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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"DOM QUIXOTE", DE MIGUEL DE CERVANTES

Sobre a obra

Não há quem já não tenha ouvido falar de Dom Quixote, o célebre personagem que, enlouquecido pelos romances de cavalaria de uma Europa que estava saindo da Idade Média, decide se armar cavaleiro e ir combater as injustiças do mundo em nome de seu amor imaginário, Dulcinéia Del Toboso, e acompanhado de Sancho Pança, seu fiel escudeiro.
Considerado por muitos o melhor romance jamais escrito, consegue ser lírico e satírico ao mesmo tempo e sobrevive já há cinco séculos de idade.
Sucesso desde seu lançamento (cópias piratas circularam por toda a Espanha na época), o autor foi forçado a fazer uma continuação, pois enredos apócrifos com novas aventuras do personagem já tinham começado a surgir.

Sobre o autor


Miguel de Cervantes e Saavedra teve uma vida tão fascinante quanto a de seu personagem Dom Quixote.
Nascido no dia 29 de setembro de 1547, em Alcalá de Henares, aos 22 anos de idade meteu-se em confusão ao participar de um duelo com um figurão da época, o que o obrigou a fugir para a Itália.
Em 1571, participa da famosa batalha de Lepanto, fere a mão esquerda e, por isso, ganha o jocoso apelido de “manco de Lepanto”. Em 1575, é preso pelo Império Otomano e solto somente cinco anos depois, após pagar resgate.
Em 1605, após um período preso novamente, agora por alegadas malversações de impostos do qual era cobrador, publica o livro "O engenhoso fidaldo Dom Quixote de La Mancha". Em 1616, falece em Madri.
O presente estudo tem o intuito de apresentar uma análise do livro “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes. Essa obra teve duas partes: uma em 1605 e outra em 1615, um ano após seu autor falecer. E, aqui, nessa análise, nos atentaremos na primeira parte. Para tanto, utilizaremos a metodologia de estudo bibliográfico. A principio, apresentará uma pequena biografia do citado autor. E, num segundo momento , o estudo dos elementos estruturais da narrativa, como: enredo, complicação, clímax, desfecho, personagens, narrador, narratário, tempo, espaço, foco narrativo. Também abordaremos os valores de Dom Quixote e as figuras de linguagem encontradas na obra. Num terceiro momento, a análise do filme “Coração Valente”, dirigido por Mel Gibson, levando em consideração os elementos estruturais da narrativa, já mencionado. Finalmente, um exame comparativo entre o filme “Coração Valente” e a obra “Dom Quixote”.



BIOGRAFIA DE MIGUEL DE CERVANTES

Miguel de Cervantes Saavedra nasceu na cidade de Alcalá, em 1547. Filho de um barbeiro endividado, não se sabe se Cervantes fez escola ou universidade, mas estudou retórica e gramática com um professor em Madri. Lá também conviveu com boêmios e aventureiros de toda espécie e conheceu bastante o teatro que se fazia. Seus primeiro escritos foram poemas sobre a vida e a morte de D. Isabel, a terceira esposa do rei Filipe II. Em 1571, a Espanha, unida com a República de Veneza e o Estado do Vaticano, derrotou na Grécia os turcos que estavam invadindo a Europa, na histórica batalha de Lepanto. Nessa batalha, Cervantes se distinguiu como soldado e ganhou a admiração do comando das tropas, o rei D. João da Áustria.

Quando voltava para a Espanha, em 1575, o navio em que viajava foi afundado por naves turcas. Aprisionado, ele curtiria cinco ano,s de cativeiro na Argélia, de onde saiu somente depois da família e dos amigos pagarem alta soma de resgate. Retornando finalmente à Espanha, já ninguém se lembrava dele. Foi então que desgostoso com a vida militar, começou a escrever. Seu primeiro trabalho, o poema Galatea, não teve êxito junto ao público.

