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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A ARTE BARROCA

         O fato político-religioso que mais contribuiu para o advento da arte barroca foi a Reforma Católica, mais conhecida como Contra-Reforma, resposta da Igreja Romana à adesão européia cada vez mais expressa ao protestantismo, primeiramente de Lutero e depois de Calvino. Essa adesão ocorreu sobretudo nos países com maior concentração de burgueses, ficando a força da Contra-Reforma centrada sobretudo na Europa latina, notadamente Espanha e Portugal, e, além deles, Itália e França.
         Tal movimento consistiu na tomada de uma série de medidas repressivas, tais como a restauração do Tribunal do Santo Ofício, suspenso durante a Renascença, a proibição da venda do perdão de Deus, a censura a publicações, tudo isso sob pena de excomunhão e de morte na fogueira. O auge da Reforma Católica ocorreu 1535 e 1563, durante uma reunião de bispos na cidade italiana de Trento, evento que ficou conhecido como Concílio de Trento.
     As determinações da Contra-Reforma ecoaram repressivamente em toda a produção intelectual e científica do século XVII, estabelecendo um conflito de difícil dissolução: de um lado os valores medievais que tais determinações tentavam resgatar mediante a força bruta, o interrogatório sob tortura: de outro, os valores humanistas e materialistas do Renascimento, que traziam luzes e entendimento para o homem.
       Como conciliar fé e razão; céu e terra; pureza e pecado; Deus e o Diabo; espírito e mataria? O Barroco é, portanto, a arte dos opostos, do dualismo, dos contrastes. Procura conciliar a concepção teocêntrica medieval com o antropocentrismo e o racionalismo propostos no Renascimento.

A LITERATURA BARROCA
         
    O estilo barroco reflete a instabilidade pós-renascentista e expressa a angústia do homem dividido entre a efemeridade do mundo material e a incerteza do mundo espiritual. Não se pode esquecer que era um tempo de ignorância e superstições acirradas pelo medo que assolava o ser humano comum. No Ocidente católico, em especial, o horror ao inferno, a instabilidade sociopolítica do contexto histórico, a miséria que atingia a maior parte da população criavam um clima de incerteza que atingiu todas as artes, inclusive a Literatura.
    Apesar da origem italiana, é na Espanha que o Barroco encontra maior expressividade, especialmente na produção dos poetas Luís de Góngora (1561-1627) e Francisco Gómez de Quevedo (1580-1645)

A LINGUAGEM
         
     A linguagem clássica que antecedeu o Barroco é pautada pelo equilíbrio, clareza e linearidade. Já a barroca é rebuscada, isto é, excessivamente enfeitada; nela predominam a desarmonia, o desequilíbrio, a obscuridade, resultando num estilo exagerado, repleto de figuras de linguagem. Tudo isso é uma tentativa de expressar a angústia e a incerteza do período.

OS TEMAS
         
       O núcleo do questionamento do homem barroco continua atual, já que nem a ciência nem a religião deram as respostas definitivas às questões filosóficas que têm perturbado a humanidade há milênios: quem somos, de onde viemos e para onde vamos?
       
 Preocupações do homem barroco:

î Transitoriedade da vida e dos bens materiais;
î “Carpe Diem”;
î Preocupação com a morte;
î Duelo entre o Desejo e a Castidade;
î “Locus Horrendus”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

OLIVEIRA, Clenir Belllezi de. Barroco. Literatura sem segredos. São Paulo, v. 01, 1°  ed , pp. 05-12, 2007.






sábado, 4 de setembro de 2010

MANEIRISMO

Maneirismo foi um estilo e um movimento artístico que se desenvolveu na Europa aproximadamente entre 1515 e 1600 como uma revisão dos valores clássicos e naturalistas prestigiados pelo Humanismo renascentista e cristalizados na Alta Renascença. O Maneirismo é mais estudado em suas manifestações na pintura, escultura e arquitetura da Itália, onde se originou, mas teve impacto também sobre as outras artes e influenciou a cultura de praticamente todas as nações europeias, deixando traços até nas suas colônias da América e no Oriente. Tem um perfil de difícil definição, mas em linhas gerais caracterizou-se pela deliberada sofisticação intelectualista, pela valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão. É marcado pela contradição e o conflito e assumiu na vasta área em que se manifestou variadas feições.







