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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

REALISMO

          Este movimento surge para enfatizar ainda mais a superação das diferenças entre o clássico e o romântico. O pintor Gustave Courbet, no ano de 1847, define o significado deste movimento: “realismo integral, abordagem direta da realidade, independente de qualquer poética previamente constituída.” (ARGAN, p 75.) Ele não nega a influência dos mestres do passado, mas busca uma adequação do mundo ao aqui e agora, bem como uma libertação da regras artísticas que impeçam a percepção imediata do mundo.










Gustave Courbet ( França, 1819- 1877)
O atelier do Artista: uma alegoria. 1855; óleo s/ tela, 361 x 598 cm
Musee d’Orsay. http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/courbet/


Os realistas, como Corot ou Daumier, buscam mostrar o mundo do modo como é percebido por eles, pintam pessoas simples, sem a grandeza das cenas que representavam a riqueza ou a grandiosidade de espírito dos homens nobres.

Daumier, Honoré (1808-79). French
The Third-Class Carraige
1863-65 (150 Kb); Oil on canvas, 65.4 x 90.2 cm (25 3/4 x 35 1/2 in)
The Metropolitan Museum of Art, New York
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/daumier/
"O vagão de terceira classe"



Jean-François Millet (1814-1875) foi um dos precursores da pintura realista na Europa. A pintura do Realismo retoma os estudos de luz e sombra das escolas clássicas, no entanto seus temas são contemporâneos, como o trabalho no campo e na cidade. Nesta que é uma de suas obras mais conhecidas, Millet retrata as mulheres que recolhiam as sobras da plantação, depois da colheita. Esse tipo de trabalho era considerado um dos piores no campo, mas Millet capta dele a beleza e harmonia dos movimentos.

Esta obra de Courbet é uma das mais representativas do realismo. As expressões das figuras femininas com a paisagem são responsáveis pela sensualidade da cena. Anos mais tarde, cenas como essa, retratando o cotidiano de burgueses, seriam a principal inspiração para os impressionistas.








quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ROMÂNTICO E NEOCLÁSSICO

Introdução

O estudo da arte moderna, ou seja, a arte produzida na primeira metade do século XX, necessita de uma análise detalhada do contexto histórico e social que o precedeu. Será aqui abordado a partir das obras de alguns artistas que abriram o caminho para a percepção de um novo mundo transformado pelos processos de industrialização. Os movimentos artísticos gerados a partir da Revolução Francesa são fundamentais para a compreensão das alterações ocorridas no século XX, pois “revolucionam radicalmente as modalidades e finalidades da arte” (ARGAN, 1996. p.185)
Estes artistas, que abriram as portas para a modernidade, viveram em um período de transformações e foram guiados pelas descobertas provindas das teorias de Karl Marx, Albert
Einstein e Sigmund Freud. É importante também, quando visamos estruturar a análise artística em relação pontuar a influência do filósofo alemão Friedrich Nietzsche para o pensamento moderno.
A dificuldade de se estruturar este estudo de forma linear, como foi possível na antiguidade, se deve ao fato das constantes transformações na sociedade que permitiam distintos pontos de vistas, os quais eram explorados por pequenos grupos de artistas ou ainda desenvolvidos em
pesquisas individuais. Os “ismos” se sucedem à exaustão, ao mesmo tempo e em diversos países, num movimento de ir e vir ao mesmo tempo contraditório e complementar.

ROMÂNTICO E NEOCLÁSSICO

Estes movimentos aconteceram e foram teorizados entre a segunda metade do século XVIII e a primeira metade do século XIX, quando surge a Estética e a Teoria da Arte. Os procedimentos artísticos ficaram mais próximos de uma filosofia que põe sua ênfase na análise entre a produção de arte e a reflexão sobre o mundo no qual esta arte se insere.
Romantismo e Neoclassicismo são duas concepções diferentes de mundo que se associam e se integram a duas mitologias opostas, numa evidente relação dialética. O modo clássico de ver o mundo se relaciona com o mundo antigo greco-romano e estabelece uma relação clara e positiva com a natureza e sua possível ordenação. A maneira romântica de perceber a vida aproxima-se da visão do período medieval, mais especificamente dos períodos românico e gótico, onde a natureza representa uma força aterradora e misteriosa.

Este processo de análise de suas características gerou uma espécie de autonomia da arte, vista como um elemento essencial para os movimentos sociais e culturais. Há uma influência evidente do Iluminismo, que trata a natureza como o ambiente no qual a existência humana se insere. A ideologia, pensada como uma imagem ideal que se forma na mente, faz com que, salvas as diferenças, o clássico e o romântico pertençam a um mesmo ciclo de pensamento que se divide em três fases:

Primeira Fase
Pré-Romântica

As obras de arte são permeadas pela poética do sublime e do horror. Como exemplo, podemos citar os pintores: Constable e Turner.