Para sobreviver, trabalhou em vários cargos públicos até chegar a coletor de impostos. Mas em 1597, acusado de corrupção, foi condenado à prisão. De lá ele sairia para a glória, pois na cadeia começou a escrever a primeira parte de “Dom Quixote”.

Pobre e sem recursos, Cervantes já estava em liberdade quando, em 1604, foi publicado “Dom Quixote” pela primeira vez. O sucesso foi tão grande que no mesmo ano foram esgotados cinco edições do livro.Cervantes tinha então 58 anos e ainda veria, durante a sua vida, mais dezesseis edições espalhadas por toda a Europa, em várias línguas. Em 1615, voltou à ficção para escrever a segunda parte de “Dom Quixote”. Acredita-se que “Dom Quixote” é o livro mais vendido depois da bíblia. Mas tudo isso não rendeu nada para Cervantes, em termos materiais: no último ano de sua vida, ele se recolheu para um mosteiro franciscano e morreu pobre. Era 1616.

A intenção de Cervantes, ao escrever “Dom Quixote”, era satirizar a novela de cavalaria, que tinha sido muito popular na Europa e em sua época enfrentava a decadência. Mas acabou retratando o perfil do homem, dividido entre a fantasia e a realidade. Dom Quixote, fidalgo ingênuo é atraído pela história dos grandes cavaleiros medievais, sai pelo mundo como um deles, numa época em que isso já não existia mais.

Nos seus delírios, luta contra moinhos de vento achando que são gigantes cruéis. Beija a mão de uma guardadora de porcos pensando que é sua amada Dulcinéia. Sancho Pança, seu fiel escudeiro, admira o amo sem entendê-lo. Tem os pés na terra e uma visão prática das coisas, mas é fascinado pela sua loucura. Duas figuras cheias de bondade e pureza, num mundo onde não há lugar para bondade e pureza.

DOM QUIXOTE - O CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA

ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA NARRATIVA

ENREDO

APRESENTAÇÃO

Numa pequena aldeia da Mancha, província espanhola, vivia um fidalgo. Homem de costumes rigorosos e decadente fortuna. Dom Quesada ou Quixano – vivia da exploração de suas propriedades.

Tinha cinqüenta anos, magro e alto, era mais conhecido por sua enorme biblioteca, só abrigava livros sobre cavalaria andante.

À força de tanto ler e imaginar, foi se distanciando da realidade a ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivia.

De tanto imaginar, um dia rompeu o elo que o prendia à realidade e iniciou uma existência onde só existiam personagens da cavalaria andante.

Possuía um pangaré e o batizou com o nome de Rocinante. Depois de muito remoer escolheu seu nome: Dom Quixote de la Mancha, porque Mancha era o nome de seu lugar de origem. Percebeu que faltava uma dama para se apaixonar. Chamava-se Aldonça Lourenço, uma robusta camponesa que no passado amou-a em silêncio, mas para ele seria Dulcinéia de Toboso, pois ela era da aldeia de Toboso.

Dom Quixote partiria com suas armas e seu cavalo em busca de aventuras e perseguindo justa fama. Eram gigantes para derrotar, castelos que deviam ser assaltados, donzelas prisioneiras de algum tirano para salvar e legiões de bandidos a combater.

Dom Quixote parte e, depois de viver algumas aventuras, entre uma delas foi armado cavaleiro, volta ao seu lar em busca de dinheiro para seguir suas aventuras. Nesses quinze dias que ele permaneceu em sua casa, começou a visitar freqüentemente o seu vizinho, Sancho Pança. Os dois decidem partir juntos em busca de aventuras e fama. Dom Quixote veste uma armadura velha, que pertenceu aos seus ancestrais e convida o seu vizinho Sancho Pança para ser seu fiel escudeiro, em troca lhe daria o governo de uma ilha.

Dom Quixote monta em seu Rocinante fraco e vão cavaleiro e escudeiro, cavalo e burrico, em busca de aventuras, salvando e protegendo fracos e oprimidos, donzelas em apuros e tantos outros injustiçados.

