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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NEOCLASSICISMO

    
NEOCLASSICISMO




O Neoclassicismo foi um movimento cultural nascido na Europa em meados do século XVIII, que teve larga influência em toda a arte e cultura do ocidente até meados do século XIX. Teve como base os ideais do Iluminismo e um renovado interesse pela cultura da Antiguidade clássica, advogando os princípios da moderação, equilíbrio e idealismo como uma reação contra os excessos decorativistas e dramáticos do Barroco e Rococó.








À tentativa de retorno, no século XVIII, aos padrões Greco-latinos dá-se o nome de “Neoclassicismo”. Nesse século, manifestam-se várias tendências ideológicas e estéticas que dificultam uma cômoda definição do estilo da época. Segue-se ao Barroco um período de difusão do racionalismo e de valorização da concepção científica do mundo. Prega-se uma revolução baseada no progresso do conhecimento humano. É época dos enciclopedistas Direrot, Rosseau e Montesquieu, expoentes de uma sociedade voltada para a precisão e para a máquina, e que acredita na melhoria da vida social graças à divulgação do saber. A essa tendência denominou-se “Iluminismo”, cabendo ao termo Neoclassicismo designar a imitação dos clássicos – como Virgílio, Teócrito, Horácio – contrapostos à exuberância barroca. Ainda uma outra tendência existiu paralelamente a essas: o “Arcadismo”. Sem contrapor-se ao Neoclassicismo e ao Iluminismo, o Arcadismo acrescenta-se a essas tendências, evocando a vida pastoril como alternativa saudável para uma vida que o desenvolvimento das cidades tornou intranqüila.

As tendências setecentistas diversificou-se, mas têm em comum a fé na razão e na ciência, o culto à racionalidade e à sensibilidade clássicas. Natureza, razão e verdade estão em relação de correspondência, embasando as manifestações artísticas. A literatura dessa época deveria ser a expressão racional da natureza para ser a manifestação da verdade. Não se trata, é claro, da verdade da ciência, mas uma “verdade possível”, ou seja, exige-se da arte que seja verossímil, segundo os padrões de uma realidade situada além dos limites artísticos. Apoiada nas teorias poéticas de Aristóteles e Horácio, a estética neoclássica considera verossímil o crível, o possível e o provável. Não cabia à fantasia poética deslizar além da inteligibilidade, devendo regular-se, sempre, pelo entendimento racional e pelas regras da natureza. Esta, entendida como “cosmos”, ou seja, como relação harmônica de todos os elementos, é o modelo de equilíbrio que a arte deve reproduzir.

A busca da objetividade conduziu à neutralização da individualidade do poeta. Este passa a recorrer a situações e emoções genéricas nas quais sua emoção se dilua. Marília de Dirceu é o exemplo representativo dessa característica, não particularizando existencialmente o poeta. Para isso, prestam-se alguns recursos como bucolismo, destaque e celebração da vida campestre, aliados ao fingimento pastoril. Nessa época em que se iniciava o desenvolvimento urbano, o campo passa a ser visto como um bem perdido. A poesia pastoril opõe o artificialismo das cidades à paisagem natural. A própria designação “Arcadismo” para uma das tendências da época liga-se à Arcádia, região lendária da Grécia Antiga, habitada por cantores e pastores que encarnavam a simplicidade e a naturalidade do contato direto com a natureza.

Outro recurso para atingir a objetividade pretendida constituía-se na evocação mitológica através de nomes, situações e sentimentos que, pertencendo ao patrimônio clássico, adquirem, na obra, um significado genérico. A escassa dicção pessoal do poeta e o excesso de generalização desse estilo tiveram como consequência uma limitação expressiva que, muitas vezes, tornava os poemas convencionais e monótonos.

A estética da imitação dos neoclássicos não cessa na reprodução do natural. Devem ser imitados, também, os valores e as técnicas dos clássicos. A originalidade, que será tão valiosa para o romântico, não tem valor para esse poeta para quem a conformidade com o modelo antigo constitui-se em motivo de orgulho, pois os clássicos são considerados vencedores de uma prova infalível: a administração da posteridade.




Portanto, a Antiguidade fornece aos neoclássicos a solução para o problema da forma. A recepção é assegurada pelo uso de temas clássicos, mitos e histórias antigas que constituíam, na época, uma linguagem universal, com ressonância assegurada por parte de um público que, sendo leitor, tinha recebido uma educação humanística constituída por elementos da cultura Greco-latina.

A tônica da obra neoclássica é o decoro, o que implica ausência de profundidade. O estilo é elegante e superficial. Tanto em relação à ambientação externa — como à paisagem — quanto à interna — sentimentos e emoções — o neoclássico não desce a profundezas. A paisagem é aberta e tranquila; a alma humana não apresenta surpresa nem mistérios. A natureza, entendida na acepção ampla de “cosmos”, que tudo engloba, é o próprio equilíbrio.

O Neoclassicismo é o estilo de uma burguesia que está surgindo na Europa setecentista, como fruto de transformações econômicas, políticas e sociais. Sendo já uma classe favorecida, a burguesia silencia seus privilégios e se opões a qualquer reforma que possa estender suas vantagens às classes dominadas. Classe em ascensão que, com Voltaire, critica, à luz do conhecimento, a servidão, e, em nome desse mesmo conhecimento, preconiza que a solução dos problemas sociais nas depende de uma revolução social, mas do poder confiado a um soberano esclarecido, a burguesia começa a se apoderar dos meios de cultura: escreve os livros e os lê; pinta os quadros e os adquire. Enquanto no século anterior significava uma parcela muito pequena do público interessado em arte e cultura, passa a ser, no século XVIII, a classe que mantém a cultura.

A concepção burguesa do amor e da vida está expressa em “Marília de Dirceu”, a obra literária mais conhecida do Neoclassicismo brasileiro, de autoria de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). Este, juntamente com Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama, Santa Rita Durão, compõem o grupo mineiro que, beneficiado pelo desenvolvimento econômico de Vila Rica, constitui nela um núcleo intelectual na colônia.

RESUMO

Influência ideológica: — Enciclopedia de Diderot, Rosseau, Voltaire, Montesquieu

Tendências da época: — Neoclassicismo: imitação dos clássicos

— Arcadismo: evocação da vida pastoril

— Iluminismo: difusão do racionalismo

Características: — Predomínio da razão

— Busca da objetividade

— Culto à natureza

— Equilíbrio e sobriedade clássicos

— Presença da mitologia Greco-latina


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.





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LEIA A OBRA NA ÍNTEGRA NO ENDEREÇO:

http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/TomsAntnioGonzaga-MarliadeDirceu0.pdf

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