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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ANÁLISE DE POEMAS, DO POETA MATO-GROSSENSE, DOM AQUINO


Literatura mato-grossense

A literatura nos dois primeiros decênios do século XX
A poesia de Dom Aquino Corrêa







A literatura mato-grossense começa a existir de fato a partir do século XX, sobretudo com os textos de Francisco Dom Aquino e José de Mesquita. Dom Aquino Corrêa foi a figura de maior destaque em seu tempo: teve uma multifacetada atuação, seja como educador e pregador sacro (formado em teologia em Roma), temporariamente político (foi presidente do Estado , 1918-1922) e animador cultural. Nascido na chácara Bela Vista, à margem do Rio Cuiabá, no dia 2 de abril de 1885, Dom Aquino destacou-se, desde cedo, na igreja, na política e na literatura, tendo sido o primeiro autor das terras do Mato Grosso a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. Estando entre os fundadores do Instituto Histórico de Mato Grosso, do Centro Mato-Grossense de Letras e da Academia Mato-Grossense de Letras.
Francisco de Aquino Corrêa foi o maior orador sacro de seu tempo. Poeta, dada sua situação clerical se limitou a fazer apenas poesias épicas e religiosas.
Faleceu em São Paulo, a 22 de março de 1956.

PARNASIANISMO EM MATO GROSSO

É neste período, nas primeiras décadas do século XX, que vamos testemunhar, mais que qualquer outro, antes e depois, uma característica marcante da poesia dos mato-grossenses:
• O louvor à terra natal,
• O cantar dos feitos heróicos seja dos bandeirantes, seja da resistência do indígena, seja da bravura no combate pela manutenção da integração territorial,
• A ode à paisagem,
• A comemoração da beleza pujante da natureza.
• Na poesia de Mato Grosso excelem dois aspectos principais: a epopéia e o panteísmo. Dom Aquino é o mais épico e José de Mesquita o mais panteísta.
• A esses dois poetas cabe um destaque maior não só pelo volume de livros e de publicações avulsas que tiveram, assim como pela qualidade literária de suas obras.
• Embora hoje não tão aceitas, particularmente no que se refere ao arcebispo, na época, porém, e por um largo tempo, foram bastante apreciadas por importantes segmentos da crítica nacional, o que lhes deu relevo além da fronteira do Estado.
• Sua poesia é conservadora tanto na forma como no conteúdo.
• Forma clássica, purismo lingüístico, moral fortemente conservadora, na seleção meticulosa dos temas.
• Patriotismo, grandeza da pátria e de seus símbolos, louvor á natureza, seus encantos, em tom sempre exaltativo.
• preferência pelo soneto, versos decassílabos, e um conservadorismo também no trato com a língua.
• Face humanista, erudita, culto cívico à pátria.
• Estilo claro, sóbrio, elegante.
• Linguagem elegante e requintada.
• Sua literatura é comprometida com o conservadorismo político-social da época. Assim, Dom Aquino não nos fala das arbitrariedades políticas ou das injustiças sociais. O mundo de que nos fala é sempre um mundo perfeito, visto pelos heróis da pátria, pelos desbravadores do sertão mato-grossense e pelos altos valores da Igreja.

OBRAS

Sua obra, coordenada por Corsíndio Monteiro da Silva e editada em 1985, está reunida em três volumes e oito tomos: Odes (reunindo Psalmódias, Melodias, Rapsódias), Terra Natal e Flôr d´aleluia.



ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS POEMAS: LARANJEIRA CUIABANA E CHUVA DOS CAJUS

Estrato gráfico

Os poemas “Laranjeira Cuiabana” e “Chuvas dos cajus”, Dom Aquino Corrêa, apresentam a forma poemática de um soneto, forma fixa, com um esquematismo de estrofes, versos, metro e rima. Dessa maneira, é composto de 14 versos decassílabos, sendo dois quartetos e dois tercetos.

Estrato fônico

Os poemas são constituídos de catorze versos decassílabos cada um, fonicamente ligados entre si pelo esquema rímico, Laranjeira Cuiabana, abab/abab/cde/cde e Chuva dos Cajus, Abba/ Abba/ ccd/eed, isto é, quanto ao posicionamento, as rimas se classificam em alternadas, pobres, pois são formadas por palavras da mesma categoria gramatical.
Dom Aquino Corrêa demonstrou preferência pelo soneto e pelos decassílabos.

Estrato léxico-sintático

A poesia de Dom Aquino é conservadora tanto na forma como no conteúdo. Os textos se revelam na forma clássica e no purismo lingüístico, ou seja, no excessivo apuro da linguagem, associa-se também uma moral fortemente conservadora, na seleção meticulosa dos temas. Foi fortemente influenciado pela expressão barroca de Padre Vieira.