COMPLICAÇÃO

Dom Quixote partiu sozinho, em busca de exercer a função de cavaleiro andante, onde viveram algumas aventuras como: o encontro com o camponês João Halduto que espancava seu criado André, o grupo de mercenários de Toledo que iam a Múrcia à compra de seda. Em conseqüência de sua agressão com os mercadores, um deles espancou Dom Quixote, que mais tarde foi encontrado pelo seu vizinho Pedro Alonso, que o levou de volta a sua casa.

Com a indignação de seus parentes e amigos, resolveram queimar os livros de cavalaria.Pois acreditavam que, eram esses livros a razão dessa mudança de comportamento.

Dom Quixote permaneceu por quinze dias em sua casa, aproximou-se de Sancho Pança e o convence em acompanhá-lo em suas aventuras como escudeiro, prometendo em troca ilhas das quais seria governador.

E assim como planejou fez, saiu já intitulado cavaleiro, tendo seu escudeiro e sua imaginária amada Dulcinéia, em busca de novas aventuras.

Na batalha dos moinhos de vento: Dom Quixote e Sancho Pança chegoram a um local onde havia trinta ou quarenta moinhos de vento. Dom Quixote disse a Sancho Pança que havia ali dezenas de míseros gigantes, que ele ia combater. Sancho pediu para Dom Quixote observar melhor, pois não eram gigantes, mas simplesmente moinhos de vento. Dom Quixote aproximou dos moinhos e com o pensamento em sua deusa, Dulcinéia Del Toboso, à qual dedicava sua aventura, arremeteu, de lança em riste, contra o primeiro moinho.O vento ficou mais forte e lançou o cavaleiro para longe. Sancho socorreu-o e reafirmou que eram apenas moinhos. Dom Quixote, respondeu que era Frestão, que tinha transformado os gigantes em moinhos.

A luta contra o cavaleiro de Biscaia “vitoriosa”.

A conseqüência de um certo namorico de Rocinante.

O que sucedeu na estalagem “castelo”.

A batalha contra o “exército” de ovelhas.O encontro com dois rebanhos de ovelhas. O cavaleiro, com todo o seu sonho, criou paisagens, personagens que não existiam atribuindo-lhes armas, coroas, escudos que na verdade não existiam, eram somente animais. Foi então que o “herói” avançou em direção aos rebanhos e, como sempre, foi surrado pelos pastores e pelas próprias ovelhas.

A luta contra o padre e seus sacerdotes (que iam para Sergóvia levar um defunto). É importante notar que a partir dessa aventura à qual Sancho assistia Dom Quixote com os dentes quebrados, este, resolveu intitulá-lo O Cavaleiro da Triste Figura, nome ao qual Dom Quixote aceitou, afinal de contas, todo cavaleiro tinha uma intitulação.

A conquista do Elmo de Mambrino.

A libertação dos prisioneiros, que mais tarde lhes retribui com violência.

CLÍMAX

Depois da última aventura, na qual libertaram os condenados às galés, temerosos de serem procurados pela justiça devido à libertação dos forçados, nossos heróis resolveram-se esconder por uns tempos até que as coisas se acalmassem.

Meteram - se na Serra Morena.

No outro dia, Dom Quixote ordenou a Sancho que levasse uma carta a sua amada Dulcinéia Del Toboso, e como Sancho não parava de reclamar a perda do burro Dom Quixote Escreveu uma permissão à sua sobrinha ordenando a ela que entregasse três animais a Sancho.

Quando Sancho chegou à aldeia o barbeiro e o cura quiseram saber do paradeiro do fidalgo, então, Sancho resolveu mostrar a eles a carta destinada a Dulcinéia, porém, percebeu que havia perdido-a, juntamente com a ordem de receber os burros.

