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quarta-feira, 9 de junho de 2010

"COMO SE CORRIGE REDAÇÃO NA ESCOLA", DE ELIANA RUIZ

      → Redação – versão original – já que esta é a que os professores normalmente consideram como objeto de correção.

      → O trabalho de correção tem o objetivo de chamar a atenção do aluno para os problemas do texto [...] os professores dirigem sua atenção para o que o texto tem de “ruim”, não de “bom”.

      → Leitura feita pelo professor, via , não é a mesma que a leitura realizada por um leitor comum.

      → A coerência- aquilo que nos faz algum sentido, é coerente para nós. Assim, a coerência está ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários.

      → Professor e o crédito de coerência – os falantes sempre agem como se o texto fosse coerente [...] o recebedor dá um “crédito de coerência” ao produtor: tudo faz para calcular o sentido do texto e encontrar sua coerência. Eventuais falhas do produtor, quando não percebidas como significativas, são cobertas pelas tolerâncias do recebedor: [...] recobrindo lacunas, fazendo deduções [...]. A comunicação se efetiva, portanto, porque se estabelece um contrato de cooperação entre os interlocutores.

      Entretanto, não é isso que geralmente acontece quando um professor corrige uma redação, ao contrário, o professor não dá crédito de coerência. Ele a concebe como um texto potencialmente incoerente. É por isso que lê o texto com a expectativa de encontrar falhas e, assim, fazer jus a seu papel instituído de corretor.

      → O texto interventivo do professor é um texto sobreposto ao texto do aluno, isto é, um texto que se produz “na carona” deste.

      → O texto interventivo pode se alocar em três regiões distintas desse espaço partilhada da folha de papel: no corpo, na margem ou em sequência ao texto do aluno.

      Para Serafini, existem três grandes tendências de correção de redações que, em geral, são seguidas por professores de língua:

→ A indicativa;

→ A resolutiva;

→ A classificatória.

      No conjunto conjunto de redações desta pesquisa, contudo, a menos observada foi a resolutiva, ficando a indicativa e a classificatória equiparadas em termos de ocorrência.

      Para falar de determinado problema, os professores, na maioria dos casos, utilizam-se de mais de uma forma interventiva, mesclando tipos diferentes de correção.


CORREÇÃO INDICATIVA

      A correção indicativa consiste em marcar junto à margem as palavras, as frases e os períodos inteiros que apresentam erros ou são pouco claros. Limita-se à indicação do erro e altera muito pouco, ou seja, aos aspectos ortográficos e lexicais.

      Assim, esse tipo de correção tem por objetivo apontar os problemas para o aluno, na margem do texto do aluno ou no próprio corpo da redação, ela é realizada da seguinte maneira:

      → O professor circunda (ou sublinha) a palavra em que ocorre o problema;

      → O professor traça um ”X” no local de ocorrência do problema.

      Mas, essa maneira de corrigir redações, deve ser tratada com muita cautela, porque o aluno pode deixar de alterar seu texto se lhe faltar competência para realizar a tarefa de revisão.

      Desse sentido, é possível dizer que a correção indicativa consiste na estratégia de simplesmente apontar, por meio de alguma sinalização (verbal ou não, na margem e / ou no corpo do texto), o problema de produção detectado. Esse tipo de redação é o mais largamente empregado pelos professores – sujeitos- seja como único recurso de correção seja como reforço às demais formas interventivas.


CORREÇÃO RESOLUTIVA

       A correção resolutiva consiste em corrigir todos os erros, reescrevendo palavras, frases e períodos inteiros. [...] procura separar tudo o que no texto é aceitável e interpretar as intenções do aluno sobre trechos que exigem uma correção; reescreve Depois tais partes fornecendo um texto correto. Neste caso, o erro é eliminado pela solução que reflete a opinião do professor.

      A correção resolutiva foi o método de abordagem menos encontrado no conjunto de redações analisados. Esse método é visto como uma tentativa de o professor assumir, pelo aluno, a reformulação de seu texto [...].

      Esse tipo de correção é realizado da seguinte forma:

→ O professor acrescenta forma (s) no espaço interlinear superior à linha em que ocorre o problema;

→ O professor reescreve;

→ O professor risca;

→ O professor escreve a forma alternativa;

→ A grande concentração de resolutivas se dá no corpo do texto. [...] há igualmente indicações, a título de reforço.


