Temblante para blog







Pesquisar este blog:

Carregando...

IPRIMIR

Print Friendly and PDF

terça-feira, 11 de maio de 2010

ANÁLISE DO POEMA "brasil" DE OSWALD DE ANDRADE

PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO

      O período compreendido entre 1922 a 1930 é o mais radical do movimento modernista. Isso porque é o momento da conceituação, do emprego de conceitos, da quebra de paradigmas, o rompimento com todas as estruturas do passado, enfim, o início da construção de valores. Daí o caráter anárquico e seu forte sentido destruidor.

      Ao mesmo tempo em que se procura o original, o moderno e o polêmico, o nacionalismo se manifesta em suas múltiplas facetas: volta às origens, pesq uisa de fontes quinhentistas, busca de uma “língua brasileira” (a língua falada pelo povo nas ruas), paródias, numa tentativa de repensar a história e a literatura brasileira, e a valorização do índio verdadeiramente brasileiro. É o tempo dos manifestos nacionalistas do Pau-Brasil e da Antropofagia, dentro da linha comandada por Oswald de Andrade, e dos manifestos do Verde-Amarelismo e do grupo Anta, que já trazem as sementes do nacionalismo fascista comandado por Plínio Salgado.

MANIFESTOS

PAU-BRASIL: a poesia de exportação

      Em 1924, Oswald de Andrade lançou o Manifesto da poesia Pau Brasil, dando início ao movimento Pau-Brasil, que, a exemplo do nosso primeiro produto de exportação, o pau-brasil, defendia a criação de uma poesia brasileira de exportação. O movimento propunha uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural.


VERDE-AMARELISMO E ANTA: a reação

      Como reação ao tipo de nacionalismo defendido por Oswald de Andrade no Manifesto da poesia Pau-Brasil e ao espírito anarquista de seu autor, surgiu em São Paulo o movimento Verde-Amarelismo, constituído por Menotti Del Picchia, Plínio Salgado, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo.

      Esse movimento defendia um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para o nazifascismo, o grupo alegava que o movimento Pau-Brasil era “afrancesado”.

      E, em 1927, tomando a anta e o índio tupi como símbolos da nacionalidade primitiva, o grupo verde-amarelo transformou-se na Escola da Anta.


ANTROPOFAGIA: a deglutição cultural

      Revidando com sarcasmo o primitivismo xenófobo da Anta, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Raul Bopp lançaram, em 1928, o mais radical de todos os movimentos do período: a Antropofagia.

      Partidários de um primitivismo crítico, os antropófagos propunham a devoração da cultura estrangeira. Contrariamente à xenofobia da Escola da Anta, os antropófagos não negavam a cultura estrangeira, mas também não a copiavam nem imitavam. Assim como os índios primitivos devoravam seu inimigo, acreditando que desse modo assimilariam suas qualidades, os artistas antropófagos propunham a “devoração simbólica” da cultura estrangeira, aproveitando suas inovações artísticas, porém sem a perda da nossa identidade cultural.

      Trata-se, portanto, de um aprofundamento da idéia da “digestão cultural” já proposta no Manifesto da poesia Pau-Brasil.

      Da primeira geração do Modernismo brasileiro, participaram vários escritores, entre os quais se destacaram: Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho e Raul Bopp.

      VAMOS CONHECER OS PRINCIPAIS AUTORES DESSA PRIMEIRA FASE DO MODERNISMO


brasil


O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani de mata virgem

-Sois cristão?

-Não, Sou bravo, sou forte sou filho da morte

Tetetê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá de longe a onça resmungava Uu! Ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

-Sim pela graça de Deus

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o carnaval.



      Esse poema de Oswald de Andrade faz parte da primeira fase do Modernismo. Este período é o mais radical, pois os escritores dessa época ainda buscam definições, destroem paradigmas, enfim, é um a época de construção.

     O poema acima refere-se a esse período. Então, notamos a busca ao passado, do quinhentismo brasileiro, porém, sem aquele ufanismo dos românticos. Aqui, na literatura de Oswald de Andrade há uma crítica ao ufanismo exagerado, e , assim, ele busca o passado, mas, de forma crítica, irônica, com isso, surgem os poemas piadas, a paródia.

     É notório o humor nesse poema, o “eu-lírico” retrata a construção da etnia brasileira, com o português, o índio e o negro: (O Zé Pereira chegou de caravela, guarani de mata virgem e o negro zonzo saído da fornalha). Ao mesmo tempo, que faz a junção dessas três etnias na construção do Brasil, o “eu-lírico” afirma que essa mistura retrata o carnaval, uma vez que a mistura das raças, dos costumes, da cultura, da religião, é a formação do povo brasileiro e, consequentemente o surgimento do carnaval.

    Vale salientar a valorização do falar do povo da terra, a linguagem coloquial, como: preguntou, pro... Os modernistas valorizavam o modo de falar do povo, eles colocavam esse falar na literatura.

      O aspecto da sátira também é bem evidente, quando o “eu-lírico” aborda a questão do índio, do negro, e, ainda faz referência ao poema de Gonçalves Dias, “I-Juca Pirama” e o carnaval.

-Não, Sou bravo, sou forte sou filho da morte
O negro zonzo saído da fornalha
E fizeram o carnaval.

      E troca Norte por Morte, assim ele questiona a questão do genocídio com os povos indígenas, porque quando os portugueses “descobriam” o Brasil, os índios entraram em contato com o homem branco, em consequência surgiram várias doenças, assassinatos, ou seja, aconteceram muitas mortes.

    Quanto ao título, os poemas de Oswald de Andrade têm essa característica de vir em letra minúscula, aliás, todos os seus poemas são escrito em letra minúscula, é uma forma de satirizar, nem o nome do nosso país ficou de fora de sua ironia.


Recados de Abraços





































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Nenhum comentário:

Indique este blog a um amigo.