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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O SUJEITO DA CONTEMPORANEIDADE, UMA VISÃO SOCIOLÓGICA, SEGUNDO FOUCAULT

RESUMO

O presente artigo objetiva apresentar algumas reflexões a respeito do pensamento do grande mestre da filosofia Michael Foucault. Como parte da disciplina Do Mundo da Natureza ao mundo da cultura ministrada pelo Professor Drº Hidelberto de Sousa Ribeiro. Para tanto utilizaremos a metodologia de estudo bibliográfico de artigos de revistas relacionadas as obras do referido pensador. Dentro desse acervo de idéias, enfatizaremos questões relacionadas à educação e ao sujeito pensante da sociedade pós-moderna. Nessa nossa reflexão veremos que o conceito em Foucault é a luta pela liberdade em todos os sentidos e acepções da palavra.

Palavras – chave: Educação; Sociedade; Liberdade.

INTRODUÇÃO

Como dito anteriormente, temos como objetivo trabalhar alguns pensamentos de Michael Foucault, portanto nosso “objeto de estudo”, é esse pensador francês, nascido no final da década de vinte, e falecido, vítima de Aids no ano de 1984.

Observa-se que o tema central em Foucault é o sujeito constituído por práticas que possibilitam pensá-lo a partir dos três modos de investigação: Sujeito da prática científica; sujeito criado pelas técnicas de poder e sujeito subjetivado pela biotécnica de Poder.
O Sujeito em Foucault é aquele que em sua formação é resultado de fatores linguisticos e sócio-histórico, e o saber, é aquele que passa pela relação: discurso, sujeito, poder e história.

Nosso pensador foi de família conservadora, sua geração foi marcada pelos acontecimentos históricos (II Guerra Mundial), mais ligados à vida pública (à política) do que a infância (família). Ele foi aluno com sede de conhecimento, lia Platão, Descartes, Pascal, Bérgson, no inicio da fase adulta viveu a solidão de quem sente desejos, que não são como os da maioria.

Utilizaremos como metodologia o estudo bibliográfico de artigos publicados a respeito do sujeito. Tais como: Vigiar e punir ou educar? Ensaio para uma filosofia da educação; Foulcault: o pensador de todas as solidões e o artigo sujeito e sociedade – Perspectiva sociológica.

Antes de começarmos a desenvolver o pensamento foucaultiano a respeito do que seja sujeito, é oportuno apresentarmos um poema de Carlos Drummond de Andrade: Eu, etiqueta, o qual nos remeterá ao contexto em que esse indivíduo pós-moderno está inserido.

Eu, etiqueta



Em minha calça está grudado um Nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei,
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu corpo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
é doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso dos outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humanidade, invencível condição.
[...]
Por me ostentar assim tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.



                         Carlos Drummond de Andrade








A DETERMINAÇÃO DO SUJEITO

Pensar em um indivíduo da atualidade, é pensarmos em um sujeito que está introduzido em um mundo instável, descontinuo, da mídia, discurso do outro, indefinido, e esse contexto acaba por influenciar esse sujeito, porque o indivíduo é constituído, e não constituinte.

Para a visão sociológica, quando o homem nasce, ele não é nada, não existem ideias inatas, anterior ao seu nascimento, que vão indicar que caminhos ele deve seguir, alguma coisa que irá orientá-lo de suas decisões, isso não existe, pois, consoante a essa teoria, somos construídos com a experiência, à medida que experimentamos, conhecemos, vivemos e aprendemos. Assim, o ser humano é formado socialmente, somos frutos de uma relação social, construída com os outros, ou seja, o homem extrai suas ideias de sua experiência pessoal. Logo, o homem é um ser determinado pela sua história de vida.

Isso significa que, primeiro o homem existe e depois ele completa-se. É exatamente aqui que entra o pensamento de Foucault, pois este entende o sujeito como uma invenção moderna, o qual é constituído pelas relações históricas e, também, é sujeitado pelo poder. Foucault questiona esse poder disciplinante, que domina o indivíduo, ele diz que o sujeito disciplinado é muito mais útil aos mecanismos econômicos e políticos.

Os autores da corrente sociológica, como: Brigitte, Peter Berger, Norbert Elias, Antonio Candido e Michael Foucault, confirmam que “a biografia do indivíduo, desde o seu nascimento, é a história de suas relações com outras pessoas”. (SCHILLING, 2009, p. 47.)

Com relação à educação temos alguma identificação - na tradição ocidental (Paidéia) pelos gregos antigos (Belduing) pelos alemães, ou seja, forma de edificações dos sujeitos como construção de si.

A exemplo de Foucault somos desafiados a pensar uma construção autônoma de si, como resultante dos jogos de poder, de saber e de verdades nas quais, vamos nos constituindo social e coletivamente.

Como já mencionamos, o sujeito é formado, seja pela sua história, seja por práticas disciplinares, e Foucault questiona muito sobre o efeito do poder que existe nas instituições, na verdade, ele tem uma visão pessimista em relação a elas, faz críticas profundas às instituições escolares, ao modo de ver, eram intoleráveis. Com essa recusa às organizações, ele mostra que o sujeito é objetivado e sujeitado. No entanto, o pensamento de Foucault pode nos levar a crer que ele não era “contra” a escola, e, sim, contra a forma como a educação era atribuída.