CORREÇÃO CLASSIFICATÓRIA

      Consiste na identificação não-ambígua dos erros através de uma classificação. Nessa perspectiva, propõe ao aluno que corrija sozinho o seu erro.

      Todos os demais professore-sujeitos têm por método a utilização de certo conjunto de símbolos (normalmente letras ou abreviações), escritos em geral à margem do texto para classificar o tipo de problema encontrado. Essas letras,. Conhecidas dos alunos, fazem parte de um código de correção que varia de professor para professor.


CORREÇÃO TEXTUAL-INTERVENTIVA

      Trata-se de comentários mais longos do que os que se fazem na margem, razão pela qual são geralmente escritos em sequência ao texto do aluno. São conhecidas como “bilhetes”. Esses “bilhetes”, em geral, têm duas funções básicas:

→ Falar acerca da tarefa de revisão do aluno;

→ Acerca da própria tarefa de correção pelo professor;

→ Coloca-se naquele espaço em branco, na folha de papel, que sobra devido ao não-preenchimento pela escrita do aluno;

→ Os “bilhetes” – são para elogiar o que foi feito pelo aluno ou para cobrar o que não foi feito.

→ Marca por excelência do diálogo altamente produtivo – entre esses sujeitos que tomam o texto e o trabalho com o texto por objeto de discurso.

→ O intuito é tentar ir além das formas corriqueiras e tradicionais de intervenção, para falar dos problemas do texto.


CAPÍTULO II

      Quando o aluno refaz, reescreve, reelabora, reestrutura, enfim, revisa o próprio texto, em função de uma correção escrita feita pelo próprio professor, a nova versão consiste, geralmente, numa reescrita de todo o texto.

      Quando isso não acontece, as alterações de refacção, como já apontei, acabam sendo feitas in loco, isto é, no próprio corpo da redação, ou, então, numa espécie de errata, no “pós-texto”.


ALTERAÇÕES IN LOCO

→ ou por meio de uma reescrita sobreposta à escrita original.

→ diferenças de tonalidades de tinta de papel, borrões, traço diferenciado da letra do autor.

→ ou por meio de apagamento da 1° versão (observável pelas rasuras feitas com borracha ou corretivo químico) e posterior reescrita.


REESCRITA PÓS-RESOLUÇÕES

      Ao reescrever seu texto, o aluno copia praticamente todas as alterações apresentadas geralmente in loco – pelo professor, já que parece não encontrar nenhuma dificuldade para apenas incorporá-las ao texto original.

      Na verdade, o professor que resolve os problemas do texto mostra-se interessado muito mais em dar a solução para o aluno do que em levá-lo a pensar na possível solução.

      Uma correção resolutiva poupa o aluno desse esforço, reduzindo-o a simples tarefa de copiar o texto com as soluções já apontadas pelo professor. Nesse exercício de cópia, muito pouco será aproveitado pelo aluno no que se refere à tarefa de reescrever.

      O professor passa a ideia de que essa tarefa é sua, não do aluno. Então, o aluno não se vê no papel de quem tem de ler o texto para encontrar seus possíveis problemas.

      E na falta de uma indicação mais precisa, o aluno pode não alterar adequadamente seu texto, ao reescrevê-lo.

      A indicativa “pura”, sem reforços adicionais de nenhuma outra espécie, não fornece, pois, pistas suficientes de revisão.

      Portanto, quando a correção é indicativa, o aluno pode deixar de alterar seu texto se lhe falta competência para realizar a tarefa de revisão. Ele também pode deixar de fazê-lo -e isso é o que me interessa discutir- pela terceira ordem de razão apontada, ou seja, de a correção do professor não lhe fizer sentido.

      Para Serafini, a correção indicativa pura e simples é inadequada, como forma interventiva, pois muitas vezes é ambígua. Esse tipo de correção não leva o aluno à solução dos seus problemas, especialmente se o erro não vem apontado com precisão.


RESCRITAS PÓS-CLASSIFICAÇÃO

CONTINUA...


REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA


Ruiz, Eliana Maria Severino Donaio. Como se corrige redação na escola. Campina, SP: Mercado de Letras, 2001.














































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































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