A palavra maneirismo de “maniera”, que significa estilo, no sentido mais amplo da palavra. O maneirismo é a primeira orientação estilística que considera a relação entre o tradicional e o novo como um problema cultural que desafia a inteligência e dela demanda solução. Estilo com características específicas, dista tanto do Renascimento quanto do Barroco, constituindo-se numa tentativa de pôr em acordo a espiritualidade da Idade Média e o realismo do Renascimento. Nas artes plásticas, Tintoretto, El Greco, Bruegel são representativos dessa tendência de romper com a regularidade e com a harmonia da arte clássica, substituindo o caráter suprapessoal da obra clássica por traços subjetivos. Dissolvendo o objetivismo renascentista, o Maneirismo acentua o ponto de vista pessoal do artista e, ao mesmo tempo, a experiência pessoal daquele que fruirá a obra.

A cisão interna do artista se inicia no Maneirismo. Quando é levantada, por primeira vez, a questão do conhecimento na arte, discute-se o problema da relação desta com a natureza. Para o Renascimento, a natureza era a origem da forma artística; o Maneirismo afasta-se dessa concepção da arte como cópia, postulando que a arte cria, não segundo a natureza, mas como a natureza.

Enquanto na Idade Média as obras de arte tinham uma única interpretação considerada procedente, as grandes criações artísticas passam a receber, a partir do Maneirismo, muitas interpretações possíveis. As obras de William Shakespeare (1564-1616) e de Miguel de Cervantes (1547-1616) são exemplos disso: suas construções simbólicas são o oposto da homogeneidade clássica, cisão entre ser e parecer, Deus e o mundo. Cervantes é um bom exemplo do que seja o entendimento maneirista da vida, vacilando entre a alienação do mundo e o acomodamento racional a ele. Sua famosa personagem, Dom Quixote, é representativa dessa ambiguidade.



É na obra desse grande escritor espanhol que Hauser identifica os traços fundamentais do Maneirismo: a fusão do cômico e do trágico; a dupla natureza do herói, ora ridículo, ora sublime; a alusão do narrador à narrativa como sendo algo fictício; a presença do grotesco; a mescla de elementos realistas e fantásticos no relato; a união dos traços das novelas idealistas de cavalaria com traços picarescos vulgares; o convívio do diálogo cotidiano com recursos retóricos elaborados; o descuido com a execução da obra.

Do outro grande escritor maneirista, Shakespeare, observa Hauser que, apesar de existirem em sua obra elementos renascentistas e barrocos, predominam os elementos maneiristas na mescla de temas trágicos e cômico; síntese de elementos sensuais e intelectuais; na ornamentação da composição; na acentuação do ilógico, do insondável, do absurdo da vida; na concepção da teatralidade da vida; na linguagem carregada de metáforas, assonâncias e jogos de palavras.

O Maneirismo foi um estilo dirigido a um reduzido grupo de intelectuais. Quando sobreveio a Contra-Reforma, movimento de reação da Igreja Católica contra o luteranismo, ele era o estilo predominante. Porém, como não se adaptava aos objetivos da Contra-Reforma, não podendo, portanto, veiculá-la, o Maneirismo cedeu lugar ao Barroco, estilo mais popular e capaz de contribuir para a resolução dos problemas eclesiásticos de então.

A literatura brasileira não apresenta obras maneiristas. Contudo, o fato de nomes maiores da literatura ocidental, com amplo espectro na produção literária posterior a eles, como Cervantes e Shakespeare, terem sido maneirista, impõe o registro e a atenção a esse estilo.



RESUMO

MANEIRISMO

Características

 Tentativa de conciliação das heranças medieval e renascentista

 Fusão do cômico e do trágico

 Dupla natureza do herói

 Presença do grotesco

 Convívio de elementos realistas e fantásticos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.











