Temblante para blog







Pesquisar este blog:

IPRIMIR

Print Friendly and PDF

domingo, 17 de janeiro de 2010

WALLON NA ESCOLA: HUMANIZAR A INTELIGÊNCIA


      Henri Paul Hyacinthe Wallon nasceu em Paris, França, em 1879 e faleceu também em Paris, em 1962. Desde cedo se dedicou aos estudos, formou-se em Medicina, Psicologia e Filosofia. Mas sua grande paixão era a educação, e fez dessa paixão sua vida, e a partir disso foi muito conhecido na França, onde ocupou cargos muito importantes na área da educação. Wallon criou um laboratório de psicologia biológica da criança, desenvolveu a Educação Nova, uma espécie de diretrizes, como a nossa, diretrizes e bases da educação.
      Assim, ao longo de toda a sua vida, ele procurou conhecer o desenvolvimento da infância e os caminhos da inteligência nas crianças. Sua teoria valorizava muito mais que um cérebro, pois para ele o desenvolvimento da inteligência é muito mais que isso, ou seja, numa relação de ensinoaprendizagem, o educador não deve valorizar apenas erudição e memória, faz-se necessário os aspectos que envolvem afetividade, movimento, inteligência e a relação do eu com o outro.
      Enfim, a teoria Walloniana prega a formação integral da criança, isso parece comum, mas em sua época provocou uma revolução, dizer que apenas um simples cérebro não era importante para o desenvolvimento intelectual e pensar na formação integral do ser humano. Isso quer dizer que o estudioso foi o primeiro a levar não apenas o corpo da criança para a sala de aula, mas levar em consideração as emoções dessa criança.
      Então, ele fundamentou suas idéias em quatro elementos básicos, que na verdade, se completam, como: afetividade, movimento, inteligência e a formação do eu como pessoa.
      De acordo com o autor, afetividade “refere –se à capacidade, à disposição do ser humano ser afetado pelo mundo interno e externo por meio de sensações ligadas a tonalidade agradáveis ou desagradáveis”. Em sintonia com esse pensamento, diz Heloysa Dantas, estudiosa da obra de wallon há vinte anos, para ela, “a raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos ganham função relevante na relação da criança com o meio.”, isto é, a afetividade, que no contexto da psicologia é (“o conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos, paixões, acompanhadas sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza”.) , é um dos sentimentos mais importantes para a formação do indivíduo.
      E, movimento, segundo a teoria de Wallon, “as emoções dependem fundamentalmente da organização dos espaços para se manifestarem”. Dessa maneira, ele critica a relação da organização em sala de aula, onde o educador quebra a relação de movimentação, na classe, as crianças não podem se movimentar, devendo ficar em carteiras, quietas, isso para ele, limita a fluidez do pensamento e da emoção que são tão importantes para o desenvolvimento completo do ser humano.
      Quanto ao seu pensamento a respeito da inteligência, assim diz o autor, que o desenvolvimento cognitivo está em consonância com a capacidade de diferenciação que as crianças criam com a realidade exterior, ou seja, a relação entre o mundo interno; seus sonhos, fantasias, e o mundo externo; repleto de regras, códigos, conceitos, símbolos da nossa cultura. Então, é na resolução de seus problemas que a inteligência da criança evolui.
      Já em relação ao seu último pensamento, a relação do eu e o outro, Wallon afirma que essa construção do eu depende fundamentalmente do outro, seja como oposição, seja como referência. Dessa maneira, é essencial ter o outro nessa construção da identidade do ser, até mesmo, quando a criança faz oposição ao outro, ela está construindo a sua própria personalidade, para o autor em estudo, isso é comum entre as crianças de 3 anos. Nesse momento, ele cita quatro elementos nessa relação, como, oposição, imitação, sedução, manipulação.
      Depois de conhecermos a teoria de Wallon o que podemos pensar para a sala de aula, no processo de ensinoaprendizagem?
      A contribuição de Wallon para a sala de aula pode ser interpreta como uma educação mais humanizadora, que leva em consideração as emoções, afetividade, movimento , espaço físico, que pensa no educando de forma completa, onde o ser está em primeiro plano, ou seja, valorizar as emoções desde cedo, observar a pessoa como um todo. Além disso, vale salientar que ele criticava o método de reprovação, isso ao seu entender era uma forma de exclusão, negar, expulsar, ou melhor, “a própria negação do ensino”, nenhum aluno deve ser reprovado em uma avaliação escolar, pois reprovar é sinônimo de expulsar, e o papel da escola é formar integralmente a criança, intelectual, afetivo e social.
      Sua obra faz uma resistência contumaz aos métodos tradicionais, as quais valorizavam apenas o erudito e a memória, e ele veio dizendo que não é apenas isso que desenvolve a inteligência das crianças, mas conjunto, afetividade, movimento, o eu e o outro e a inteligência, enfim, a construção completa do ser humano.
      Um exemplo, só para sentir a teoria de Wallon, em sala de aula, na leitura de um livro, podemos deixar os alunos à vontade, sentados, deitados ou mesmo fazendo coreografias da história contada pelo professor , isso é muito importante para desenvolver a fluidez do pensamento e da emoção. É necessário conhecer as idéias de Wallon em um tempo tão complexo, que não tem como foco principal a construção do ser, e sim o ter. É primordial abordarmos ideias mais humanizantes na escola.
Recados para Orkut




Indique este blog a um amigo.