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quarta-feira, 7 de abril de 2010

TROVADORISMO PORTUGUÊS










Com esta saudade, amigo
que me faz triste e coitada,
já não vivo e bem ; e bem vos digo:
que seja vossa morada,
amigo onde me possais
falar, e onde me vejais.



Não posso onde não vos vejo, viver, bem o podeis crer;
viver, bem o podeis crer;
e é tão grande o meu desejo
que peço: vinde viver,
amigo onde me possais
falar, e onde me vejais.



Nasci num dia fatal:
por Deus, amigo, abrandai
a minha pena e o meu mal;
eu vos suplico; morai,
amigo, onde me possais
falar, e onde me vejais



__ Senhora, eu irei morar
onde quiserdes mandar.

(Dom Dinis)


IDADE MÉDIA

      É chamada assim porque está entre a cultura grego romana e a Renascença italiana.

     Muitos a chamam de idade das trevas, porém é um conceito equivocado, já que existiram muito momentos importantes nessa época.

     A Idade Média é dividida em duas fazes: a Alta Idade Média (séc. V a XI, no sentido de estar mais longe de nós) e a Baixa Idade Média (séc. XI a XV), é importante esclarecer que é só na primeira parte que podemos dizer que é idade das trevas, uma vez que não houve nada em referências as artes, as letras, entre outras, somente sobre a história com Carlos Magno. Diferentemente, da Baixa Idade Média, a qual foi um destaque, com vários momentos importantes.

    Por outro lado, aconteceu a questão do teocentrismo, quer dizer, Deus no centro de tudo e isso era muito frisado, pois em tudo eles abordavam o nome de Deus, por exemplo, a literatura era didática com os ensinamentos do cristianismo, exemplo disso, é a Divina Comédia.

  A "Divina Comédia"

         
         Sobre a obra


      A "Divina Comédia" conta uma viagem que vai do Inferno, passando pelo Purgatório, até chegar ao Paraíso.
        "O Inferno" é a primeira parte da obra. Criado da queda de Lúcifer do Céu, o Inferno é formado por 9 Círculos, 3 Vales, 10 Fossos e 4 Esferas. Ele torna-se mais profundo a cada círculo. Assim, os pecados menos graves estão logo no ínicio, e os mais graves no final.

      Veja ainda:

http://gramaticaelinguagem.blogspot.com/search/label/Dante%20Aliguieri?&max-results=7
   
Sobre o autor


      Dante Alighieri nasceu em Florença, na Itália, em 1265. Ele é considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana.
Aos nove anos de idade, conheceu Beatriz, que inspiraria sua obra. Ele casou, no entanto, com Gemma, cuja união havia sido combinada entre as famílias desde a infância dos noivos. Eles tiveram três filhos.
Em 1289, Dante combateu ao lado dos cavaleiros florentinos contra os de Arezzo. Quando a facção rival ocupou o novo governo de Florença, Dante foi condenado ao exílio. Assim, ele passou de principado em principado até que, em 1318, foi convidado para ser hóspede do príncipe de Ravena. Dante morreu lá, em 1321, mesmo ano em que terminou de escrever os versos do Paraíso, a parte final de sua "Divina Comédia".


------ Espaço do Professor ------


      Cada um dos sete círculos de "O Inferno" trata de um assunto polêmico, que pode suscitar debates na sala de aula. O Círculo 8, por exemplo, trata dos fraudulentos e possui dez fossos. No quinto, os corruptos são mergulhados em caldos ferventes feitos por demônios. Ou seja, trata-se de uma deixa para o professor discutir a corrupção nos dias de hoje.
Assim, que tal comparar os noticiários de agora com os poemas de Dante?


------ Envie este trecho ------


      "Brilhavam mais que a estrela radiosa Os seus olhos; suave assim dizia De anjo com voz, falando-me piedosa".