Retornando já em busca de Dom Quixote, o barbeiro e o cura planejaram se trajar de donzela e criado, a fim de que Dom Quixote, atendendo ao pedido da “donzela”, fizesse tudo que ela quisesse, inclusive de acompanhá-la a sua casa. Com esse objetivo partiram para Serra Morena, onde conheceram Dorotéia e Cardênio, ambos chorando por amores perdidos (Cardênio amava Lucinda e Dorotéia amava Dom Fernando). Após o encontro com Dorotéia, resolveram prosseguir como plano de resgatar Dom Quixote, dessa vez, usando-a como a desprotegida “donzela” que ficaria sob a proteção e guarda de Dom Quixote. Esse plano deu certo até certo ponto, porque tirou -o da Serra Morena e levou-o de volta a estalagem.

DESFECHO

O desfecho se dá quando seus amigos inventam uma maneira de levá-lo de volta ao lar.

Prenderam Dom Quixote em uma jaula, num carro de boi. Ele resistiu por um certo momento, mas acreditava ser aquilo um sacrifício que o conduziria ao matrimônio com sua amada Dulcinéia Del Toboso.

Quando chegaram num certo lugar, Dom Quixote, a pedido de Sancho, foi solto para fazer necessidades, aproveitou a oportunidade e fugiu, debatendo-se com mais uma desventura da qual saiu quase morto, resolveu voltar à jaula para ser levado para casa.

Obra fechada.

PERSONAGENS

CARACTERÍSTICAS DAS PERSONAGENS (principal Dom Quixote)

Psicológico – nervoso, altivo, astuto.
Física – magro, alto, barbudo, idade cinqüenta anos.
Moral – respeito e consideração no que se refere a cavalaria. Respeito a Sancho Pança em relação à tradição de cavaleiro e escudeiro.
Sociológico _ quando Dom Quixote se refere à justiça (Santa Irmandade), comparando como era no passado e como estava naquele momento, outrora desempenhava seu papel de justiça e naquele momento era um misto de fraude, engano e malícia.

Personagem redonda, pois muda de comportamento durante a narrativa.

PERSONAGENS SECUNDÁRIAS

Sancho Pança, vizinho de Dom Quixote, homem de bem, honesto, trabalhador, gordo, ingênuo, pacífico, manso, sossegado, escudeiro de Dom Quixote, esposo de Joana Pança mãe de seus filhos.

Dulcinéia Del Toboso (Aldonça Lourenço),

Joana Pança, filhos de Sancho, estalajadeiro (João Palomeque), estalajadeira e sua filha, criada Maritornes, um arrieiro, o cura (Pedro Pérez), o barbeiro (mestre Nicolau), a sobrinha de Dom Quixote e sua ama, João Hadulto, André (lavrador),

Pedro Alonso (vizinho de Dom Quixote), Dorotéia, Cardênio, D. Fernando, Lucinda, entre outros.

Todas as personagens secundárias são planas, com exceção de Cardênio.

NARRADOR

A obra é narrada por narrador heterodiegético, ou seja, o narrador simplesmente conta o que acontece com Dom Quixote, sem participar da história.

Quanto ás histórias de encaixe ocorre à presença do que chamamos narrador autodiegético, pois cada personagem narra sua própria história.

NARRATÁRIO

Intradiegético, porque o leitor é identificado na narrativa. Ex.: (...”desocupado leitor...”)

TEMPO

Cronológico - a obra é predominantemente linear, retratada a contagem do tempo em dias, meses, etc., apresentando dessa maneira, início, meio e fim.

Psicológico A personagem Dom Quixote apresenta oscilação na percepção do que é real e imaginário, construindo, dessa forma ,uma personalidade demente.

ANACRONIAS - a diferença da história narrada de cavalarias que até então não se praticava mais, isto é, naquela época já não existiam cavaleiros andantes.

ANISOCRONIAS - Digressões – há muitos comentários que tardam o relatar dos fatos.

ESPAÇO

FÍSICO - casa, aldeia, estradas, Campo de Montiel, Porto Lápice, venda, estalagem, Serra Morena...
PSICOLÓGICO - A imaginação de Dom Quixote e a esperança de Sancho Pança em relação à conquista de uma ilha.