CANTIGAS MEDIEVAIS

      A história da poesia moderna ocidental inicia, segundo Arnold Hauser em sua “História social da literatura e da arte”, com a poesia cavalheiresca da Idade Média. Depois de um período de três séculos em que a poesia provinha exclusivamente dos monastérios, a poesia cavalheiresca, em pleno teocentrismo medieval, opõe-se ao espírito ascético da igreja, e o poeta profano destrona o clero como produtor de poesia. O surgimento do cavaleiro como poeta constitui um marco tão expressivo e uma novidade tão significativa no cenário medieval que este momento pode ser considerado como decisivo para a história da literatura. Com a poesia cavalheiresca, inicia-se o culto consciente do amor, o destaque à sua importância, e crença de que o sentimento amoroso seja fonte de bondade e de beleza. Sem ter iniciado a temática amorosa, foi, no entanto, a poesia cavalheiresca que deu um novo sentido ao amor na literatura. Desde os clássicos grego-romanos, o motivo amoroso já está presente na produção literária, mas com uma significação distinta daquela que ganha da Idade Média. A ação da “Ilíada” de Homero, por exemplo, gira em torno de duas mulheres, mas não em torno do amor: as personagens femininas são, nessa obra, apenas o motivo da disputa e, como tal, poderiam ser substituídas por algum outro motivo, sem que isso significasse uma alteração essencial. Se considerarmos a outra obra de Homero, a “Odisséia, comprovaremos que, na relação do herói com a personagem feminina Penélope, esta é vista como um objeto de propriedade de seu marido, uma parte dos bens domésticos. Os gregos já haviam descoberto a fascinação das histórias amorosas, como atestam as narrativas de Amor e Psiquê e de Dafne e cloé, mas o tratamento sentimental da inclinação amorosa e a tensão da procura de realização pelos amantes só foram buscados como efeito poético no período medieval.
     Em contraste com a poesia clássica da Antiguidade, a poesia cavalheiresca se caracteriza pelo fato de que nela, o amor, mesmo tendo um aspecto espiritual, conserva seu caráter sensual e seu apelo erótico. Outras peculiaridades dessa poesia em relação ao tema amoroso são a ternura e a intimidade do sentimento, a ansiedade e a devoção à amada, e a ideia de que a felicidade depende do amor. O cortejo à mulher era desconhecido em períodos anteriores, e constitui uma inversão dos costumes do povo, uma vez que as mulheres é que, de fato, cantavam seus apelos amorosos aos homens. Nas canções de gestas, outra manifestação poética medieval, constituída por narrações dos feitos de cavalaria, são ainda as mulheres que iniciam as insinuações amorosas, pois somente a partir do cavalheirismo é que a iniciativa amorosas feminina foi considerada inconveniente.
      Na poesia cavalheiresca, o homem se consome em paixão perante o desdém da amada, e se resigna perante a inacessibilidade do objeto de seu amor. Esse comportamento perante o amor, essa visão não-exigência de uma resposta, a ausência de um objeto tangível e definido para o sentimento serão, muito mais tarde, característica do Romantismo.
       Essa poesia apresenta outras peculiaridades de caráter inovador. Numa época em que a mulher ocupava socialmente um lugar de total dependência, o homem, na manifestação poética, reprimia seu orgulho e sua impetuosidade para mendigar-lhe o direito de confessar o seu amor. Mais surpreendente ainda é, na rigorosa Idade Média, a confissão de um amor frequentemente impregnado de sensualismo, audácia agravada pelo fato de o alvo desse amor erótico ser uma mulher casada, esposa do senhor do poeta.
    Hauser apresenta dados da história social que dimensionam as características referidas. Nas cortes e nos castelos medievais, havia muitos homens e poucas mulheres. Os homens do séquito eram, geralmente, solteiros, e as moças das famílias nobres eram educadas em conventos. Na princesa ou castelã localizava-se, portanto, o desejo.  Sendo essa mulher proibida, criava-se a tensão erótica das cantigas corteses, expressão sublimada do amor.
       A poesia cortês medieval é uma poesia convencional: a amada é dotada sempre das mesmas características, e festejada de uma única maneira, dando a impressão de que o objeto da cantiga não é uma mulher determinada, com traços individuais, mas uma mulher ideal, ou seja, um modelo literário referido de modo uniforme, como se todas as composições fossem obra de um mesmo poeta. Antes de Sr a manifestação do amor a uma mulher determinada, o idealismo do amor cortês, sem disfarçar seu sensualismo, constitui-se numa rebelião contra o mandamento religioso da continência, numa época em que a Igreja detinha o grande poder repressor, conclamando os homens para a negação de seu corpo e de qualquer prazer que não fosse espiritual.
        Outra interpretação a respeito dessas cantigas destaca, especialmente, a relação de classe que fazia com que, na ausência do senhor, o culto e a subserviência se voltassem àquela que, na corte, representava o poder máximo: a senhora. Por essa interpretação, em lugar de amor, o material das cantigas é a dominação do servo por seu senhor e a necessidade de agradá-lo como sobrevivência.
       Nem toda poesia da Idade Média é poesia cortês. Uma quantidade representativa das cantigas é inspirada na vida popular, e dista consideravelmente da poesia cavalheiresca. Inspira-se na moça que vai lavar a roupa ao rio, na que lava na fonte seus cabelos, na que, no ambiente doméstico, conversa com a mãe e com as amigas.
     Os textos literários mais antigos da língua portuguesa são composições poéticas reunidas em cancioneiros de fins do século XII e também dos séculos XIII e XIV. Os cancioneiros são coleções de composições em verso, produzidas em épocas anteriores e conservadas pela tradição oral. Um tratado de poética anônimo “A arte de trovar” define os três gêneros fundamentais dessa poesia: cantigas d’amor, cantigas d’amigo e cantigas de escárnio e maldizer. O denotativo comum é “cantiga”, isto é, poesia para ser cantada a um público ouvinte.
       As cantigas d’amor apresentam as características identificadas como pertencentes à poesia cavalheiresca cortês. As cantigas d’amigo são de inspiração popular, nascidas na comunidade rural, complementando a dança e o canto coletivo dos ritos agrícolas:
        