      Além disso, há as novelas de cavalaria, explicando bem os conceitos morais, como, a virtude, o respeito a Deus, etc. As novelas de cavalaria mais populares em Portugal foram as pertencentes ao ciclo bretão ou arturiano. Contavam as aventuras do rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. A esse ciclo pertence a famosa "Demanda do Santo Graal", que narra a busca do cálice sagrado em que José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo. E não só isso mas também temos um grande filósofo, São Tomás de Aquino, que quis conciliar a razão com a fé, o surgimento das primeiras Universidades, os trovadores, Dante Aligheri, entre outros.

      Enfim, é uma fase muito rica para todos, que trouxe muitas benfeitorias para o mundo das artes, das letras, etc.

      A literatura portuguesa divide-se em três longos períodos:


Era Medieval;

Era Clássica e

Era Romântica ou Moderna.

ERA MEDIEVAL

      Iniciou-se por volta 1148 ou (1198 ?) com o texto mais antigo da literatura portuguesa, segundo a tese de Carolina Michaelis, a Canção da Ribeirinha, (também conhecida por Canção de guarvaia), de Paio Soares de Taveirós.

      Esse período prolongou-se até o ano 1527, quando Sá de Miranda retorna da Itália com ideais renascentistas, então ele introduz em Portugal características do Renascimento.

      A Era Medieval subdivide-se em: Trovadorismo e Humanismo.

→ Trovadorismo – período que compreende, basicamente, os séculos XIII e XIV; reflete a sociedade portuguesa ainda presa aos valores medievais.

→ Humanismo – período tipicamente de transição da cultura medieval para a cultura clássica renascentista; compreende o século XV e os primeiros anos do século XVI.

TROVADORISMO

        O Trovadorismo ou 1°Época Medieval, como já mencionamos, inicia-se por volta de 1189 (ou 1198) – data provável da Canção da Ribeirinha, considerada o texto mais antigo da literatura portuguesa. Esse texto é uma cantiga de amor, escrita na língua galego-português, de Paio Soares de Taveirós; e vai até 1434, com a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, ou ainda, segundo Ricardo Leite,1997, até 1385 – fim da dinastia de Borgonha.

      A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período, como:

• A Europa Cristã;

• A origem das cruzadas em direção ao Oriente;

• Na península Ibérica, batalha contra os mouros;

• O poder descentralizado e a relação entre os nobres determinadas pelo feudalismo;

• O poder espiritual em mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como centro de todas as coisas)

      Então, como sabemos que a literatura reflete a sociedade na qual ela esta inserida, podemos perceber a partir do exposto qual tipo de poesia teremos nesse período, pois como todas as outras artes, a literatura reflete as relações do homem com o mundo e com os seus semelhantes.

Por que o nome Cantiga?

      Todos os textos produzidos nessa época eram acompanhados de música e normalmente cantados em coro, por isso o nome cantiga. É o que afirma Leite:

A poesia não era para ser lida por um leitor solitário. Era poesia cantada (daí o nome cantiga...), geralmente acompanhada por um coro e por instrumentos musicais. Seu público não era, portanto, constituído de leitores, mas de ouvintes. Assim, devemos sempre considerar as cantigas como poesia intimamente ligada à música, própria para apresentações coletivas. (LEITE, 1997,p. 35)
     Denomina-se poesia trovadoresca, as produções literárias escritas em galego-português, no final do século XII ao século XIV, sendo seu apogeu durante o reinado de Afonso III, por volta do século XIII.

     As cantigas são divididas da seguinte forma:

     Gênero Lírico e Gênero Satírico

     No gênero lírico encontramos as cantigas de amor e de amigo. Já no gênero satírico, temos a presença das cantigas de escárnio e de maldizer.


     A cantiga de amigo fala de um amor que viajou, não sabemos se foi para a guerra ou outro lugar, isso é percebido por meio do sofrimento do “eu-lírico”, a moça, (camponesa) no texto, que chora a partida de seu namorado.

      Além disso, há um desespero da jovem, quando ela diz: “... Não posso onde não voz vejo, viver, bem o podeis crer...”, aqui, fica evidente, uma ameaça de morte, pois sua vida não tem sentido sem o seu amor.