John Constable ( Inglaterra, 1776 – 1837)


"O Cavalo Saltando", 1825
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/constable/leaping-horse.jpg











Joseph Mallord William Turner ( Inglaterra, 1775 -1851)
Castelo de Norham Castle, amanhecer (c.1835/ 1840)
óleo s/ tela, 78 x 122 cm, Clore Gallery for the Turner Collection, London
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/turner/


Segunda Fase
Neoclássica

Coincide com a Revolução Francesa e o Império Napoleônico. O artista mais celebrado do período é Jacques-Louis David e entre suas pinturas mais conhecidas estão O Juramento dos Horácios e A Morte de Marat.










David, Jacques-Louis David (França, 1748-1825)
A morte de Sócrates
1787; óleo s/ tela, 129.5 x 196.2 cm, The Metropolitan Museum of Art,
New York, http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/david/














David, Jacques-Louis David (França, 1748-1825)
O assassinato de Marat
1793; óleo s/ tela, 165 x 128.3 cm
Musees Royaux des Beaux-Arts de Belgique
http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/david/


Terceira Fase
Romântica

Acontece simultaneamente aos movimentos que definira geograficamente alguns países europeus. Eugene Delacroix, com a Liberdade Guiando o Povo é seu representante mais reconhecido. Ingres é o pintor que nos permite compreender que estes três períodos se entrelaçam, mostrando em suas pinturas uma estreita relação entre classicismo e romantismo. Considera-se, não obstante, que o espírito romântico é o mais relevante como tomada de posição frente aos destinos da história da arte.











Eugene Delacroix ( França, 1798 a 1863)
A Liberdade Guiando o Povo, 1830, óleo s/ tela, 260 x 325 cm
Museu do Louvre, picasaweb.google.com/.../rNfX3kgswXFItMv_NixvXA














Jean-Auguste-Dominique Ingres (França,1780-1867)
A banhista de Valpincon,1808; óleo s/ tela, 146 x 97.5 cm
Museu do Louvre, http://www.ibiblio.org/wm/paint/auth/ingres/


ATENÇÃO


Caro leitor,


Esse texto faz parte do material que fiz do curso EAD _ EXTENSÃO: “História da arte: por entre as tramas do Moderno e do Contemporâneo”. Os direitos autorais são reservados às professoras Cristina Mendes e Josélia Salomé, estas fazem parte do corpo docente da Universidade TUIUTI do Paraná. Caso tenha interesse no curso procure o site da Universidade – curso de extensão.


ANÁLISE DE OBRAS DE ARTE

“GAROTA SENTADA EM CEMITÉRIO”, Eugene Delacroix – 1824


        O rosto da moça na pintura ao lado não é sereno. Há nele apreensão, um misto de medo e  espanto. Essa expressão parece ser motivada por algo que nós, observadores do quadro, não conseguimos ver, pois estaria fora dele, à esquerda da garota, algo para o qual ela olha fixamente. O domínio da emoção é claro em toda a obra. Note-se que o cenário é um cemitério; ao fundo podem-se avistar ciprestes, árvore que é associada à morte. O céu está carregado e nuvens se adensam no horizonte. A pintura foge aos padrões clássicos de equilíbrio: além de o rosto da figura estar tomado por forte tensão, suas roupas e seu cabelo estão em desalinho; um de seus braços pende, o outro está flexionado. Tudo isso reflete características próprias do Romantismo.



"A PÁTRIA", Pedro Bruno, 1919


A tela reproduzida ao lado é uma maravilha alegórica da construção da pátria. Mulheres, no interior de sua casa, zelando pelas crianças, costuram a Bandeira Nacional. Há na pintura todo um simbolismo que relaciona o lar à pátria. As figuras femininas tecem e zelam pelo porvir, alimentando com suas mãos anônimas.
O bebê deitado no chão se entretém com uma estrela da bandeira, a garotinha em pé abraça o coração da bandeira, comungando com ela. O Romantismo brasileiro foi o movimento artístico que primeiro teve como característica marcante o nacionalismo, posto ter sido a primeira escola a ocorrer depois da Independência.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS


OLIVEIRA, Clenir Belllezi de.Romantismo – poesia e prosa. Literatura sem segredos. São Paulo, volumes. 3 e 4,  p. 67 - 99. 2007.












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