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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

REALISMO

Em tempos de efervescência científicas e filosóficas, acompanhadas de convulsões sociais e de profundas mudanças econômicas, era natural que a arte não permanecesse atada à subjetividade romântica. Era necessário um compromisso maior com a realidade objetiva, para combater o idealismo da escola antecessora.

REALISMO

Na segunda metade do século XIX, a aristocracia européia já havia desaparecido da cena dos acontecimentos históricos, enquanto a burguesia desfrutava plenamente seu poder. O triunfo desta classe torna-se indiscutível, assim como sua evolução dentro do capitalismo e para a visão conservadora do mundo. Arnold Hauser observa que, até então, as lutas de classe do proletariado fundiam-se com as da burguesia porque, basicamente, as aspirações eram as mesmas. Com o despertar da consciência de classe do proletariado, por volta de 1830, inicia-se a separação das duas classes e, parcialmente, surge um movimento artístico ativista que põe em crise, por primeira vez, a arte pela arte, e exige utilidade social da manifestação artística.
Algumas teorias marcam decisivamente o período: o determinismo de Taine, segundo o qual a arte era o produto determinado pela raça, pelo meio e pelo momento; o positivismo de Augusto Conte, para quem a explicação do homem e do meio deveria ser buscada nas leis naturais, com base na observação, nas experiências e na comparação; o evolucionismo de Charles Darwin, que postula ser a seleção natural da transformação das espécies.
O cientificismo preponderante no pensamento, somado à industrialização progressiva e à vitória do capitalismo, cria o ambiente onde se deflagra o combater que se estenderá, por muito tempo, contra o sentimentalismo romântico, o tom confessional das obras, o convencionalismo da linguagem do Romantismo. A literatura produzida passa a apresentar as características das concepções em voga nesse período: busca a objetividade, crê na razão e preocupa-se com o social. A essa tendência, oposta ao idealismo romântico, dá-se o nome de Realismo, estilo que pretende fixar-se no real e no homem comum, assoberbado por problemas e rotineiros. A personagem realista, por sua vez, não se distingue por virtudes e faculdades especiais, e assim carrega em si toda a contradição da natureza humana.
Sendo a ciência considerada o único meio legítimo de conhecimento, não há, nesse momento da história da arte, lugar para a metafísica. A realidade, segundo a mesma concepção, subordina-se às leis orgânicas. O mundo e o homem estão em igualdade de condição e sujeitos às mesmas finalidades. Fatos psicológicos e sociais são considerados manifestações materiais. Em face disso, as personagens das narrativas serão determinadas por uma lógica rigorosa de causa e efeito. Não se encontra, na literatura realista, personagens originais e surpreendentes: os perfis são passíveis de serem explicados lógica e cientificamente, assim como as ações se explicam pela determinação de fatores atávicos e sociais.
Mesmo não havendo lugar para a metafísica, busca-se uma verdade para além dos fatos, assim como valores morais e estéticos que caracterizarão essa literatura como sendo de ação moralizadora. A descrição minuciosa que o escritor realista busca fazer da realidade é atravessada pela preocupação moral de detectar os vícios da sociedade. Com esse intuito, as mazelas da sociedade burguesa, tão bem mascaradas pelo otimismo da narrativa romântica, vêm à cena, revelando distúrbios e conflitos inéditos ao leitor do período anterior. A narrativa romântica apresenta como vitorioso até mesmo o fracasso da sociedade no embate contra a realidade. Na narrativa realista, ao contrário, mesmo quando o herói atinge seus objetivos práticos, é apresentado como vencido para o leitor. No Realismo, por primeira vez, revela-se o conflito do herói com a ordem social burguesa.
Por essa época, passa a ser norma julgar uma obra literária a partir de sua relação com os problemas da atualidade política e social.
A arte se subordina aos ideais de melhoria da sociedade e, exceção feita a um pequeno grupo que ainda defende a arte pela arte, a estética formal, sem propósitos de utilidade, não é cultivada. O Romantismo continua existindo, mas evolui do misticismo e da alienação para um ativismo político posto a serviço dos interesses populares.
Os termos “Realismo” e “Naturalismo” frequentemente se confundem, sendo que alguns autores fazem referência ao “Realismo-Naturalismo”como o estilo da segunda metade do século XIX. Há aqueles que veem o Naturalismo como um Realismo a que se acrescentam certos elementos, particularizando um estilo com identidade própria. Nessa linha, diz-se que, enquanto o Realismo apresenta uma visão biológica, o Naturalismo tende à apresentação patológica do homem. A verdade é que a fronteira entre os dois é pouco nítida, havendo propostas, como a de Hauser, de se denominar Naturalismo à totalidade de movimentos artísticos que a partir de 1830 manifestaram-se no Ocidente, e que seja reservado o conceito de Naturalismo para a filosofia oposta ao idealismo romântico. Portanto, a filosofia é que seria realista; a arte seria naturalista. Se essa observação é interessante, não encerra, contudo, a questão, que pode se revelar um falso problema, se levarmos em consideração as constantes ideológicas da época.
O que caracteriza o período é a vitoria da concepção de mundo própria das ciências naturais e do pensamento racionalista e tecnológico sobre o idealismo e a tradição romântica. Por decorrência deriva seus critérios para a construção de um mundo ficcional regido pela probabilidade científica. A verdade psicológica das personagens baseia-se no princípio de casualidade, a criação do ambiente apóia-se no princípio de que tudo que ocorre é determinado por condições e motivos e que a correta observação depende da atenção dada aos pormenores, tal como o faz o cientista natural.
O termo “Naturalismo” não deve conduzir ao equívoco de pensar-se que o foco de atenção desse estilo seja a natureza. O que centraliza o interesse é a vida social, esse é o setor da realidade priorizado pelo estilo. Busca-se descrever a estrutura da sociedade contemporânea em todas as suas peculiaridades, identificando os interesses, as revalorizações e as mudanças sociais. A origem do romance social data dessa época.
No Realismo são empregados termos, expressões que antes não teriam livre trânsito na literatura. Agora, prestam-se à revelação de um tipo social e de um vício da sociedade regida pelo capitalismo, revelando que nem tudo está bem na sociedade burguesa. Relaciona-se a isso o compromisso político do escritor, que não quer apenas conhecer a realidade, mas contribuir para modificá-la.
A preocupação em conhecer a sociedade e revelar seus conflitos torna essa literatura analítica, descrente e desmistificadora. Enquanto o romantismo apresentava uma idealização do comportamento em personagens estereotipadas e com escassa densidade existencial, a investigação psicológica realista impedirá a idealização. Do mesmo modo, a retórica inflamada, que apelava para a emoção do leitor, cede lugar à contenção vocabular, à desconfiança da eloqüência. Madame Bovary, romance de Flaubert (1821-1880), é a grande expressão do realismo europeu. E, por ironia, a desilusão da personagem-título encontrou grande receptividade por parte do público burguês — justamente a classe que o escritor francês denuncia, de maneira ácida, por todos os vícios românticos que nela detecta. No Brasil, Machado de Assis (1839-1903) e Aluísio Azevedo partilham a maior representatividade da ficção da segunda metade do século XIX.

REALISMO

 Influência ideológica:
— determinismo de Taine
— positivismo de Comte
— evolucionismo de Darwin

 Características do Realismo:
— busca de objetividade
— fé na razão
— preocupação com o social
— concepção naturalista do mundo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.



































































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