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sexta-feira, 16 de abril de 2010

"A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA"

      A carta de Pero Vaz de Caminha, destinada ao rei Dom Manuel (Portugal) trata-se do primeiro registro dos primeiros fundadores e habitantes da nova terra: Brasil, chamada por Caminha de “Ilha de Vera Cruz”. “Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! ... o Monte Pascoal, e à terra da Vera Cruz.”

       Para a literatura, esses textos de cunho informativo foi conveniente chamar de Literatura de informação. “A carta de Caminha se inscreve de fato no grande curso daquilo que em nossa pesquisa denominamos a ‘literatura de testemunho’, produzida por cronistas e viajantes do século XVI e XVII. (A carta de Pero Vaz de Caminha, 2003,p. 09)

       O objetivo maior dos colonizadores era de encontrar de modo fácil e rapidamente riquezas nas terras “descobertas”, ou seja, sem que para isso tivessem muitos esforços. Porém, aqui, pelo menos de início, não as encontrou em forma de ouro ou metais preciosos. “Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos.” (2003: 115)

       Já de imediato os exploradores puderam constar a existência de grupos na nova terra. Aqui encontramos o registro que o relator faz: “Dali avistamos homens pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.” (2003: 89)

       É necessário ressaltar a importância de identificar os habitantes da terra, suas características, cultura,crenças, costumes, etc., pois esses elementos influenciam na conquista da terra, são informações valiosas para o colonizador, que quase sempre impõe aos seus colonizados.

      O primeiro contato com os nativos foi marcado pela troca de mercadorias, daí surge um fato marcante do colonialismo, que é a prática mercantilista, porque essas trocas entre colonizadores e colonizados “toma o lugar das palavras”. “Ali não pôde haver fala, nem entendimento... Deu-lhes somente um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto... Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio...” (2003: 96)

     Durante a descrição da terra e dos povos encontrados, Caminha dá ênfase: a prática mercantilista, a cristandade e a informação dos grupos sociais nascentes; e nisso ele não poupa detalhes. Por diversas vezes, vamos perceber no relato a troca de utensílios entre colonos e colonizadores.

     Outro fator que Caminha considera importante é o de “converter” ao cristianismo os nativos, uma característica colonial, isto é, impor a sua crença à terra conquistada, como forma de poder. “... segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa santa fé, a qual praz a Nosso Senhor que os traga...”

     Caminha registra em seu texto como fator importante a socialização daquele povo que ao passar dos dias estavam tão acostumados aos colonizadores, que não usavam nem mais seus arcos e flechas como forma de defesa. “Estavam na praia quando chegamos... sem arco e sem nada... misturando-se todos tanto conosco que alguns nos ajudavam a acarretar e a meter nos bateis...”

     Sobre os grupos nascentes, tinha-se a preocupação em descrevê-los minuciosamente, talvez para precisar as informações. “Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrissem suas vergonhas, nas mãos traziam arcos com suas setas...”

      Esses três aspectos: mercantilismo, cristandade e informação sobre os grupos nascentes, marcaram não só a finalidade, mas também o resultado da colonização do Brasil (Ilha de Vera Cruz), da qual descreu Caminha.

      Na carta de Caminha podemos destacar como traços marcantes o fator das navegações Marítimas, meio pelo qual se conquistavam as terras costeiras, ali chegavam em grande número com mantimentos e um grupo de capitães, relator, cléricos, mancebos (escravos), enfim, pessoas que viajavam com o fim exclusivo de conquistar terras.

      Outra ressalvar a fazer é o “carisma“ que os colonizadores tinham, ou seja, eles conseguiram atrair a “amizade” daqueles povos.

      Interessante também, é a facilidade com que os nativos tinham em acolher a crença ao cristianismo e até a imitar a devoção dos desbravadores.

→ Vale salientar os traços comuns entre colonizado e colonizador, por exemplo, algo que os portugueses traziam consigo, e os indígenas apontavam para a terra como dizendo que ali também havia o mesmo. Por outro lado, encontram-se diferenças entre eles, como: o fato de criar bichos, por exemplo: vaca, galinha, etc. e o de se alimentar de tubérculo, e os portugueses com trigo e derivados;

→ A cultura pela dança, pela pintura, pelo fato de furarem os beiços com paus ou ossos, ou ainda só furarem;

→ As suas casas que abrigavam mais de trinta pessoas no mesmo teto, a qual possuía apenas uma porta pequena;

→ Construíam suas casas sem que para isso utilizasse ferramenta de ferro, apenas paus e pedras;

→ A sua inocência diante da crença religiosa;

→ Sua consciência da existência de Deus;

→ Ato de devoção;

→ A riqueza natural da terra, não tanto a presença de ouro e metais precioso;

→ A alimentação.




Sobre a obra

“A Carta de Pero Vaz de Caminha", datada de 1500, é considerada a “certidão de nascimento do Brasil”. É nela que o “achamento” do nosso País é comunicado ao rei de Portugal, D. Manuel.

Sobre o autor

Pero Vaz de Caminha nasceu na cidade do Porto, em Portugal. Ele seguiu os passos do pai Vasco Fernandes Caminha e se tornou um escrivão e cavaleiro, conquistando bastante destaque na época. Funcionário público de confiança, aos 50 anos de idade foi designado como escrivão da armada de Cabral, devendo atuar também na Índia, na feitoria portuguesa em Calicute, a mais importante da coroa. Foi nessa viagem que registrou o “achamento” do Brasil e posteriormente faleceu em um massacre em Calicute, sem saber da importância de seu registro a respeito do Brasil.

------ Trecho ------
“Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!”


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 2003









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