FOCO NARRATIVO

JEAN POUILLON - A história é narrada por um narrador heterodiegético, interno, onisciente ou “por trás”, interventivo que, em terceira pessoa, é o conhecedor da trama, sem participar ativamente dela, mas conhecendo os sentimentos mais internos dos personagens. Dessa maneira, esse narrador no decorrer da história nos vai apresentando as características tanto do herói como das personagens secundárias.
Quanto às histórias de encaixe - “com”- narrador personagem, homodiegético, interno, onisciente, interventivo.
Narrativa fechada: pois sabemos o que vai acontecer com a personagem.

VALORES DA OBRA DE DOM QUIXOTE

Histórico no momento em que nosso herói resolve mudar seu nome. Assim, o fez para seguir a tradição, porque Almadis acrescentou o nome com o do seu reino e pátria, para tornar famosa (pág. 33). Outro valor histórico é quando Dom Quixote é armado cavaleiro (pág. 42).

Moral, respeito e consideração entre cavaleiro e escudeiro quando Dom Quixote diz:

“Quero que te sentes aqui ao meu lado e em companhia desta boa gente, e que esteja tal como eu, que sou teu amo e natural senhor, que comas no meu prato, e bebas por onde eu beber, porque da cavalaria se pode dizer o mesmo que se diz do amor: todas as condições iguala”. (pág.71).

Todo cavaleiro deve amor a uma dama como se fosse Deus, rogando ajuda a ela em momentos difíceis.(... a quem se encomendam é às suas damas, com tanta ânsia e devoção, como se o Deus fossem elas... pág. 81).

Religioso, Sancho Pança era um homem cristão, a todo o momento, clamava por Deus, e tinha um grande valor familiar, pois sempre dizia que tinha mulher e filhos.(...valha-me Deus!-exclamou Sancho...pág. 59).

FIGURAS DE LINGUAGEM

APÓSTROFE

“-Onde estás, senhora minha”,

Que te não dói o meu mal?

Ou não nos sabes, senhora,

Ou és falsa e desleal’’.

ANTONOMÁSIA OU PERÍFRASE

Cavaleiro da triste figura

Substitui o nome por uma expressão que o identifique.

HIPÉRBOLE

Há hipérbole em todas as visões distorcidas de Dom Quixote.Ex.: ver gigantes em moinhos de vento.Julgar ser uma simples bacia de barbeiro um Elmo de mambrino.

METÁFORA usada no poema:

“Já pela varanda do oriente/ Seu rosto Apolo mostrava”.

IRONIA

Alusão a uma espécie de aventuras que não eram precisamente de cavaleiro.

Os nomes Dom Quixote e Sancho Pança possuem uma formação proposital, sendo que Quixote significa um ser ingênuo, romântico e sonhador. O mesmo ocorre com o nome Sancho Pança, já que Pança é uma barriga grande, e a personagem realmente é barriguda, gordo; São nomes, portanto, irônicos.


FILME MEL GIBSON - CORAÇÃO VALENTE

ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA NARRATIVA

ENREDO

APRESENTAÇÃO

“Devo lhe contar sobre William Wallace. Historiadores ingleses dirão que eu sou mentiroso. Mas a história é escrita por aqueles que mataram os heróis.

O rei da Escócia havia morrido sem deixar um filho e o rei da Inglaterra um pagão cruel conhecido como Edward Longshanks reclamou o trono da Escócia para si.

Os nobres escoceses lutaram contra ele e entre si, pela coroa. Longshanks os convidou, então para uma trégua, sem armas e com um criado apenas. Entre os fazendeiros, estava Malcolm Wallace um plebeu que tinha terras e dois filhos: John e William. Na qual era uma emboscada. O pai e o irmão de William Wallace foram assassinados.

