Temblante para blog







Pesquisar este blog:

Carregando...

IPRIMIR

Print Friendly and PDF

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ROMANTISMO


ROMANTISMO



O Romantismo ocorreu em um momento muito peculiar da História do Ocidente. O liberalismo derivado da filosofia iluminista do século XVIII legou uma mentalidade política segundo a qual os governos deveriam existir em benefício dos povos. Esse fato, associado ao esgotamento do absolutismo monárquico e do sistema colonialista nas Américas, gerou uma série de consequências importantes: na Europa, rebeliões burguesas contra o poder centralizado dos reis; no Novo Mundo, as colônias levantaram-se contra o domínio europeu.
Na segunda metade do século XVIII, realizou-se uma expressiva transformação na vida cultural do Ocidente, com o surgimento da burguesia e, com ela, do individualismo e da valorização da originalidade, inviabilizando a concepção de estilo como comunidade espiritual. Rompendo com as prerrogativas culturais da aristocracia, a burguesia tem no Romantismo a legítima expressão do sentido burguês da vida e um meio eficaz na luta contra a mentalidade aristocrática, classicista e propensa ao normativismo que pretende estabelecer, com antecipação, o que é universalmente válido e valioso.
Há uma particularidade nessa relação entre classe e estilo: até a época em que surgiu o Romantismo, a classe média almejava apropriar-se da linguagem artística das classes dominantes, como se pode verificar em relação ao Neoclassicismo. A partir da ascensão da burguesia, esta, tornando-se rica e influente, manifesta um padrão artístico próprio, através do qual opõe à aristocracia sua peculiaridade e afirma sua própria linguagem, que se impõe por oposição aos padrões aristocráticos: trata-se de uma linguagem que, à frieza da inteligência, contrapõe a emoção e o sentimento; à opressão rigorosa das regras artísticas opõe a insubordinação do gênio criador. O surgimento da burguesia como classe ascendente e a manifestação do espírito constituem romântico constituem fenômenos inseparáveis.
O individualismo, característica mais marcante do Romantismo visto por Arnold Hauser como um protesto contra uma ordem social em que o homem se aliena, cumprindo funções onde ele é anônimo. A partir do Renascimento, o homem ocidental tornou-se consciente de sua individualidade; porém, uma consciência como exigência e como protesto contra a despersonalização no processo cultural não existe antes do Romantismo. O conflito entre o eu e o mundo, o cidadão e o Estado, é anterior ao Romantismo. Contudo, nunca antes desse momento o antagonismo existiu como consequência do caráter individual do homem em conflito com o coletivo.
Assim como o individualismo, o destaque às emoções presta-se à burguesia como meio de expressão de sua independência cultural em relação à aristocracia. A valorização das emoções e dos sentimentos de um homem pertencente a uma classe por tanto tempo desprezada age como um resgate da minimização sofrida. Por essa razão, quanto mais baixa fosse a camada burguesa, mais o culto aos sentimentos funcionava como compensação aos fracassos da vida prática.
A apreciação da repercussão do Romantismo só pode ser feita tendo-se em vista que, nesse momento, cria-se, a rigor, o público leitor. A antiga aristocracia cortês não constituía propriamente um público leitor. Os poetas, nas cortes, eram servos prescindíveis, mantidos muito mais para prestígio dos senhores do que pelo valor de sua produção artística. Mesmo assim, os destinatários da literatura eram alguns poucos nobres desocupados. Além disso, a educação da mulher como leitora só se iniciara no século XVIII. Por essa razão, o Romantismo conta com um público novo para uma arte nova, produzida por uma classe em ascensão que assume como sentimental e exaltada, em oposição a uma aristocracia reservada e contida. Em decorrência, a intimidade e o emocionalismo convertem-se em critérios estéticos e o sentimento passa a ser garantia de receptividade do artista por parte do público.
Do mesmo modo, o moralismo da burguesia existe em oposição aos costumes na vida da corte. A simplicidade, a honradez e a piedade constituem-se em protestos contra a frivolidade e a prodigalidade da vida cortês, com o agravante de que esse padrão de vida dos aristocratas era sustentado pelo trabalho anônimo do burguês.
O individualismo, o emocionalismo e o moralismo são, segundo esse prisma, as características marcantes do Romantismo. A estas, acrescenta-se mais tarde a propensão â melancolia e ao pessimismo. O homem romântico sofreu a discrepância entre o sonho e a realidade, vítima do conflito entre as ilusões e a trivilidade da vida burguesa.
Como decorrência do individualismo, a luta pela liberdade é outro traço marcante do estilo e essa luta se trava, principalmente, contra o princípio da tradição. A desconsideração das imposições da autoridade e das restrições das regras é o princípio fundamental da arte moderna: A submissão do artista a um grupo de autoridade reconhecida em assuntos de arte, de quem ele não só aceitava julgamento como demandava apreciação sobre sua obra, tradição que se iniciou com os humanistas, acaba no Romantismo. É, ainda, pelo individualismo que o romântico se apresenta como um homem só. Produz uma arte que não se rege por critérios objetivos, mas obedece a critérios próprios, arte de expressão peculiar que fala de uma realidade particular.