      
      A cantiga de amigo possui suas características próprias, como:


→ autoria: masculina (o trovador);

→ sentimento: feminino, é a mulher quem fala (voz lírica feminina);

→ espaço: campos, a moça é sempre uma camponesa (expressão da vida campesina e urbana), essa poesia reflete a sensibilidade e a visão de mundo, sofrimento das populações desfavorecidas, dessa camada social;

→ a mulher: é um ser real, concreto, (realismo), assim, essa poesia desenvolve a temática do amor dentro de uma perspectiva realista, ou seja, fatos comuns da vida cotidiana, por exemplo, a saudade de um amigo ausente (tratamento dado ao namorado), a moça que se prepara para encontrar com um amigo na romaria ou no baile, o medo desse amigo não retornar da guerra, etc.

→ a moça sempre confessa seu amor à mãe, aos pássaros, às árvores, entre outros.

→ Essa cantiga é de inspiração popular, originou-se na comunidade rural, complementando a dança e o canto coletivo dos ritos agrícolas. Assim, as formas de versos mais simples, com temas rurais e primitivos, fazem parte da cantiga d’amigo, isto é, possui uma simplicidade tanto temática quanto formal.

→ Quanto ao aspecto formal, por repetir muito, chamamos esse recurso de paralelismo e refrão, isso pressupõe a existência de um coro. Esse texto poético apresenta pouca relevância, sendo pobre de palavras e de idéias.

      Segundo Salvatore, “A repetição simétrica dos versos e o acompanhamento da música, do canto e da dança conferem a cantiga de amigo um aspecto mais dramático do que propriamente lírico.” (Salvatore, p. 201)

      É como menciona Cardematori, “Uma quantidade representativa das cantigas é inspirada na vida popular rural, e dista consideravelmente da poesia cavalheiresca. Inspirada. Inspira-se na moça que vai lavar a roupa ao rio, na que lava na fonte seus cabelos, na que, no ambiente doméstico, conversa com a mãe e com as amigas.” (Cardematori, p. 14)

      Recapitulando, a cantiga de amigo reflete a vida no campo, retratando a realidade dessas pessoas da zona rural, possui como cenário: fontes, rios, árvores, flores e, como personagens: moças, jovens pastores ou agricultores, que confessam seu sentimento a alguém. Esse sentimento gira em torno do amor: descoberta do amor, amor a um amigo (namorado) que está ausente, abandonou, viajou ou foi para a guerra. Assim, é a tristeza, a decepção, a espera, a incerteza, a alegria do retorno do amigo.

      Nessa perspectiva, o “eu” pomático é sempre uma mulher, pois na realidade campestre, o homem sempre está ausente, seja trabalhando, seja para a guerra, seja para a romaria, enquandto a mulher é o elemento estável.

    
      Cantiga de amor

       A cantiga de amor possui um sistema de vassalagem, e isso é natural, já que está no período da Idade Média.

      O trovador presta vassalagem a sua dama, a qual é uma mulher superior a ele financeiramente, e não só isso, mas também é casada, assim, o trovador jamais revela o nome dela, ou seja, a mulher é um ser idealizado, que em hipótese alguma chegará ao seu alcance.

Como na cantiga de amigo, a cantiga de amor possui algumas características peculiares, como:

→ A autoria é masculina;

→ O sentimento é também masculino;

→ O espaço é sempre o palácio;

→ A mulher é um ser superior, idealizado, casada;

→ O “eu lírico” trovador sofre tanto que deseja até a morte.

→ O trovador presta vassalagem a sua dama, “amor cortês”.

Leia mais sobre Trovadorismo no endereço:

http://www.scribd.com/doc/3374045/Literatura-Aula-01-Introducao-e-Trovadorismo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.

D’ Onofrio, Salvatore. Literatura Ocidental - autores e obras fundamentais. São Paulo: Editora Ática, 1990.

LEITE, Ricardo. Novas palavras: literatura, gramática, redação e leitura. São Paulo: FTD, 1997.


TERRA, Ernani. Curso prático de língua, literatura & redação/ Ernani & Nicola. - São Paulo: Scipione, 1997.










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