William Wallace é um homem de bravura, coragem e astúcia, que luta por uma vingança pessoal, pois, sua esposa foi brutalmente assassinada pelas tropas inglesas, devido a sua rebeldia. Essa narrativa aconteceu no século XIII.”

COMPLICAÇÃO

William Wallace casa em segredo com Murrom, contrariando a tradição da época em que a primeira noite da noiva pertencia ao Senhor Feudal. Na manhã seguinte um dos guardas que ficava vigiando a aldeia desconfiou do comportamento dos dois, tentou estuprá-la e Wallace chegou para defender a sua amada.

CLÍMAX

Por causa da rebeldia de William Wallace contra seu rei sua esposa foi assassinada. A vingança pessoal de Wallace, rapidamente torna-se uma luta apaixonada pela liberdade de seu país. (Escócia).

A lenda de sua bravura inspira cada camponês a pegar armas contra a Inglaterra, transformando sua cruzada numa guerra de enormes proporções.

DESFECHO

William Wallace luta por liberdade contra a Inglaterra. Depois de várias batalhas foi traído, por Mornay, Lochlan e Robert Bruce, nos campos de Falkirk.

Depois de alguns dias foi convidado para um encontro com o futuro rei da Escócia (Robert Buce), o qual foi uma emboscada do pai de Bruce. William foi capturado por tropas inglesas que o condenaram à morte por rebeldia ao seu rei.William Wallace foi assassinado brutalmente sem clemência, o que significa uma morte demorada e com muita dor.

Após a decapitação o corpo de William Wallace foi feito em pedaços.

Sua cabeça foi posta na ponte de Londres.

Seus braços e pernas mandados para os quatros cantos da Inglaterra. Como aviso.

“E eu, Robert Bruce, fui prestar homenagem aos exércitos do rei Inglês e ia aceitar seu apoio por minha coroa. Então resolvi lutar.”

No ano de nosso senhor, de 1314 patriotas da Escócia, famintos e em menor número atacara m os campos de Bannockburn.

Lutaram como guerreiros - poetas

Lutaram como escoceses e conquistaram a liberdade.

Obra fechada.

PERSONAGENS

Principal - William Wallace - personagem - plana.

Homem de coragem, bravura, guerreiro, astúcioso, que não se deixa levar por suborno, pois, luta por liberdade, e deu sua vida, porque a vida sem liberdade não é vida.

Secundárias - Todas são personagens planas.

Pai: Malcolm Wallace

Irmão: John Wallace

Amigo: Hamish

Tio: Argyle

Esposa: Murron

Princesa da Inglaterra filha do rei da França: Milady

Rei da Inglatrra: Edward Longsha

Conselheiro chefe do príncipe: Philip

Conselheiro chefe do rei: Hamilton

Príncipe: Inglês

Futuro rei da Escócia: Robert Bruce

Mornay e Lochlan: lidere de clãs vizinhos de Bruce

NARRADOR

Heterodiegético

NARRATÁRIO

Extradiegético

TEMPO

Psicológico, pois todo o filme é contado por um narrador que também participa da história. E dentro do psicológico do narrador há o psicológico da personagem principal, exemplo, quando a personagem William Wallace lembra-se do momento que seu pai acreditou nas promessas de paz de Longshanks e foi ao seu encontro, no qual morreu em combate, esse momento ele descreve para a princesa Milady.

ANISOCRONIAS

Há uma variação na velocidade do relato-Elipses.

ESPAÇO

CASA

Batalha Stirling (com essa vitória foi armado cavaleiro)

Batalha York (era um ponto estratégico para invadirem o seu país)

Batalha Falkirk (William Wallace acabou sendo derrotado pelas tropas inglesas, porque foi traído por Robert Bruce, Mornay e Lochlan).

Edimburgo (foi capturado por tropas inglesas).

Baixa Inglaterra (onde foi decapitado)


FOCO NARRATIVO

Jean Pouillon “com” (narrador personagem)

Vitor Manuel

Homodiegético, pois o narrador participa da história.