Segundo Lacerda, é difícil fazer a crítica e a reflexão sobre o papel e os desafios da escola, dos processos de escolarização e formação, visto que isso implica a própria escola, a própria educação, pois não há uma subjetividade livre, autônoma, não haverá também pessoas educadas, criativas que é justamente o que a escola deveria produzir.

Portanto, sem criatividade, não é possível recusar o sujeito preso aos saber e ao poder de disciplinas que normalizam, sem indagar o que queremos para nós, não é possível criar novos estilos de vida, pautados por atos éticos de liberdade e autonomia, como propõe Foucault.

Isso significa que o ser humano é sujeitado a formas de poder, controle, dependência, enfim, todas as formas de subordinação. É o que menciona Foucault segundo a autora:

[...] a conformação do sujeito se dá com base em relação objetivação/ subjetivação, sendo assim, nós nos constituímos como sujeitos pelos saberes das ciências sobre nós-mesmos, pelas práticas divisoras das e nas instituições, com seu jogo constante de classificações e pelo nosso movimento de adesão a estas, com a consequente produção de uma identidade à qual nos aferramos. (SCHILLING 2009, p.50.)
Dessa maneira, a autora remete ao pensamento de Foucault dizendo que a integração dos indivíduos a uma comunidade ou totalidade resulta de uma correlação permanente entre a individualização sempre mais avançada e a consolidação desta totalidade. Então, nos formamos sujeitos a partir de nossa relação com o mundo, somos sujeitados, subordinados, influenciados pelo meio em que estamos inseridos, é em meio de tantos fatores adversos que somos constituídos. Foucault afirma que somos formados pelo olhar do outro, a questão da alteridade do sujeito, somos a partir das relações com o outrem, ou seja, pensamos ser aquilo que os outros dizem que somos. Entretanto, isso não quer dizer que somos realmente aquilo que aparentamos ser.

É o que observa Schilling “Questões individuais e sociais se entrecruzam, formam relações peculiares em cada momento histórico e em cada sociedade. São nessas tramas que se dão os processos de humanização”. (SCHILLING 2009, p. 48.)

Colocamos o poema de Drummond “Eu, etiqueta”, porque ele nos apresenta de forma clara, concisa, direta, como se encontra esse sujeito da modernidade. Drummond mostra quem é esse sujeito sujeitado, a formas de controle, dependência, submissão entre outras.

Para o poeta, o sujeito já não tem mais identidade, perdeu-a, no momento em que passou a ser homem-anúncio, escravo desse mundo da aparência, de viver sob o olhar do outro, na inocência o indivíduo demitiu-se, deixou de ser, agir conforme seu pensamento, paga para anunciar, para vender o produto do outro. Freud diz que: “(...) o que nos torna humanos é o desejo, um desejo que se constrói a partir do desejo do Outro”. (PETRI, 2009, p. 29.), justamente o que estamos vivendo hoje, o desejo de viver pelo outro.

Mas o que podemos fazer diante de tantas adversidades?

Petri enfocando o pensamento de Foucault afirma que:

[...] defende a ideia de uma estética da existência voltada para a autoperfeição e autoafirmação do sujeito. Está estética dispensaria o compromisso com valores universais ou com os princípios humanitários das democracias liberais. Foucault possui uma ética virtualmente universalista, que condena uma estrutura social. (O nascimento do sujeito. São Paulo, 2009, 29.).
Portanto, para esses estudiosos Foucault não esperava por mudanças sociais que viriam no futuro, mas nos convidava a criar o novo no presente, em todas as relações em que nos encontramos, isto é, combatendo o poder, a dominação, a sujeição, toda a forma de escravização do homem. Assim sendo, esse sujeito deixaria de ser sujeitado, para tornar-se dono do seu próprio eu, e não seria mais um ser manipulado, por uma sociedade tecnológica, do poder, que transforma as pessoas em coisas, como diz o poeta.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tomando como referencia o poema de Drummond de que a sociedade nos transforma em sujeitos sujeitados pela tecnologia do poder, podemos aferir que somos seres determinados pelas formações discursivas que ao longo dos anos nos são conferidas. Contudo, quando pensamos na educação como “poder” para desvendar os olhos de toda e qualquer forma de manipulação do sujeito, observamos que o compromisso de todos pela educação seja a principal arma contra a ignorância de uma sociedade.

Foucault nos mostra que a filosofia é uma forma de interrogarmos nossa relação com a verdade, de questionarmos o que identificamos como verdadeiro e qual razão que nos leva a isso; ainda ele a compreendia como uma prática de pensarmos sobre o próprio pensamento, o que mais interessava para ele era perguntar e responder sobre “os caminhos”. E nós, como percorremos esses caminhos?



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Carlos Drummond. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1984.

FOUCALT, Michael, O nascimento do sujeito. In educação e psicologia. São Paulo: Segumento, 2009. Capítulos:

Sujeito e sociedade – Perspectivas sociológicas. Por flávia Schilling.

O sujeito do desejo inconsciente. Por Renata Petri.


FOUCALT, Michael, Foucault pensa a educação. In. Revista Educação – Edição Especial. Vol 3. São Paulo: Segmento, 2008. Capítulos:

• Foucault: O pensamento de todas as solidões; por Durval M. A. Junior.

Ensaio para uma filosofia da educação; por Silvio Gallo e Alfredo Veiga-Neto.

Vigiar e punir ou educar? Por Inês Lacerda Araújo.



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