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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PARNASIANISMO

O Parnasianismo foi um movimento quase exclusivamente poético, caracterizado, sobretudo, pelo extremo rigor formal, que aconteceu em paralelo à prosa realista/naturalista. O nome dessa escola literária teve inspiração no Parnaso, monte grego que fica ao norte do golfo Fe Corinto e a nordeste de Delfos que, na Grécia Antiga e durante a Antiguidade, foi consagrado ao deus Apolo.
Paralelamente à ficção dita realista e naturalista, a ruptura com a visão de mundo romântica provoca o surgimento de uma tendência poética a que se denomina Parnasianismo. Rigorosos cultores da forma, os parnasianos buscam, com afinco, a palavra que seria “exata” à composição poética. Renegando o tom confessional da poesia romântica, aspiravam à impessoalidade depurada de qualquer subjetivismo.
O estilo parnasiano impõe-se, na França, por volta de 1865, caracterizado por um vocabulário aristocrático, pelo uso de rima e pelo metro perfeito. Impassíveis e impecáveis, os versos parnasianos voltam-se aos fenômenos naturais e aos acontecimentos históricos, numa arte em que predomina a forma sobre o conteúdo, a técnica sobre a inspiração. A imaginação sujeita-se à realidade objetiva; a cor local perde o lugar que havia conquistado no período romântico; pretende-se alcançar o universalismo em que não comporta o exótico.
A arte da composição poética parnasiana foi tributária da correção e da elegância das palavras, assim cômoda clareza sintática. A preocupação em construir versos claros aproximou, em vários momentos, essa poesia da prosa. Contribuiu para isso o desprezo pela musicalidade do poema, tendo sido conferido ao verso um caráter plástico. As aliterações, ecos, homofonias tão buscadas pelo poeta barroco — pelo caráter lúdico dessas associações de som — e valorizadas pelo romântico — pelo apelo emocional de seu uso — passam a ser, no Parnasianismo, demérito à composição. A rima também passa a obedecer a critérios de rigor: apenas a rima consoante é aceita, a rima toante torna-se desprezada.
Na imagística parnasiana são freqüentes as metáforas inspiradas em lendas e histórias da Antiguidade Clássica. Mais uma vez a tradição Greco-roamana torna-se o ideal de beleza, distinguindo-se também nisso os parnasianos dos românticos: estes, em seu romantismo, privilegiavam a Idade Média, vista pelos primeiros como sombria e mórbida.

As principais características do Parnasianismo são: a contenção lírica, o culto da forma e a valorização da arte pela arte.
A contenção lírica é provocada pela busca de uma impessoalidade objetiva, que faz com que a emoção ceda lugar à sobriedade. O temor à exteriorização dos acontecimentos, considerada vulgar, fez com que, em muitas composições, pretendida sobriedade se transformasse em impassibilidade, que marmoriza o verso.
Então temos uma poesia com excessiva preocupação com a técnica. As composições de forma fixa — como o soneto, a balada, o rondó — haviam sido abandonadas no Romantismo para permitir maiores recursos de expressividade ao poeta. Retornam altamente valorizadas no Parnasianismo e, com elas, o verso alexandrino de doze sílabas. O rigor da forma reduz as licenças poéticas, a arte torna-se artesanal, trabalho. Difícil se torna revestir de graça e simplicidade uma peça que a disciplina das formas fixas e o exaustivo controle das combinações sonoras tornou sem espontaneidade, embora revestida de elegância. O poeta, seguindo a concepção do estilo, era um artista com pleno domínio da ideação e da execução do poema, e não um vate, como queriam os românticos pela inspiração provinda de outras esferas.
A arte pela arte, de que já falamos em relação ao Neoclassicismo, é o princípio de que a arte não tem autor objetivo senão a expressividade da beleza. O artista exclui-se da sociedade, vivendo apenas para sua arte. A preocupação social desaparece da poesia.
Leconte de Lisle (1818-1894) e Sully Prudhomme (1839-1907) são nomes expressivos do Parnasianismo europeu. Alberto de Oliveira (1857-1937), contemporâneo de Raimundo Correia, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho passaram à história da literatura brasileira como representante desse estilo.

PARNASIANISMO
 Características do Parnasianismo
— rigor formal
— impessoalidade
— contenção lírica
— presença da cultura clássica
— arte pela arte

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.





































































































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