O Romantismo representou um dos estilos mais importantes na história da mentalidade ocidental. O direito do autor de seguir seus sentimentos, nunca antes; na história da arte, havia sido incondicionalmente acentuado, e jamais tinham sido tão enfaticamente desprezados o auto-domínio, a razão e a sobriedade. Por esse seu caráter contestador e revolucionário, o Romantismo desempenha um papel determinante na história da arte. A sensibilidade, a audácia, a anarquia e a sutileza da arte de hoje procedem da rebeldia romântica.
A esse aspecto prospectivo do estilo contrapões-se o interesse pelo passado. Os românticos buscavam analogias na história e inspiração em fatos e personagens de outras épocas. Os neoclássicos estiveram voltados para a Antiguidade, onde buscavam inspiração e padrão. Os românticos, porém, quando se voltavam ao passado, não é em busca de modelos, mas por sedução pelo remoto, tentativa de fuga do presente. O passado atrai pelo exótico, por estar distante. É pela mesma razão, pelo desejo de escapar ao circunstancial, que se manifestam no Romantismo o sonho, a loucura, a utopia, as reminiscências de infância.

O Neoclassicismo se sentiu dono da realidade; o romântico sentiu-se indefeso perante ela, por isso a desprezava ou a supervalorizava, sem conseguir jamais uma identificação. Contudo, a atração pelo passado foi decisiva para o surgimento de novas concepções que apreendem cada elemento de uma sociedade em sua relatividade e determinação histórica.
Encontramos a sedução pelo remoto espacial e temporal, ou seja, o desejo pela fuga do mundo real para um mundo de exceção, onde a subjetividade possa se estender. No ambiente “unicamente nosso”, há lugar para o remotismo espacial presentificado pelas “belas reminiscências de nossas viagens” e para o remotismo temporal que cultiva “as ruínas seculares em que as gerações que morreram falam ao futuro pela voz do silêncio”. Ressalte-se, ainda, como característico da tendência, o culto à natureza o lugar do retiro. É igualmente significativa a expressão “berço de relva” com que o romancista evoca, juntamente, a infância e a natureza como remanso. Outra expressão que merece destaque é “suspenso entre o céu e a terra”. O romântico é impregnado por uma visão maniqueísta da vida, ou seja, concebe o mundo como cenário de disputa de dois princípios opostos: o bem e o mal. Essa visão age na tipificação das personagens, identificadas como um ou outro princípio.
E relação à mulher, essa dicotomia fará com que surjam, nos textos românticos, a mulher santa, assexuada e digna de amor que será a mãe, a irmã e aquela que, com estas, possa ser assemelhada —, e a mulher satânica, a que se dirige o desejo e cuja voluptuosidade torna ameaçadora e nociva.
Afirmado o relativo contra qualquer tendência absolutista, o Romantismo valorizou os fatores locais, fazendo do nacionalismo um traço decisivo do estilo. Usando como afirmação da identidade nacional no processo de autonomia literária, correspondeu, no Brasil, no plano artístico, à nossa liberdade política. Com o Romantismo, o tema local ganha proeminência e cabe às descrições darem conta da exuberância da paisagem e da curiosidade e peculiaridade dos costumes do País.
Na ampla abrangência internacional do Romantismo, ouve sempre prevalência dos caracteres locais, individualizando o estilo nos diversos países em que se manifestou e fazendo da arte expressão do temperamento poético nacional. O autor busca a captação da atmosfera local, seja exterior ou interior. Essa é uma notação específica a que Machado de Assis chamou de “instinto da nacionalidade”, manifestando, através do primeiro plano conferido aos assuntos=, expressões e tipos locais.
Buscando o específico do Brasil, o autor brasileiro descobriu no índio um símbolo plástico e poético, capaz de conferir expressividade ao romantismo nacional. O índio foi tratado com dignidade e soberania que possibilitassem a substituição da mitologia clássica. Devido a esse caráter simbólico, o índio romântico não apresenta densidade ou correspondência ao real. Trata-se de uma individualização nacional, afirmação da autonomia estética e política brasileira.
O romance de Stendhal (1783-1842) e de Honoré de Balzac (1799-1850), a poesia de Victor Hugo (1802-1885) e Holderlin constituem expressões maiores do Romantismo europeu. No Brasil, ressalta a poesia de Gonçalves Dias (1823-1864) e de Castro Alves (1847-1871), e a narrativa de José de Alencar.

ROMANTISMO

ü Influência ideológica :
burguesia ascendente

ü Características:
individualismo
valorização das emoções
moralismo
antitradicionalismo
melancolia
remotismo espacial e temporal
valorização da imaginação
culto à natureza
nacionalismo


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.
































































Nenhum comentário:

Indique este blog a um amigo.