguinte maneira: uma mistura das vanguardas européias com a nossa cultura. Assim, nasceu a poesia “Pau Brasil” e a “Antropofagia”, uma é a continuação da outra.

      Na poesia “Pau Brasil”, temos uma aproximação da cultura primitivista com a intelectualizada, ou seja, valoriza-se nossa cultura, porém não daquela maneira do Romantismo, exemplo: as paródias com os poemas do Romantismo, essa poesia aborda os problemas sociais, a exploração, a diferença entre as pessoas, etc. Enfim, não é mais uma poesia para deleite, agora há uma poesia que traz os problemas sociais para a sociedade burguesa.

      Já a "Antropofagia", expõe a questão da aglutinação de toda a tradição passada, da nossa e da própria influência européia como do Romantismo, parnasianismo-naturalismo.

      O tema “Modernismo” é muito extenso, foram tantos os acontecimentos e esse assunto é de suma importância, devido à, pois mudou a trajetória não só da literatura como também de outras formas de artes. Além disso, é um período muito rico, com poesias e obras maravilhosas.


ANÁLISE DO POEMA “LUNDU DO ESCRITOR DIFÍCIL


 LUNDU DO ESCRITOR DIFÍCIL




Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.


Cortina de brim caipora,
Com teia caranguejeira
E enfeite ruim de caipira,
Fale fala brasileira
Que você enxerga bonito
Tanta luz nesta capoeira
Tal-e-qual numa gupiara.


Misturo tudo num saco,
Mas gaúcho maranhense
Que pára no Mato Grosso,
Bate este angu de caroço
Ver sopa de caruru;
A vida é mesmo um buraco,
Bobo é quem não é tatu!


Eu sou um escritor difícil,
Porém culpa de quem é!...
Todo difícil é fácil,
Abasta a gente saber.
Bagé, piche, chué, oh “xavié”,
De tão fácil virou fossil,
O difícil é aprender!


Virtude de urubutinga
De enxergar tudo de longe!
Não carece vestir tanga
Pra penetrar meu cassange!
Você sabe o francês “singe
Mas não sabe o que é guariba?
___ Pois é macaco, seu mano,
Que só sabe o que é da estranja.

ANDRADE, Mário de. Poesias completas. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1987.p.306-7.


Lundu: dança e canção de origem africana.

Enquisita: na ortografia oficial, “enquizilar”, sinônimo de pertubar.
Gupiara: depósito de sedimentos nas encostas dos morros, principalmente de sedimentos auríferos.
Urubutinga: outro nome do urubu-rei.
Cassange: na ortografia oficial, “caçanje”, que significa “português mal falado ou mal escrito”. Designa também um dos dialetos crioulos falados em Angola.
Singe: “macaco”, em francês.


      No primeiro verso, o escritor aborda o assunto da tarefa difícil de ser escritor e, em seguida, no segundo verso, que importuna muita gente. Com isso ele atinge as pessoas acomodadas, seria uma forma de chamar a atenção para a sua poesia, “É só tirar a cortina”, ou seja, abrir os olhos para a nova maneira de fazer poesia, isto é, a poesia que fala da realidade do Brasil, como ele realmente é.

      Agora na segunda e terceira estrofes, o escritor introduz o assunto do caipira, da fala brasileira, a mistura entre as pessoas, a busca por um lugar melhor para viver. Atenta também para a vida que não é fácil, porque às vezes temos que usar da esperteza para conseguir viver nesse mundo com tanta exploração.

      Na última estrofe o escritor crítica as pessoas que,não conhecem nossa cultura em sua plenitude, porém, a da Europa é bem conhecida, como a língua.

      O poema é uma mistura de prosa com poesia, com linguagem coloquial, sem métrica, chamando à atenção para os problemas do nosso país.

Continua...










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