Interno, porque o narrador apresenta o interior das personagens.

Onisciente , o narrador sabe dos sentimentos mais profundos da personagem.

Interventiva quando o narrador faz comentários sobre as personagems.

VALORES DO FILME CORAÇÃO VALENTE

Histórico - William Wallace é armado cavaleiro
Social - William luta pela liberdade de seu país.
Familiar - quando Wallace sonha em construir uma família, ao lado de sua amada Murron.
Moral - quando nosso protagonista, não se deixa levar pela corrupção do rei da Inglaterra.
Religioso - em todas as batalhas havia um padre, que fazia orações antes de cada combate com o inimigo.


ESTUDO COMPARATIVO ENTRE O FILME CORAÇÃO VALENTE E A OBRA DE DOM QUIXOTE

A obra Dom Quixote de La Mancha retrata a coragem e determinação de um fidalgo que, de tanto ler obras de cavalaria, perdeu o juízo e, resolveu sair sob as ordens de sua rica e justiceira imaginação defendendo donzelas indefesas, libertando escravos, impondo ordem, em fim fazendo valer a então função de cavaleiro andante. Com esse objetivo, nosso pobre cavaleiro se deparou com invariáveis situações desagradáveis... Mas jamais se deixou vencer, apesar de tanto fracasso mantinha sempre a coragem em primeiro lugar, ostentado pelo fictício amor de uma então senhora, a qual dedicava suas lutas, suas aventuras, sua própria vida.
Já o filme Coração Valente dirigido por Mel Gibson, o qual ele é o protagonista, retrata a conseqüência que Willian Wallace sofreu por ter rompido com um dos costumes daquela época em que, a primeira noite de núpcias das moças escocesas pertencia aos senhores feudais da Inglaterra.
Em busca de fugir desse tão injusto sistema, Willian se casou às escondidas com sua amada. Porém, quando isso foi descoberto, os ingleses, com o objetivo de atingirem Willian, assassinaram-na. A partir desse fato é que surgiu uma revolta, além de pessoal, uma revolta por liberdade entre Escócia (colônia) e Inglaterra.
Como podemos notar, tanto o filme quanto obra literária acima citada se referem à cavalaria. Apesar de apresentarem diversos pontos diferentes, podemos claramente perceber que entre o livro e o filme há uma busca incansável pelos ideais das personagens, pela realização de seus desejos e principalmente com muita coragem e busca de LIBERDADE.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um lindo momento do filme “Coração Valente” que não podemos deixar de citar é o momento do discurso de William Wallace no campo de batalha de Stirling, onde os escoceses que lutavam sob o comando de Robert Bruce, e sob a liderança de seus conselheiros de guerra, Mornay, Lochlan e Craig. Estavam abandonando o campo de batalha, nesse exato momento chegou Wallace e seu exército com vontade de lutar e sede de vingança. Essas são as palavras de William Wallace:

“Filhos da Escócia!
Sou William Wallace!

E vejo um exército de meus compatriotas aqui para desafiar a tirania!

Vieram lutar

Como homens livres!

E são homens livres!

O que farão sem liberdade?

Vão lutar?

Lutem e poderão morrer.

Fujam e viverão ao menos mais um pouco.

E morrendo em suas camas daqui a anos iriam desejar trocar todos os dias deste dia em diante por uma chance, só uma chance, de voltar aqui e dizer a seus inimigos que podem tirar nossas vidas, mas que nunca poderão tirar nossa liberdade!”

Na obra de Dom Quixote um acontecimento muito importante é quando os amigos de Dom Quixote descobrem a causa de sua “insanidade”, decidem por acabar de vez com ela, queimando todas as suas novelas de cavalaria. Por outro lado, ao agir desta forma, a sociedade comprova seu poder, eliminando algo que possa causar mais problemas futuros, que possa incomodá-la.