         Levantou-s a valida
                   levantou s’alva
         e vai lavar camisas
                   e no alto
         Vai-las lavar alva.

        Os poetas da corte, por sua vez, imitavam essa poesia popular. Antônio José Saraiva e Óscar Lopes, em sua “História da literatura portuguesa” (Porto, Porto, s.d.) chama atenção para o fato de que poetas em sucessivas épocas e diferentes meios adaptaram e variaram essa poesia folclórica. As formas de versos mais simples coincidem, de modo geral, com os temas rurais e primitivos da cantiga d’amigo.
        As cantigas d’amor já apresentam uma forte influência provençal, isto é, da poesia que, em fins do século XI, irradiou-se da Provença levada pelos trovadores, com as características do cavalheirismo e com feição erudita.
        As cantigas de escárnio e de maldizer pertencem ao gênero satírico. As cantigas de maldizer denunciam irregularidades da vida familiar e doméstica, apontando licenciosidade, registradas de modo grosseiro. Menos impiedosa, as cantigas de escárnio protestavam contra os desregramentos do indivíduo e da sociedade, constituindo-se em instrumento crítico ou simples repertório apimentado de costumes.
       Além dessas composições em verso, as manifestações em prosa da literatura medieval consistiam nos romances de cavalaria, nas obras dos escritores místicos e doutrinários e a historiografia. Os romances de cavalaria eram constituídos pelo conjunto de narrativas que descreviam as aventuras dos cavaleiros da corte do Rei Artur, herói mítico da resistência bretã à invasão anglo-saxônica. No século XIV, destaca-se, na Península Ibérica, o romance de cavalaria “Amadis de Gaula”. Amadis é o cavaleiro perfeito, exemplar em suas virtudes medievais. A historiografia constava de registros da genealogia dos reis e dos nobres, enquanto a prosa doutrinal e religiosa voltava-se para a apresentação de uma visão maniqueísta do bem e do mal.
        A herança medieval chega à literatura brasileira através das letras portuguesas. Vêm da Idade Média as formas de lirismo popular e cortês. O Brasil quinhentista, pela obra de Anchieta, apresenta fortes traços de medievalismo, fiel aos valores cristãos e à supremacia da Igreja. Da lírica medieval que, como as cantigas d’amor, neutraliza tais valores, há influências ao longo das manifestações poéticas brasileiras.