Extrato semântico (Laranjeira Cuiabana)

Para que possamos compreender o poema, passamos á analise e interpretação de cada estrofe. A primeira quadra é formada por um único período sintático – semântico, pelo qual o “eu lírico” louva a sua terra natal, declara seu amor e a designa de verde laranjeira (árvore de folhagem persistente). Assim, Cuiabá, toda vestida de verde, numa expressão tão feliz que ficou sendo para nós a “Capital Verde”, e, além disso, menciona um fato muito importante de nossa região, ouro, que se manifesta como estrelas, em demasia, pois como somos cientes o ouro está ligado ao nascimento das cidades do Estado de Mato Grosso. (“Eu amo, ó minha terra, a verde laranjeira”), (“Onde ouro do teu solo estreleja e reluz”).
Na segunda estrofe, também composta de um único período, “eu poemático” reitera esse amor á pátria, acrescentando que a ama ainda mais, se estiver na estação agradável, quando as flores jorram seus perfumes, e o ouro da discórdia renasce da terra com um estremecimento de alegria.
Já a terceira e quarta estrofes se distinguem nitidamente das primeiras, seja graficamente por serem tercetos; seja fonicamente por terem um bloco sonoro diferente do das quadras. Assim, o “eu lírico” depois de ter falado do amor á terra natal, do ouro que foi a principal riqueza desse Estado, exalta novamente a beleza dessa terra (“Terra do berço! Terra evocativa e linda!), mas de uma forma mais energética, pois utiliza-se do sinal de exclamação, e que nessa terra o seu coração (“Em ti o coração, como fruto dourado”) rejuvenesce de amor e esperança, isto é, tanto há esperança e amor para o “eu lírico”, quanto há esperança e amor para essa terra. (Remoça-nos também de esperança e de amor”).
Aqui percebemos um tom de esperança tanto para a terra como para o “eu lírico”. Acreditamos que ele refere-se á tempos melhores, mas faz esse questionamento de modo sutil, porque sua poesia erudita , para deleite e encanto de ricos e pobres da capital mato-grossense.
Finalmente na última estrofe, vemos referências ás reminiscências, e seu coração ainda sente o aroma das flores que exalavam seus perfumes no passado. (“Ao céu azul da infância, onde ele sente ainda”), (“[...] que exalam do passado”). E termina declarando a juventude de sua região que está sendo formada, por isso existe esperança para ambos, (“[...] vida em flor”).
Quanto ao título Laranjeira Cuiabana, o “eu poemático”, faz referência a uma cidade persistente, (árvore de folhagem persistente), verde como as laranjeiras, (“Em ti o coração, como o fruto dourado”), diz que a cidade possui um coração como uma laranja, a qual possui a cor de ouro0, novamente vemos o processo de colonização sendo mencionado no poema.

Extrato semântico (Chuva dos cajus)

A primeira estrofe, formada por três períodos, sendo o primeiro constituído por uma única palavra (“Agosto.”), e a partir daí começa a descrever o que acontece na natureza quando estamos nesse mês. Então, o “eu lírico” nos fala de queimadas, poeira, fumaça, calor. (“Em cinza e pó e fumaça envoltas”), o ar fica ardente, devido á grande quantidade de calor. (“As canículas chispam no ar ardente”). Os pássaros (sabiás) ficam tristes, angustiados, não cantam, e acontecem os redemoinhos de folhas secas, o vento seco, quente, com muita poeira, pois não temos chuva.
Na segunda estrofe, essa natureza muda, o “eu poemático utiliza-se da conjunção adversativa “mas”, que indica oposição do que foi dito na estrofe anterior, porque veio a chuva. Primeiramente surgem os sinais da chuva, como: vento, raios e trovões. (“Mais eis que o vento, com ferais escoltas”), (“De raios e trovões, rompe, fremente!”). Passam-se os sinais da chegada da chuva e ela chega, chove.
Já na última estrofe, integrada por dois períodos, novamente um deles com uma única palavra, (“Estou”.), aqui o “eu lírico” vai expor o processo do que acontece após a chuva, assim ele fala do céu lavado, brisa fina, as crianças e pássaros ficam felizes, começam a canta, tudo isso porque choveu e acabou com aquele calor, fumaça, poeira.
Finalmente, na última estrofe, “eu poemático” menciona a chegada da primavera, (“E a primavera, em festivais de fanfarras”), a qual é associada ao cantar das cigarras que ficam espalhadas de árvore em árvore, parecendo banda de música (“Solta, de árvores em árvores, as cigarras”) fazendo barulho, anunciando a chegada da primavera. Essas cigarras chamam o sol, a vida, flores, ou seja, invocam a primavera.
Na nossa região, a chuva de agosto está ligada á fruta caju, é a chuva da vida, flores, frutos. Todos ficam felizes, tanto os animais quanto as crianças, pois essa chuva traz a primavera. (“Chamando ao sol e á vida as brancas flores”).
Nesse poema notamos a comemoração da beleza pujante da natureza, é a exaltação da natureza.
No primeiro poema, Laranjeira Cuiabana, há uma exaltação da pátria, o “Eu lírico” afirma em primeira pessoa que ama sua terra, então ele apresenta sua beleza minuciosamente, detalha as lembranças do passado. E no poema Chuva dos Cajus, o “eu poemático” louva a natureza, é uma poesia entusiástica, de glorificação à natureza.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIAS

MAGALHÃES, Hilda G. Dutra. História da literatura de Mato Grosso. Séc. XX. Unicen publicações – Cuiabá – MT , 2001.
GOLDSTEIN, Norma. versos, sons e ritmos. São Paulo; Ática, 1987.












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