Nosso ponto de vista

A obra de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha traz de forma humorística críticas às novelas de cavalaria. Com a personagem, Dom Quixote, Miguel de Cervantes acaba por relatar fatos por ele vivido (como sua prisão “a de Cervantes”). Foi neste ambiente “prisão” que Cervantes escreveu a obra Dom Quixote de La Mancha.

Na verdade, essa obra contribuiu muito enriquecendo nosso conhecimento e construção de crítica, pois tal obra é composta por várias narrativas de encaixe que completam e transmitem-nos as características e elementos estruturais da narrativa.

Com a personagem Dom Quixote, podemos perceber várias lições de vida e mensagens, como por exemplo: de coragem, persistência, luta por seu ideal e, principalmente, liberdade de criação e expressão.

O filme “Coração Valente” é maravilhoso, dirigido por Mel Gibson, o qual ele próprio é protagonista e ganhador de cinco Oscar: de melhor filme, melhor diretor, melhor fotografia, melhor maquiagem e melhores efeitos sonoros, em 1995.

MÉTODO DE AVALIAÇÃO



ROTEIRO DE TRABALHO PARA ANÁLISE DE TEXTO NARRATIVO

1. PREPARAÇÃO PARA ANÁLISE

1.1 O trabalho será feito em grupos de (...). Procurar fazê-lo com o máximo de empenho, para aprender a fazer análise de texto narrativo. É uma ótima oportunidade para discutir com os colegas as ideias;

1.2 Fazer leitura ATENTA da obra “D. Quixote (1° Parte) de Cervantes;

1.3 Selecionar, para a análise, um filme de cavalaria. Ex.: El Cid, Indiana Jones, As Brumas de Avalon, Os cavaleiros do zodíaco, O rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, etc.

1.4 DURANTE A LEITURA DO ROMANCE D. QUIXOTE, E NA ASSISTÊNCIA AO FILME, ANOTAR AS IDEIAS QUE A TEORIA SUGERE: os assuntos abordados, enredo, narrador, tempo, espaço, personagens, figuras de linguagem, valores históricos, morais, etc. PROCURAR PERCEBER COMO ESSES RERCURSOS CONTRIBUEM PARA A LITERARIEDADE DA OBRA.
Em relação ao filme, observar as orientações para a compreensão das cenas, cenários, posição dos atores, perspectivas da câmera, etc, e que sentido isso dá ao filme.

1.5 Fazer fichamento (não é para ser entregue, mas para ser usado em sala para debates e consultas. Além disso, é um importante exercício de leitura) dos seguintes textos teóricos:

“elementos estruturais do drama”, “O romance e seus elementos básicos”, “O cinema na escola”, “Notas sobre a linguagem”.


2. ANÁLISE


2.1 Apresentar uma breve biografia de Cervantes e do autor/diretor do filme;

2.2 Apresentar, em forma de texto, em separado, as análises do romance e do filme, com base nas teorias lidas e nas anotações feitas.

2.3 Fazer um estudo comparativo entre o filme e o romance, observando o modo como as personagens principais desenvolvem suas ações, quem as auxilia ou impede a realização dos seus objetivos, como são as relações de tempo e espaço, enredo, narrador, etc, e como isso se faz em relação aos valores históricos, sociais, etc. Sobretudo, observar o pensamento de Cervantes em relação às novelas de cavalaria, e o modo como se manifesta essa herança nos dias de hoje.


3. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

CAPA

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO (explicar o que será feito no trabalho). DESENVOLVIMENTO (em três partes: 1. Romance 2. Filme 3. Comparação. Colocar, em cada uma, subtítulos bem sugestivos).

CONSIDERAÇÕES FINAIS (retomar algum ponto importante, dizer o que achou do trabalho...)


PARA DISCUSSÃO

------ Espaço do Professor ------

Uma dica para os professores lançarem mão em sala de aula: a influência maléfica de leitura de livros populares, atribuída por Miguel de Cervantes ao seu personagem Dom Quixote, pode ser utilizada para um debate sobre a influência dos meios de comunicação de hoje na formação de indivíduos.

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