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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

OS GÊNEROS TEXTUAIS NA ESCOLA: DEFINIÇÃO E FUNCIONALIDADE, DE MARCUSCHI

OS GÊNEROS TEXTUAIS

→origem;
→definição de gêneros textuais;
→importância desses gêneros na escola.



Segundo Marcuschi (2002, p.19) “os gêneros textuais são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social”. Isso quer dizer que os gêneros fazem parte de nossas vidas. Assim, à medida que o homem transforma seu meio, consequentemente interfere nos gêneros textuais.

Como exemplo, faremos uma breve observação histórica dos gêneros: Em um primeiro momento, temos povos de cultura essencialmente oral, nota-se nesse período, um número limitado de gêneros. Em um segundo momento, surge à escrita e com ela multiplica-se os gêneros, referente a esse estilo. Num terceiro momento, após o século XV, os gêneros crescem mais ainda com o surgimento da cultura impressa, na fase intermediária de industrialização iniciada no século XVIII, dar início a uma grande ampliação.

Nessa breve exposição dos gêneros no tempo, notamos que eles estão ligados à transformação da sociedade, e, agora, nos deparamos com uma explosão dos gêneros em nossa cultura. Estamos inseridos na denominada cultura eletrônica, essa nova modalidade atingiu não só a escrita, mas também a oralidade.

É o que diz Marcuschi:

“[...] Surgem emparelhados a necessidades e atividades sócio-cultural, bem como na relação com inovações tecnológicas, o que é facilmente perceptível ao se considerar a quantidade de gêneros textuais hoje existentes em relação a sociedades anteriores à comunicação escrita.” (2002, p.19)

Dessa maneira, os gêneros surgem, devido à necessidade, e, à proporção que aparecem integram-se funcionalmente nas culturas em que se desenvolvem. Eles caracterizam-se muito mais por suas funções comunicativas, cognitivas e institucionais do que por suas peculiaridades lingüísticas e estruturais. Exemplo: Um artigo de opinião (função), escrito sob a forma de uma receita culinária (forma), o que vai definir o gênero é a função, pois pelos conhecimentos que possuímos, sabemos que não se trata literalmente de uma receita.

Então, com as inovações tecnológicas, presenciamos o aparecimento de vários gêneros, os quais circulam no nosso dia-a-dia. Como: telefonema, sermão, carta pessoal, carta comercial, romance, bilhete, reportagem jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais, conto, tirinha, anúncio, crônica, cruzadas, charge, testamento, telegrama, caça-palavras, etc. Vale destacar Também, nessa lista enorme, os gêneros circulantes na literatura infanto-juvenil, como: conto popular, conto maravilhoso, fábulas, lenda, poesia, histórias em quadrinhos, etc.

A lista é extensa, quase impossível de delimitar sua quantidade, já houve por parte dos estudiosos em definir o número dos gêneros textuais, no entanto, depararam-se com alguns obstáculos, pois os gêneros são dinâmicos, e também surgem da transmutação de outros gêneros. São inúmeros, e, assim como aparecem, podem desaparecer por isso a dificuldade de uma classificação exata. Para Marcuschi,

“Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica”. (2002, p.23)

Certamente, o estudo desses gêneros só vem a contribuir para o ensino de leitura e redação, e fazer com que tenhamos um maior entendimento da nossa língua materna, isso significa desenvolver competência na compreensão desses gêneros textuais. A esse respeito, menciona Marcuschi:“Quando dominamos um gênero textual, não dominamos uma forma lingüística e sim uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares”. (2002, p. 29)

Logo, eles são caracterizados por suas funções específicas e organização mais ou menos típica. São reconhecíveis pelas características funcionais e organizacionais que exibem e pelos contextos onde são utilizados.

Importante ressaltar que os gêneros textuais é o reflexo da sociedade, época, cultura. Foi o que demonstramos quando apresentamos um breve relato dos gêneros textuais na história, então, à proporção que a sociedade transforma-se vemos o surgimento de novos gêneros, ou seja, eles evoluem-se no tempo.



Qual a importância desses gêneros na escola?

Sabemos que todos os textos manifestam-se por meio dos gêneros textuais, então é importantíssimo aplicar isso em sala de aula, no ensino da língua, e, agora, nesta época que vivemos, pós-modernidade, nunca foi tão importante ter o conhecimento de tais gêneros, pois seu domínio é de fundamental importância.

Os PCNs (Parâmetro Curriculares Nacionais) têm como idéia básica a questão da relevância de se trabalhar esses variados gêneros circulantes na escola, não só os gêneros escritos como também os orais, o que significa levar os educandos a conhecer, analisar, produzirem esses diversos textos. Vê-se, portanto, que o estudo, compreensão desses gêneros é uma maneira interessantíssima de se lidar com a língua materna em seus variados usos em nosso dia-a-dia.

Marcuschi faz um alerta: “Os demais gêneros figuram apenas para ‘enfeite’e até para distração dos alunos. São poucos os casos de tratamento dos gêneros de maneira sistemática”. Isso significa que o estudo desses textos ainda é pouco trabalhado na escola, segundo o autor, é abordado pelos educadores, porém de forma superficial, a atenção é dada apenas naqueles gêneros mais formais, os demais são totalmente para ‘enfeite’, como ele menciona.

Fato lamentável, pois sabemos quanto os gêneros textuais contribuem para o desenvolvimento da língua, compreensão, da formação do educando, e, sobretudo, numa cooperação das mais importantes para o ensino da leitura e redação, pois somente quando os estudantes dominarem os gêneros mais correntes na vida cotidiana, esses alunos serão capazes de perceber o jogo que frequentemente se faz por meio de manobras discursivas que pressupõem esse domínio. Portanto, o estudo desses variados textos só vem enriquecer as aulas de língua portuguesa.



REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

Marcuschi, Luiz Antônio. Gêneros Textuais & Ensino. 5º ed. São Paulo: Lucerna, 2002



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