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domingo, 28 de março de 2010

"REDAÇÃO E TEXTUALIDADE", DE MARIA DA GRAÇA COSTA VAL

O livro “Redação e textualidade”, da autora Maria da Graça Costa Val, divide-se em duas partes: a primeira aborda o assunto texto, textualidade, coerência e coesão, fatores pragmáticos da textualidade e coloca alguns critérios para a análise da coerência e da coesão, como: a continuidade, a progressão, a não-contradição, a articulação e também a escritora aborda os critérios para a análise da informatividade, tais como: imprevisibilidade, suficiência de dados.

Já a segunda parte traz a análise de cem redações do vestibular da Universidade de Minas Gerais.

      Nessa perspectiva, primeiramente a autora faz uma explicação para situar o leitor, a respeito do que vem a ser um texto, quais as características de um texto, quanto podemos chamar algo de texto e não apenas um amontoado de palavras.

     Conforme a autora, para que um texto seja considerado texto é necessário que possua uma relação sociocomunicativa, semântica e formal; isso é muito importante, pois na segunda parte desse livro a escritora faz o estudo de algumas redações, e pode-se perceber que tais aspectos não são encontrados.

Um texto será bem compreendido quando ele atingir os seguintes fatores:


→ o pragmático, que tem a ver com seu funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa;

→ o semântico-conceitual, de que depende sua coerência;

→ o formal, que diz respeito à sua coesão.

      Entre os cinco fatores pragmáticos estudados , os dois primeiros se referem aos protagonistas do ato de comunicação: a intencionalidade e a aceitabilidade.

       A intencionalidade , quer dizer a capacidade do produtor do texto, produzi-lo de maneira coesa, coerente, capaz de alcançar os objetivos que tinha em mente, em uma determinada situação de comunicação.

       A aceitabilidade é se o que o produtor produziu pode ser considerado um texto, se alcançou o objetivo proposto quando chegou até o locutor, ou seja, pode-se ser considerado um texto, possui coerência, coesão, é relevante, traz informatividade, é útil para o leitor, tudo isso vai direcionar se realmente é um texto.

      A situacionalidade, diz respeito à pertinência e relevância entre o texto e o contexto onde ele ocorre, isto é, é a adequação do texto à situação sociocomunicativa. É o que diz Maria da Graça Costa Val, “O contexto pode, realmente, definir o sentido do discurso e, normalmente, orienta tanto a produção quanto a recepção. Em determinadas circunstâncias, um texto menos coeso e aparentemente menos claro pode funcionar melhor, ser mais adequado do que outro de configuração mais completa”. (Costa Val, 1991, p.12)

     Quanto à informatividade, aqui, vamos perceber o interesse do recebedor, pois, depende do grau de informação, para existir o interesse do leitor. Entretanto, Val faz um alerta, se o texto permanecer com elementos muito inusitados, correrá o risco do leitor não conseguir processá-la, então, fica o alerta, de produzir um texto mediano de informatividade.

      Já o aspecto da intertextualidade, é a capacidade de relacionar o texto com outros textos já produzidos, assim, a utilização de um texto, depende do conhecimento de outros textos que já circulam socialmente. Muitos textos só têm sentido quando relacionados a outros textos.

      O semântico-conceitual, de que depende sua coerência. A coerência do texto deriva de sua lógica interna, é o sentido do texto. A esse respeito menciona Costa Val: “É considerada fator fundamental da textualidade, porque é responsável pelo sentido do texto. Envolve não só fatores lógicos e semânticos, mas também cognitivos na medida em que depende do partilhar de conhecimentos entre os interlocutores.” (Costa Val, 1991, p. 05)

      Nessa perspectiva, um texto é considerado coerente quando partilhar informações também conhecidos pelo recebedor, isto é, conhecimentos que fazem parte da realidade de mundo desse leitor. Isso equivale a dizer que o texto não é pronto e acabado, mas vai adquirir sua complementação quando chega ao seu leitor. Assim, o leitor tem que deter de algumas informações para conseguir dá sentido ao texto.

      O formal, que diz respeito à sua coesão. A coesão é a manifestação lingüística da coerência. Mas ela não é condição nem suficiência de coerência. Ela é responsável pela unidade formal do texto, constrói-se através de mecanismos gramaticais e lexicais.

      Tal fato é comprovado nas análises das redações, porque o que é evidenciado é a preocupação com a estrutura formal. O que significa que os candidatos preocupam-se somente em fazer uma redação “certinha”, dividindo-a em três partes, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão; sabemos que a escola enfatiza esse procedimento e também os cursinhos preparatórios de vestibular.