RESUMO

PERÍODO MEDIEVAL

Modalidades literárias e características

î Poesia cortês: forma convencional
                          o amor como tema
                          surgimento do cavalheirismo

î Cancioneiro:   cantigas d’amor: feição erudita
                          cantigas d’amigo: origem rural
                          cantigas de escárnio e maldizer: gênero satírico

î Prosa:          romance de cavalaria
                        escritos místicos e doutrinários
                        historiografia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.   
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NEOCLASSICISMO

    
NEOCLASSICISMO




O Neoclassicismo foi um movimento cultural nascido na Europa em meados do século XVIII, que teve larga influência em toda a arte e cultura do ocidente até meados do século XIX. Teve como base os ideais do Iluminismo e um renovado interesse pela cultura da Antiguidade clássica, advogando os princípios da moderação, equilíbrio e idealismo como uma reação contra os excessos decorativistas e dramáticos do Barroco e Rococó.








À tentativa de retorno, no século XVIII, aos padrões Greco-latinos dá-se o nome de “Neoclassicismo”. Nesse século, manifestam-se várias tendências ideológicas e estéticas que dificultam uma cômoda definição do estilo da época. Segue-se ao Barroco um período de difusão do racionalismo e de valorização da concepção científica do mundo. Prega-se uma revolução baseada no progresso do conhecimento humano. É época dos enciclopedistas Direrot, Rosseau e Montesquieu, expoentes de uma sociedade voltada para a precisão e para a máquina, e que acredita na melhoria da vida social graças à divulgação do saber. A essa tendência denominou-se “Iluminismo”, cabendo ao termo Neoclassicismo designar a imitação dos clássicos – como Virgílio, Teócrito, Horácio – contrapostos à exuberância barroca. Ainda uma outra tendência existiu paralelamente a essas: o “Arcadismo”. Sem contrapor-se ao Neoclassicismo e ao Iluminismo, o Arcadismo acrescenta-se a essas tendências, evocando a vida pastoril como alternativa saudável para uma vida que o desenvolvimento das cidades tornou intranqüila.

As tendências setecentistas diversificou-se, mas têm em comum a fé na razão e na ciência, o culto à racionalidade e à sensibilidade clássicas. Natureza, razão e verdade estão em relação de correspondência, embasando as manifestações artísticas. A literatura dessa época deveria ser a expressão racional da natureza para ser a manifestação da verdade. Não se trata, é claro, da verdade da ciência, mas uma “verdade possível”, ou seja, exige-se da arte que seja verossímil, segundo os padrões de uma realidade situada além dos limites artísticos. Apoiada nas teorias poéticas de Aristóteles e Horácio, a estética neoclássica considera verossímil o crível, o possível e o provável. Não cabia à fantasia poética deslizar além da inteligibilidade, devendo regular-se, sempre, pelo entendimento racional e pelas regras da natureza. Esta, entendida como “cosmos”, ou seja, como relação harmônica de todos os elementos, é o modelo de equilíbrio que a arte deve reproduzir.

