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sábado, 12 de setembro de 2009

POEMAS DE MARILZA RIBEIRO

1- Corpos Calados


Marcas do massacre
na terra esquecida
chacina impune
corpos calados/ rasgados/chutados/trucidados
linguagem vermelha
do terror...




    Terra matogrossense
    palco de guerras malditas
    cerrados silenciosos
    guardando segredos
    assassinos
    fantasmas soltos
    aves de rapina
    voando
    sobre os corpos calados
    como dança
    macabra
    da cobiça...




Os rastros
invisíveis, implacáveis
das féras fugidias
deixando largados os corpos
que ontem foram
valentes
honestos
garimpeiros ou bóias-frias...
   
    Onde se encontram
    as vozes
    rebeldes, inconformadas?
    Estarão elas
    enjauladas pelo medo
    ou tão omissas?


Este silêncio cúmplice
de tanta gente
cabeças pendidas
ombros caídos
palavra vendida?
   
    Neste espaço mudo
    onde as vozes
    tão mortas...tão caladas...
    jaz um gemido que
    explode em chamas
    nesta hora aflita
   
    MEU POEMA... MEU GRITO...








2- Por que não?


Mulher
rasgue a nudez dessa dor
e jogue seu grito
nesse espaço da ordem!
   
    Todas as portas fechadas
    das mansões
    isoladas
    (guardadoras dos silêncios pervesos)
    serão abaladas
    acordadas
    pra lhe valer...


Mulher
saia
dessa solidão aflita
BERRE
seu desgosto
seu anonimato
seu despejo
da vida.


    Assuma
    desvairada
    o espaço da rua
    com outras mulheres
    irmãs suas
    lance no ar
    seu hino de guerra
    seu hino de morte
    seu hino de fera!






3- O sonho não tocado


As vitrines
das lojas milionárias
de brinquedos
são como mundo acesos
por dentro da noite...
   
    Por sob as mãos
    incrivelmente sujas
    do menino de rua
    que tem os olhos espantados,
    está o vidro
    transparente
    por onde elas deslizam
    e sentem
    que ele terrivelmente divide
    duas dimensões...


No olhar
do menino de rua
penetra o colorido
dos brinquedos da vitrine
onde centenas deles,
maravilhosos,
parecem estrelas brilhantes
que jamais serão alcançadas
por ele...
   
    Nas mãos
    incrivelmente sujas
    do menino de rua,
    esconde-se
    todo um desejo profundo
    de penetrar nesses mundos
    tão distantes...


O vidro pesado da vitrine
reflete
o rosto desolado do menino
com suas lágrimas
que não conseguiram
ficar guardadas
por causa de uma porção de sonhos
que nunca serão tocados...

   















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