      A preocupação centra-se apenas na estrutura como se o conteúdo não contasse, isto é, o semântico não é levado em consideração, o que ocasiona redações com falhas na coerência, coesão, informatividade, etc.

      Nota-se na leitura das redações apresentadas é que muitas citam um determinado assunto, porém não dão continuidade; o assunto não é retomado, é simplesmente abandonado, ou o elemento é retomado a todo o tempo não dando progressão ao assunto, ficando sempre no mesmo lugar, parafraseando o que já foi dito.

      Além disso, há falha no aspecto da contradição, pois muitas redações analisadas sobre o tema da violência social falam de fatos que não têm a ver com a nossa realidade. Muitos candidatos generalizam a violência social, colocando tal problema ocasionado pelos pobres, os menores abandonados, as favela, etc., como se todos os problemas sociais fossem por essas pessoas.

      Finalmente, a articulação, aqui a autora fala como os fatos e conceitos se encadeiam no texto, ou seja, se as ideias se articulam umas com as outras; isso acontece quando o produtor do texto faz comentários, no entanto, não articula esses comentários, deixando o recebedor, leitor com dificuldade de entendimento.

      Maria da Graça Costa Val chama a atenção do leitor para essas falhas e coloca esse problema como fruto de um estudo mecânico das redações na escola, ou seja, o professor pede que os alunos escrevam daquilo que eles não dominam, preocupando-se apenas com a estrutura dos textos, não proporcionando ao discente que desenvolva seu texto num processo natural, pois dessa maneira o estudante vai criando vínculo com a produção escrita, para que consiga desenvolver sua competência textual intuitiva.

      Mas, ao contrário, a escola não proporciona isso aos alunos, e, sim, faz com que os discentes pensem que escrever é apenas colocar uma quantidade X de palavras em um tempo marcado, contado no relógio.

      Assim, consoante Costa Val, é isso que gera essas falhas apontadas pela escritora, e também as condições a que esses candidatos são submetidos no ato de avaliação, no vestibular, fazendo com que eles fiquem nervosos e não consigam refletir, colocando no papel o que estão acostumados a ouvir, o que está na boca de todos.

      O intuito desse texto é que possamos refletir sobre um assunto muito importante, o ato da escrita, porque desse jeito não pode continuar; escrever por escrever não importa o quê, importando apenas com a estética do texto; sabemos que só a estrutura não é importante, aliás, o mais importante é o conteúdo, e que possa desenvolver esse conteúdo com competência, para que um texto seja considerado um texto relevante.

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As pessoas que leram esse resumo também leram:

"Como se corrige redação na escola", de Eliana Ruiz

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

VAL, Maria da Graça Costa. Redação e Textualidade. São Paulo: Martns Fontes, 1991.








quarta-feira, 24 de março de 2010

CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM

As três concepções de linguagem:

Primeira tendência - linguagem como expressão do pensamento;

Segunda tendência - linguagem como meio objetivo para a comunicação;

Terceira tendência -  linguagem como processo de interação verbal.

      É importante que o educador conheça essas três concepções de linguagem, pois, assim, ele saberá encaminhar um ensinoaprendizagem de qualidade em relação a nossa língua materna. Dessa forma, o modo como se concebe a natureza da língua altera em muito o como se estrutura o trabalho com a língua em termos de ensino. A concepção de linguagem é tão necessária e importante como a concepção de educação. Por quê?


      Como já mencionamos, essa concepção de linguagem e língua encaminhará o professor para o desenvolvimento de estratégias eficientes para a aula de língua portuguesa.



PRIMEIRA TENDÊNCIA: LINGUAGEM COMO EXPRESSÃO DO PENSAMENTO



      Esta primeira tendência busca explicar a linguagem a partir das condições de vida psíquica individual do sujeito falante.

      Apóia-se na enunciação monológica como ponto de partida para sua reflexão a respeito da linguagem e a apresenta como ato puramente individual, isto é, a enunciação se forma no psiquismo do indivíduo, exteriorizando-se, objetivamente, para outro com a ajuda de algum código de signos exteriores.

      A expressão, ou seja, a linguagem se constrói no interior, sendo sua exteriorização apenas uma tradução. É a atividade mental que organiza a expressão, modelando e determinando sua orientação.

      Dessa forma, a língua é vista como produto acabado, sistema estável (léxico, gramática, fonética) apresenta-se como depósito inerte. Isso significa que para os teóricos dessa tendência, a linguagem é uma faculdade divina. O homem já nasce com a capacidade de exteriorizar seu pensamento que é gerado no seu psiquismo. De sua capacidade de organizar o pensamento, dependerá sua exteriorização. Se o homem não consegue uma organização lógica para seu pensamento, sua linguagem estará afetada, isto é, desarticulada, desorganizada.