A busca da objetividade conduziu à neutralização da individualidade do poeta. Este passa a recorrer a situações e emoções genéricas nas quais sua emoção se dilua. Marília de Dirceu é o exemplo representativo dessa característica, não particularizando existencialmente o poeta. Para isso, prestam-se alguns recursos como bucolismo, destaque e celebração da vida campestre, aliados ao fingimento pastoril. Nessa época em que se iniciava o desenvolvimento urbano, o campo passa a ser visto como um bem perdido. A poesia pastoril opõe o artificialismo das cidades à paisagem natural. A própria designação “Arcadismo” para uma das tendências da época liga-se à Arcádia, região lendária da Grécia Antiga, habitada por cantores e pastores que encarnavam a simplicidade e a naturalidade do contato direto com a natureza.

Outro recurso para atingir a objetividade pretendida constituía-se na evocação mitológica através de nomes, situações e sentimentos que, pertencendo ao patrimônio clássico, adquirem, na obra, um significado genérico. A escassa dicção pessoal do poeta e o excesso de generalização desse estilo tiveram como consequência uma limitação expressiva que, muitas vezes, tornava os poemas convencionais e monótonos.

A estética da imitação dos neoclássicos não cessa na reprodução do natural. Devem ser imitados, também, os valores e as técnicas dos clássicos. A originalidade, que será tão valiosa para o romântico, não tem valor para esse poeta para quem a conformidade com o modelo antigo constitui-se em motivo de orgulho, pois os clássicos são considerados vencedores de uma prova infalível: a administração da posteridade.




Portanto, a Antiguidade fornece aos neoclássicos a solução para o problema da forma. A recepção é assegurada pelo uso de temas clássicos, mitos e histórias antigas que constituíam, na época, uma linguagem universal, com ressonância assegurada por parte de um público que, sendo leitor, tinha recebido uma educação humanística constituída por elementos da cultura Greco-latina.

A tônica da obra neoclássica é o decoro, o que implica ausência de profundidade. O estilo é elegante e superficial. Tanto em relação à ambientação externa — como à paisagem — quanto à interna — sentimentos e emoções — o neoclássico não desce a profundezas. A paisagem é aberta e tranquila; a alma humana não apresenta surpresa nem mistérios. A natureza, entendida na acepção ampla de “cosmos”, que tudo engloba, é o próprio equilíbrio.

O Neoclassicismo é o estilo de uma burguesia que está surgindo na Europa setecentista, como fruto de transformações econômicas, políticas e sociais. Sendo já uma classe favorecida, a burguesia silencia seus privilégios e se opões a qualquer reforma que possa estender suas vantagens às classes dominadas. Classe em ascensão que, com Voltaire, critica, à luz do conhecimento, a servidão, e, em nome desse mesmo conhecimento, preconiza que a solução dos problemas sociais nas depende de uma revolução social, mas do poder confiado a um soberano esclarecido, a burguesia começa a se apoderar dos meios de cultura: escreve os livros e os lê; pinta os quadros e os adquire. Enquanto no século anterior significava uma parcela muito pequena do público interessado em arte e cultura, passa a ser, no século XVIII, a classe que mantém a cultura.

A concepção burguesa do amor e da vida está expressa em “Marília de Dirceu”, a obra literária mais conhecida do Neoclassicismo brasileiro, de autoria de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810). Este, juntamente com Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama, Santa Rita Durão, compõem o grupo mineiro que, beneficiado pelo desenvolvimento econômico de Vila Rica, constitui nela um núcleo intelectual na colônia.

RESUMO

Influência ideológica: — Enciclopedia de Diderot, Rosseau, Voltaire, Montesquieu

Tendências da época: — Neoclassicismo: imitação dos clássicos

— Arcadismo: evocação da vida pastoril

— Iluminismo: difusão do racionalismo

Características: — Predomínio da razão

— Busca da objetividade

— Culto à natureza

— Equilíbrio e sobriedade clássicos

— Presença da mitologia Greco-latina


REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

CADERMATORI, Lígia. Períodos Literários. 3. ed. São Paulo: Ática, 1987.





&
LEIA A OBRA NA ÍNTEGRA NO ENDEREÇO:

http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/TomsAntnioGonzaga-MarliadeDirceu0.pdf

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