      Portanto, isso equivale dizer que se ele não consegue se expressar com logicidade é porque não é capaz de pensar. Assim, presume-se que há regras a serem seguidas para se alcançar a organização lógica do pensamento, e, consequentemente da linguagem. A linguagem como expressão do pensamento refere aos estudos tradicionais que acreditam que as pessoas que não conseguem se expressar não pensam.



SEGUNDA TENDÊNCIA : LINGUAGEM COMO MEIO OBJETIVO PARA A COMUNICAÇÃO



      O centro organizador de todos os fatos da língua para essa tendência situa-se no sistema lingüístico, a saber: o sistema de formas fonéticas, gramaticais e lexicais da língua.

      A língua é considerada como um aspecto imóvel, onde cada enunciação é única e não reiterável, mas em cada enunciação encontram-se elementos idênticos aos de outras enunciações no seio de um determinado grupo de locutores.

     Nessa tendência o sistema lingüístico é percebido como um fato objetivo externo à consciência individual e independente desta.

     Desta maneira, a língua é um sistema estável, imutável, de formas lingüísticas submetidas à norma fornecida tal qual a consciência individual e peremptória para esta. E as leis da língua são essencialmente leis linguísticas específicas, que estabelecem ligações entre os signos linguísticos no interior de um sistema fechado.

     Pelo exposto, pode-se afirmar que também essa tendência está voltada para o estudo da enunciação monológica isolada, reduzindo-se às relações imanentes no interior do terreno da enunciação.

     Todos os problemas advindos das questões externas da enunciação ficam excluídos no estudo dessa tendência, quer vai além dos elementos constitutivos da enunciação monológica. Seu alcance máximo é a fase complexa (o período).

     Dessa forma, a linguagem como instrumento de comunicação vê a língua como código, (conjunto de signos que se combinam, segundo regras) capaz de transmitir ao receptor uma mensagem, isso quer dizer que é necessário que os envolvidos no ato manipulem os sinais do código de forma comum, preestabelecida.

     Então, existem regras que devem ser perseguidas pelo falante –ouvinte para que se estabeleça a comunicação. Essas regras serão resgatadas pela gramática.



TERCEIRA TENDÊNCIA: LINGUAGEM COMO PROCESSO DE INTERAÇÃO VERBAL



      Entende essa tendência que a verdadeira substância da linguagem não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas, nem pela enunciação monológica, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui, assim, a realidade fundamental da linguagem.

      A comunicação verbal só pode ser explicada e compreendida nas relações da interação concreta e na situação extralingüística, não só a situação imediata, mas também, através dela, o contexto social maios amplo.

      Nessa tendência a língua constitui um processo em evolução ininterrupta, que se realiza através da interação verbal social dos locutores.

      Assim, as leis da evolução linguística não são de maneira alguma as leis da psicologia individual, mas também não podem ser divorciadas das atividades dos falantes. As leis da evolução linguística são essencialmente leis sociológicas. E, quanto à estrutura da enunciação, é uma estrutura puramente social. A enunciação como tal só se efetiva entre falantes.

      Essa tendência percebe a linguagem como produto histórico-social e, diferentemente da anterior, realça que a fala, como fenômeno social, está sempre ligada às estruturas sociais.

     Logo, a linguagem como forma de interação é vista como um lugar de interação humana. Implica numa postura de educar diferenciada uma vez que situa a linguagem como o lugar de constituição de relações sociais, onde os falantes se tornam sujeitos.

     Vale referir, no modo como se entende a linguagem , pois esse entendimento reflete no modo como se lida com seu ensino nas aulas de língua portuguesa. Por exemplo: se a linguagem é entendida como mera expressão do pensamento, seus adeptos acreditam que o ensino da gramática prioriza o falar e o escrever bem.
      Recapitulando as três concepções de linguagem:


→ A primeira concepção vê a linguagem como expressão do pensamento. Para essa concepção as pessoas não se expressam bem porque não pensam.

→ A segunda concepção vê a linguagem como instrumento de comunicação. Nessa concepção a língua é vista como um código, ou seja, como um conjunto de signos que se combinam segundo regras, e que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor.

→ A terceira concepção vê a linguagem como forma ou processo de interação. Nessa concepção o que o indivíduo faz ao usar a língua não é tão-somente traduzir um pensamento, ou transmitir informações a outrem, mas sim realizar ações, agir, atuar sobre o interlocutor (ouvinte/leitor).

     
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS


NEDER, Maria Lúcia Cavalli. Concepções de linguagem e o ensino de língua portuguesa. (Letras - IL - UFMT).

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1° e 2° graus. São Paulo, Cortez, 1996.











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